28 de jun de 2015

schopenhauer traduzido no brasil (1887-1969)

Interessa-me sempre mais a carreira inicial e intermediária de um autor traduzido no Brasil do que propriamente sua presença atual. Esta, nós vemos e sentimos; como se chegou à situação presente é que muitas vezes ignoramos.

No caso de Schopenhauer, sua obra traduzida vem se ampliando cada vez mais desde a publicação de um volume da coleção Os Pensadores, da Abril Cultural, em 1974, dedicado a ele e a Kierkegaard. Vejamos o que havia antes.



1. anos 1880

Eis o primeiro Schopenhauer em tradução brasileira - Pensamentos e fragmentos: Metaphisica do amor. Esboço sobre as mulheres. Tradução de Manuel Coelho da Rocha. Laemmert, 1887. 72 p.


A Semana, 1887, ed. 0144

Muito provavelmente segue a tradução francesa de Jean Bourdeau (1880), Pensées et fragments. Sua quarta edição em 1904, com nova capa na Bibliotheca Philosophica da Laemmert, consta como "augmentada com um appendice sobre a pederastia", agora com 99 p. A obra foi reeditada pela Cultura Moderna em 1938.




2. Anos 1930
  • Em 1931, a carioca Livraria H. Antunes publica Dores do mundo - A metafísica do amor - A morte - A arte - A moral - O homem e a sociedade, sem créditos de tradução, mas provavelmente retomando a tradução lusitana de Albino Forjaz de Sampaio (1913): Capa e página de rosto:


















É também muito provavelmente a mesma edição que será reeditada como "tradução revista por José Sousa de Oliveira", pela Edições e Publicações Brasil em 1944 e pela Edigraf, sem data, em sua Biblioteca de Autores Célebres. Reed. Edições de Ouro, 1979; Edipro, 2014.




Entre 1936 e 1939, além de reeditar a tradução de Manuel Coelho da Rocha para A metafísica do amor (em 1938), a paulista Cultura Moderna publica dois novos títulos em sua coleção As Grandes Obras, vols. 9 e 39:
  • O amor, as mulheres e a morte, com tradução de Emilio Paraizo, em 1936 (266 p.)

  • A sabedoria da vida, com tradução direta do alemão, introdução e notas de Rômulo Argentière, aquele se tornaria importante e afamado físico nuclear, então ainda muito jovem. São interessantes suas considerações no prefácio sobre a importância de Schopenhauer não só para a psicanálise, mas também para a teoria da relatividade. O livro sai em 1939, com 272 p. Reed. Edipro, 2012 (Argentière grafado como Argetière)


4. Anos 1940
  • Em 1941, a Brasil publica O mundo como vontade e representação, em tradução e prefácio de Heraldo Barbuy (238 p.), em sua coleção As Grandes Obras da Filosofia, com várias reedições. Sai também pelas Edições de Ouro, 1966 em diante. A obra se encontra disponível no EBooksBrasil, aqui.

  • O pensamento vivo de Schopenhauer. Apresentação de Thomas Mann. Trad. de Pedro Ferraz do Amaral. São Paulo, Livr. Martins. 1941. 230p.
  • O amor, as mulheres e a morte. Trad. de Persiano da Fonseca. Série Os Grandes Pensadores. Rio de Janeiro, Ed. Vecchi, 1941. 119p.

  • O livre arbítrio. Trad. de Lohengrin de Oliveira. Prefácio de Afonso Bertagnoli. Biblioteca de Autores Célebres, 1.São Paulo, Ed. e Publ. Brasil, 1944 (2a. ed.). 171p. Reed. Edições de Ouro, 1967; Saraiva, 2012

  • Regras de conduta para bem viver (Eudemonologia). Trad. Eloy Pontes. Rio de Janeiro: Vecchi, 1946, 195 p.


5. Anos 1950
  • Dores do mundo. Trad. de A.F. Rocha. Coleção Livros de Ontem e de Hoje, 2. Rio de Janeiro, Org. Simões, 1951. 174 p. (aqui, capa de 1954, 2a. ed.)

  • O instinto sexual. Introdução de Anatol H. Rosenfeld. Tradução do alemão por Hans Koranyi. São Paulo: Inedos, 1951.* 98 p. Reed. O Livreiro, sem créditos, em 1963, com 110 p.


  • Aforismos para a sabedoria na vida. Trad. e prefácio por Genésio de Almeida Moura. São Paulo, Melhoramentos, 1953. 232p.

abaixo, a imagem de capa da 4a. edição, em 1964, mais alegrinha, já prenunciando a abordagem de autoajuda que viria a prevalecer nas décadas seguintes:


  • Dores do mundo - A metafísica do amor, a morte, a arte, a moral, o homem e a sociedade. Coleção Temas do Nosso Tempo. Salvador, Livr. Progresso, 1957. 205p. Provavelmente retomando a mesma tradução portuguesa que avento como fonte para a edição da H. Antunes, de 1931. 
  • "O estoicismo", in O pensamento de Epicteto. Trad. Hans Koranyi. Coleção A Sabedoria do Mundo. Iris, 1959.

6. Anos 1960
  • A necessidade metafísica. Trad. Artur Versiani Velloso. Belo Horizonte: Itatiaia, 1960. 153 p.

  • A vontade de amar. Trad. de Aurélio de Oliveira. Prefácio de Torrieri Guimarães. Edimax, c. 1964. 136 p. Reed. Edições de Ouro, 1966; Hemus/ Leopardo, 2010.

* ainda que rômulo argentiére já houvesse destacado a importância de schopenhauer para a psicanálise, a edição da inedos é a única que enfoca o filósofo pelo lado especificamente psicanalítico. uma pequena curiosidade: o anúncio que a editora publicou no jornal correio da manhã, de 4 de julho de 1954.




fontes: Fundação Biblioteca Nacional, Hemeroteca Digital da FBN, Sociedade Schopenhauer do Brasil, Bibliografia Filosófica Brasileira 1808/1985, sebos virtuais, Google Images

veja a continuação da schopenhaueriana brasileira, de 1970 a 2015, aqui.

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