18 de jun de 2015

louisa may alcott no brasil I

a obra mais conhecida de louisa may alcott é little women. no brasil, teve várias traduções e inúmeras adaptações - as adaptações não incluirei neste levantamento. foi a primeira obra de alcott a ser publicada no brasil.

mas, antes de avançarmos, cabe notar um detalhe. little women foi originalmente publicada em 1868. devido ao grande e imediato sucesso, louisa logo a seguir escreveu a continuação, lançada em 1869, com o título de good wives (dado não pela autora, mas por seu editor na inglaterra). também fez sucesso. foi em 1880 que as duas partes, little women e good wives, foram reunidas como uma só obra, com o título geral de little women, parte I e parte II. mas, de modo geral, o que se publica no brasil corresponde apenas à parte I, isto é, a original little women de 1868. a única exceção, incluindo as duas partes, como veremos adiante, é a edição lançada pela ediouro.

eis, pois, a primeira alcott no brasil (como louise, em lugar de louisa
 - mas na página de rosto consta corretamente como louisa): 

Tradução de Eduardo Carvalho revista por Godofredo Rangel.
Coleção A Nova Biblioteca das Moças. Nacional, 1934



a partir de 1944, a nacional inclui a obra em sua coleção biblioteca das moças, 119, em dois volumes, de capas iguais. a tradução, porém, é submetida a extensa revisão, vindo a constar nos créditos "tradução revista por godofredo rangel". foi esta versão que acabou se consagrando em sucessivas reedições, desaparecendo qualquer menção a eduardo carvalho.
[atualização de 30/06/15: tais afirmações, feitas por inferência a partir das declarações equivocadas da editora musa em sua contracapa - ver abaixo -, não procedem. desde 1934, mulherzinhas foi publicada como "tradução revista por godofredo rangel". a tradução originalmente feita por eduardo carvalho, se é que de fato existiu, nunca veio à luz.]

 Tradução revista por Godofredo Rangel. Nacional, 1944

foi a editora musa que, em 1995, trouxe à tona o nome do tradutor inicial, eduardo carvalho, perdido nas brumas do tempo. na contracapa de sua edição da obra, a musa faz constar a seguinte informação:

[atualização em 30/6/15: incorreto - desde 1934, consta na página de créditos 
"Tradução revista por Godofredo Rangel", vide acima]

vale ainda informar que essa versão de rangel foi, em 2005, objeto de uma escancarada apropriação pela editora martin claret, que reproduziu o texto, atribuindo a tradução a um dos fantasmas da casa, "alex marins". essa fraude, muito infelizmente, continua em circulação, embaindo uma legião de leitores:


se a tradução de 1934, mesmo depois de revista por godofredo rangel, ainda continuava a soar com alguns vezos levemente arrebicados, imaginem-se as probabilidades de que qualquer ser, fantasmagórico ou não, consiga se sair com as mesmas soluções, vejam-se alguns exemplos:

1. rev. godofredo rangel
cap. VI, beth no palácio maravilhoso (nacional, 1969, p. 63):

A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.

2. "alex marins"
cap. VI, beth no palácio maravilhoso (martin claret, 2005, p. 70):

A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.

1. rev. godofredo rangel
cap. XIII, castelos no ar (nacional, 1969, p. 146):

Laurie embalava-se lentamente na rede em uma tarde cálida de setembro, perguntando-se o que seria feito de suas vizinhas, mas com preguiça suficiente para não ir saber notícias delas. Estava num de seus dias de mau humor; o dia fora-lhe inútil e aborrecido e bem quisera vivê-lo de novo. O calor tornara-o indolente; deixara de lado o estudo, apoquentara a mais não poder o sr. Brooke, aborrecera o avô, excitando-se em jogos grande parte do dia, assustara horrivelmente as criadas, fazendo-lhes crer, por maldade, que um dos cães ia ficar louco e, depois de dirigir palavras ásperas ao rapaz da estrebaria sob o pretexto imaginário de não ter tratado do seu cavalo, mergulhara finalmente na rede a pensar na estupidez do mundo até que, apesar de si próprio, o acalmara a placidez daquele belo dia.

2. "alex marins"
cap. XIII, castelos no ar (martin claret, 2005, p. 154):

A vasta casa era realmente um palácio maravilhoso embora precisasse de tempo para atingi-lo, pois Beth arreceava dos leões. O velho sr. Laurence era o maior de todos; depois, porém, de ter ele conversado - alguns gracejos ou palavras atenciosas ditos a cada uma das moças, algumas recordações dos antigos tempos à mãe - ninguém mais o temia exceto a tímida Beth. O outro leão era o fato de serem pobres e Laurie rico, pois tornava-as acanhadas receber favores que não podiam retribuir. Após algum tempo, contudo, elas compreenderam que o velho as considerava como benfeitoras, não sabendo como demonstrar sua gratidão pela maternal bondade da sra. March, pela companhia jovial e conforto que encontrava naquela humilde casa; por isso, esqueceram-se logo de seu orgulho de pobres, trocando atenções sem se deter a pensar em quais eram as maiores.


veja a continuação aqui.


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