25 de jun de 2015

robert louis stevenson no brasil (1933-1960)

quando se realiza o rastreamento da fortuna bibliográfica de um autor traduzido no brasil, é difícil ter certeza de que o levantamento está completo, pois sempre pode ocorrer algum lapso ou perda de dados sobre suas vicissitudes in terra brasilis. em todo caso, segue-se o que localizei até o momento sobre robert louis stevenson traduzido entre nós, de 1933 a 1960.

em 1933, saem os primeiros lançamentos, nada menos que três:
  • A Ilha do Thesouro. Trad. Álvaro Eston. Collecção Terramarear, 8. Cia Editora Nacional, 1933. 204 p. 

a partir de certa altura, a nacional começa a publicar a ilha do tesouro fazendo constar nos créditos apenas "Tradução revista por Rubens de Aquino Penteado", até anos recentes. não sei a data exata em que isso começou, mas já consta assim em meu exemplar de 1954. como sói acontecer em muitos desses casos, não é raro que a "tradução REVISTA POR fulano" acabe, com o passar do tempo, constando como "tradução DE fulano".


embora eu não costume fazer levantamentos em revistas e jornais, cabe registrar aqui o lançamento inicial d' a ilha do thesouro pela coleção "romances d'o tico-tico", que desde 1905 publicava gibis e adaptações ilustradas. em 1906-1907 temos a serialização desse romance de stevenson:

agradeço a notícia e a imagem de capa a angelo giardini de oliveira.

para as edições da tico-tico, bem como para dados sobre esse lançamento, ver "Le Petit Journal Illustré de la Jeunesse, A verdadeira origem francesa d’O Tico-Tico", interessante artigo de  Athos Eichler Cardoso, disponível aqui.

além da tico-tico, a eu sei tudo publicou outra serialização entre julho de 1929 e maio de 1930, em seus números 146 a 156, sem crédito de tradução, com o título de jim, o pirata amador, como nos informa também angelo giardini, em seu artigo disponível aqui, com direito a escaneamento dos capítulos iniciais e tudo!



retomando as edições de stevenson em formato livro, temos então:
  • O Clube dos Suicidas. Trad. Godofredo Rangel. Collecção Para Todos. Cia. Editora Nacional, 1933. 254 p.
  • Aventuras de David Balfour em 1751. Trad. Fernando Pio. Coleção Globo, 14. Livraria do Globo, 1933. 272 p.

  • em 1934, sai outra A Ilha do Tesouro, agora em tradução de Pepita de Leão, pela Livraria do Globo (274 p.):
agradeço a imagem a angelo giardini de oliveira


também em 1934:
  • Raptado. Trad. Agrippino Grieco. Colecção Terramarear. Companhia Editora Nacional, 1934. 222 p.


como disse acima em relação à ilha do tesouro, não costumo fazer levantamentos em revistas e jornais. mas aproveitemos a deixa para registrar aqui as primeiras traduções brasileiras de pousada para a noitemarkheim e do celebérrimo dr. jekyll and mr. hyde: saíram em a novela, revista mensal de literatura da livraria do globo, respectivamente nos números 8 (maio de 1937), 9 (junho 1937) e 17 (fevereiro 1938). dr. jekyll and mr. hyde já trazia como título o médico e o monstro, em tradução de orlando maia.




novamente retomando as traduções em livro, na sequência temos:
  • O príncipe Otto. Trad. Antônio Barata. Coleção Nobel. Livraria do Globo, 1940. 270 p.

  • O médico e o monstro. Trad. Orlando Rocha. Universitária, 1942. 230 p. 

  • "Pousada por uma noite", in Contos ingleses. Org. Jacob Penteado, sem  crédito de tradução. Coleção Primores do Conto Universal. Edigraf, 1942.
  • "Markheim", in Os ingleses: antigos e modernos. Trad. Rachel de Queiroz. Coleção Contos do Mundo. Leitura, 1944.
Devo a imagem de capa à enorme gentileza de Saulo von Randow Jr.

  • Perdeu-se um cadáver. Coleção Os Mais Célebres Romances Policiais. Vecchi, 1945. 214 p.

  • Aventuras de David Balfour. Coleção Os Audazes. Vecchi, 1946. 223 p.

  • O Morgado de Ballantrae. Trad. Alfredo Ferreira. Vecchi, 1946. 217 p. Reed. em 1955, na Coleção Os Audazes, com o título de Minha Espada, Minha Lei (em função do sucesso do filme com Errol Flynn, de 1953, que recebeu esse título em português).


  • "A porta e o pinheiro", in Os mais belos contos policiais dos mais famosos autores. Trad. Alfredo Ferreira et al. Vecchi, 1947.

  • Desafiando perigos [corresponde a Catriona]. Vecchi, 1947. 214 p.
  • O filão de prata. Vecchi, 1948. 206 p. Não encontrei imagem de capa, mas o título segue o nome brasileiro do filme Adventures in Silverado, baseado no conto de Stevenson, "Silverado Squatters".
  • Noites das ilhas. Coleção Universo, 9. Globo, 1951. 164 p.

  • O médico e o monstro / A garrafa encantada. "Trad. especial" José Maria Machado.* Clube do Livro, 1951. 171 p.

* sobre josé maria machado e suas "traduções especiais" para o clube do livro, ver aqui.

  • Herança trágica. Trad. Jacob Penteado (a partir do italiano, do original "The Wrong Box"). Série Vermelha, 3. Edigraf. 1952. 152 p.

  • O navio fantasma. "Trad. especial" José Maria Machado. Clube do Livro, 1953. 207 p.

  • A flecha preta. Trad. Edison Carneiro. Coleção Os Audazes. Vecchi, 1953. 233 p.

  • O príncipe errante. "Trad. especial" José Maria Machado. Clube do Livro, 1955. 172 p.

  • O médico e o monstro (incluindo "Markheim" e "A porta de Sire de Maletroit"). Trad. Joaquim Machado. Coleção Novelas de Mistérios, 4. Melhoramentos, 1955. 174 p.

  • "O estranho caso de Dr. Jekyll e Mr. Hyde", in Obras-Primas da Novela Universal. Org.. Mário da Silva Brito. Sem créditos de tradução (muito provavelmente portuguesa). Martins, 1956.

  • A ilha da maldição. Com Lloyd Osborne. Vecchi, 1956. 166 p. Mais uma capa e mais um título baseados num filme, como a Vecchi costumava fazer.

  • "Markheim", in Maravilhas do Conto Inglês. Sem créditos de tradução. Cultrix, 1958.
  • As duas rosas. "Trad. especial" de José Maria Machado. Clube do Livro, 1960. 134 p.

  • Traficantes de naufrágios. Com Lloyd Osborne. Trad. Celestino da Silva. Vecchi, 1960. 261 p.






  • O médico e o monstro e outras histórias (a saber, "Markheim" e "O diabrete da garrafa"). Trad. Nair Lacerda. Coleção Saraiva, 143. Saraiva, 1960. 168 p.




  • Há ainda um O médico e o monstro pela Gertum Carneiro, em sua Série Terror, em tradução de Humberto Pires, sem data - até maiores informações, conste aqui por volta do final dos anos 1950:



    sobre a fortuna histórica de dr. jekyll e mr. hyde no brasil, ver o estudo de ana júlia perrotti-garcia, as transformações de dr. jekyll & mr. hyde: traduções, adaptações e demais refrações da obra prima de robert louis stevenson, disponível aqui.

    em tempo: há uma referência avulsa no acervo da ABI a a ilha do tesouro pela vecchi em 1952, mas não localizei nenhuma outra confirmação. encontrei apenas uma adaptação pela vecchi, em 1964, como número 1 da coleção minha biblioteca.

    atualização em 7/7/2015: sérgio karam, em comentário abaixo, avisa que a melhoramentos também publicou "o diamante do rajá", com suas quatro histórias, e "o diabo na garrafa", em tradução de joaquim machado, sem data de edição.

    ver stevenson no brasil de 1961 a 2000 aqui.

    10 comentários:

    1. Sérgio Karam7.7.15

      Oi, Denise:
      Além daquele O MÉDICO E O MONSTRO de 1955 (com "Markheim" e "A porta de Sire de Maletroit"), a Melhoramentos publicou também, com tradução atribuída ao mesmo Joaquim Machado, um volume com o título O DIAMANTE DO RAJÁ, que inclui a história de mesmo nome (dividida em quatro partes) e também "O clube dos suicidas" (igualmente dividida em quatro partes). Tenho os dois livros encadernados num volume só (mas cada livro com a sua própria numeração de páginas), não sei se pela própria editora ou por algum leitor afeito às capas duras. Infelizmente não consta a data de publicação. Será 1955, como este que você encontrou? Será posterior e aí resolveram encadernar os dois juntos? Na lombada aparece o título geral da coleção A ARTE DA NOVELA e o nome do Stevenson. Abraço!

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    2. Sérgio Karam7.7.15

      Denise:
      Cheguei em casa e fui conferir o livro de que te falei. Meu Deus, não dá mesmo pra confiar só na memória. Seguinte: o livro existe mesmo, claro, mas a segunda parte tem O Diamante do rajá e O diabo na garrafa (e não O clube dos suicidas, como eu tinha falado. E o título geral da coleção - que só aparece na lombada - é Novelas do mundo, e não A arte da novela. No mais, é o que eu te falei. Acho que eu confundi com As novas mil e uma noites - editora Três, 1974, sem nome de tradutor - que, este sim, tem O clube dos suicidas e O diamante do rajá. Sorry!

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    3. Anônimo12.7.15

      Parabens!

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    4. Oi, Denise, referenciei este seu post aqui: http://marginalia.com.br/2016/04/17/as-ilustracoes-de-joao-fahrion-para-a-ilha-do-tesouro/

      Abraços.

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    5. Oi, Denise, embora você não faça levantamentos de publicações seriadas em revista, localizei outra tradução da Ilha do Tesouro, desta vez, na Eu Sei Tudo, entre 1929 e 1930: http://marginalia.com.br/2016/06/22/jim-o-pirata-amador-a-ilha-do-tesouro/

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    6. Angelo,
      penso ser possível "carimbar" a apresentação da Ilha do Tesouro no Tico-Tico como a primeira no Brasil

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    7. Olá, Denise. Alberto Diniz, tradutor da versão Galland das Mil e uma Noites pela Nova Fronteira, existe? Além disso, por que existem edições de "luxo" tão descuidadas como essa, e como a da Ilíada de Carlos Alberto Nunes, cheias de erros de pontuação e ortografia? Se alguém revisa, quem revisa? Chega até a parecer que edições antigas são bem mais cuidadas. E a introdução de Malba Tahan para essa edição parece tão mal escrita que daria para se pensar que foi feita pela própria editora para dar mais valor ao produto. O que pode dizer sobre elas?

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      1. olá, elaine, não sei dizer. essa tradução do alberto diniz, seja quem for ele, tem mais de cinquenta anos no brasil (saiu pela edigraf em 1965, já com o prefácio do malba tahan [júlio césar de mello e souza). não sei se é baseada na tradução portuguesa, e não tenho nenhuma indicação a respeito.

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