No caso de Schopenhauer, sua obra traduzida vem se ampliando cada vez mais desde a publicação de um volume da coleção Os Pensadores, da Abril Cultural, em 1974, dedicado a ele e a Kierkegaard. Vejamos o que havia antes.
Eis o primeiro Schopenhauer em tradução brasileira - Pensamentos e fragmentos: Metaphisica do amor. Esboço sobre as mulheres. Tradução de Manuel Coelho da Rocha. Laemmert, 1887. 72 p.
A Semana, 1887, ed. 0144
2. Anos 1930
- Em 1931, a carioca Livraria H. Antunes publica Dores do mundo - A metafísica do amor - A morte - A arte - A moral - O homem e a sociedade, sem créditos de tradução, mas provavelmente retomando a tradução lusitana de Albino Forjaz de Sampaio (1913): Capa e página de rosto:
É também muito provavelmente a mesma edição que será reeditada como "tradução revista por José Sousa de Oliveira", pela Edições e Publicações Brasil em 1944 e pela Edigraf, sem data, em sua Biblioteca de Autores Célebres. Reed. Edições de Ouro, 1979; Edipro, 2014.
Entre 1936 e 1939, além de reeditar a tradução de Manuel Coelho da Rocha para A metafísica do amor (em 1938), a paulista Cultura Moderna publica dois novos títulos em sua coleção As Grandes Obras, vols. 9 e 39:
- O amor, as mulheres e a morte, com tradução de Emilio Paraizo, em 1936 (266 p.)
- A sabedoria da vida, com tradução direta do alemão, introdução e notas de Rômulo Argentière, aquele se tornaria importante e afamado físico nuclear, então ainda muito jovem. São interessantes suas considerações no prefácio sobre a importância de Schopenhauer não só para a psicanálise, mas também para a teoria da relatividade. O livro sai em 1939, com 272 p. Reed. Edipro, 2012 (Argentière grafado como Argetière)
4. Anos 1940
- Em 1941, a Brasil publica O mundo como vontade e representação, em tradução e prefácio de Heraldo Barbuy (238 p.), em sua coleção As Grandes Obras da Filosofia, com várias reedições. Sai também pelas Edições de Ouro, 1966 em diante. A obra se encontra disponível no EBooksBrasil, aqui.
- O pensamento vivo de Schopenhauer. Apresentação de Thomas Mann. Trad. de Pedro Ferraz do Amaral. São Paulo, Livr. Martins. 1941. 230p.
- O amor, as mulheres e a morte. Trad. de Persiano da Fonseca. Série Os Grandes Pensadores. Rio de Janeiro, Ed. Vecchi, 1941. 119p.
- O livre arbítrio. Trad. de Lohengrin de Oliveira. Prefácio de Afonso Bertagnoli. Biblioteca de Autores Célebres, 1.São Paulo, Ed. e Publ. Brasil, 1944 (2a. ed.). 171p. Reed. Edições de Ouro, 1967; Saraiva, 2012
- Regras de conduta para bem viver (Eudemonologia). Trad. Eloy Pontes. Rio de Janeiro: Vecchi, 1946, 195 p.
5. Anos 1950
- Dores do mundo. Trad. de A.F. Rocha. Coleção Livros de Ontem e de Hoje, 2. Rio de Janeiro, Org. Simões, 1951. 174 p. (aqui, capa de 1954, 2a. ed.)
- O instinto sexual. Introdução de Anatol H. Rosenfeld. Tradução do alemão por Hans Koranyi. São Paulo: Inedos, 1951.* 98 p. Reed. O Livreiro, sem créditos, em 1963, com 110 p.
- Aforismos para a sabedoria na vida. Trad. e prefácio por Genésio de Almeida Moura. São Paulo, Melhoramentos, 1953. 232p.
abaixo, a imagem de capa da 4a. edição, em 1964, mais alegrinha, já prenunciando a abordagem de autoajuda que viria a prevalecer nas décadas seguintes:
- Dores do mundo - A metafísica do amor, a morte, a arte, a moral, o homem e a sociedade. Coleção Temas do Nosso Tempo. Salvador, Livr. Progresso, 1957. 205p. Provavelmente retomando a mesma tradução portuguesa que avento como fonte para a edição da H. Antunes, de 1931.
- "O estoicismo", in O pensamento de Epicteto. Trad. Hans Koranyi. Coleção A Sabedoria do Mundo. Iris, 1959.
6. Anos 1960
- A necessidade metafísica. Trad. Artur Versiani Velloso. Belo Horizonte: Itatiaia, 1960. 153 p.
- A vontade de amar. Trad. de Aurélio de Oliveira. Prefácio de Torrieri Guimarães. Edimax, c. 1964. 136 p. Reed. Edições de Ouro, 1966; Hemus/ Leopardo, 2010.
* ainda que rômulo argentiére já houvesse destacado a importância de schopenhauer para a psicanálise, a edição da inedos é a única que enfoca o filósofo pelo lado especificamente psicanalítico. uma pequena curiosidade: o anúncio que a editora publicou no jornal correio da manhã, de 4 de julho de 1954.
fontes: Fundação Biblioteca Nacional, Hemeroteca Digital da FBN, Sociedade Schopenhauer do Brasil, Bibliografia Filosófica Brasileira 1808/1985, sebos virtuais, Google Images
veja a continuação da schopenhaueriana brasileira, de 1970 a 2015, aqui.















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