18 de out de 2015

mulher de trinta anos, uma hipótese promissora

um dos casos mais interessantes e engraçados em nossa história tradutória é, provavelmente, o percurso centenário d'a mulher de trinta anos, de balzac.

aqui exponho o que por ora é apenas uma hipótese de trabalho, qual seja, a tradução de luiz cardoso, publicada em 1906 pela guimarães de lisboa, teria sido usada no brasil pelas seguintes casas editoriais:
1. h. garnier em sua edição de 1914; reedição em 1922 pela livraria garnier, anônima2. civilização brasileira em 1931; reedição em 1937 em sua collecção S.I.P., idem3. irmãos pongetti em 1943, como "tradução revista por marques rebelo"4. brand com licenciamento da pongetti em 1945, idem5. clube do livro em 1947, anônima6. novo mundo em c.1954, idem7. edições de ouro desde os anos 1960, chegando à atual ediouro, agora atribuindo-a diretamente a marques rebelo8. clube do livro em 1988, agora atribuindo-a a josé maria machado9. nova cultural na coleção imortais da literatura em 1995, atribuindo-a a "enrico corvisieri"*10. nova cultural na coleção obras-primas em 2003, atribuindo-a a "gisele donat soares"*11. saraiva de  bolso em 2013, atribuindo-a diretamente a marques rebelo* nomes fictícios






para as relações de proximidade entre garnier, clube do livro e nova cultural (em suas duas edições com atribuições distintas), já disponho de alguns elementos interessantes. encomendei hoje um exemplar da guimarães, um da civilização e um da pongetti.

tenho já uma sub-hipótese à primeira vista quase escalafobética, mas com alguma plausibilidade, sobre o tipo das possíveis relações entre a edição da guimarães e a da garnier e até sobre a identidade do responsável por tais relações. mas vou preferir reunir dados mais concretos antes de aprofundá-la.


apenas para encerrar, vale lembrar que a martin claret, numa de suas costumeiras imposturas, preferiu garfar a tradução d'a mulher de trinta anos feita por casimiro fernandes e wilson lousada (bem como as notas e trechos do prefácio de paulo rónai), atribuindo-a ao indefectível pietro nassetti - vide aqui.

3 comentários:

  1. Olá Denise, bom dia

    Sou um proprietário/otário de um exemplar de "A mulher de trinta anos" editado em 2003 pela Nova Cultural, onde se lê 'Tradução de Gisele Donat Soares'. Você sabe informar quem realmente é o tradutor "utilizado" nesta edição?

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    1. olá, gilberto. essa minha "hipótese promissora" não se sustentou em relação a uma possível ligação entre guimarães-1906 e garnier-1914. são traduções independentes. a de "gisele donat soares" segue ipsis litteris a tradução (anônima) da garnier, retomada pela civilização em 1937 e pelo clube do livro de 1947.

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    2. aliás, é grotesca essa história da nova cultural. ela própria havia lançado sua versão espúria em 1995, dando como pretenso tradutor "enrico corvisieri"; aí, sabe-se lá por quê, trocou o nome do embusteiro na edição de 2003. veja http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2008/11/assassinado-tradutores-2-mulher-de.html

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