4 de abr de 2015

o velho e o mar II

prosseguindo a questão levantada no post anterior, o velho e o mar, aqui, marlova assef, a quem agradeço também pelas imagens, confirma que a edição da civilização brasileira de 1956 traz o início "melvilliano": "O velho chamava-se Santiago".




capa, 1956                                                                                           sobrecapa, 1956


interessante notar que se trata de um licenciamento da livros do brasil para a civilização. a edição portuguesa lançada pela livros do brasil não traz data de edição, mas no google books consta o ano de 1954, aqui.


vale notar que a livros do brasil publicou apenas uma edição da tradução de fernando de castro ferro, e já a partir de 1956 substituiu-a por outra tradução, da lavra de jorge de sena, em circulação até a data de hoje. a tradução licenciada para a civilização passou por revisão para adequá-la ao português brasileiro.



mas, neste caso, aquela minha hipótese de um dedinho do ênio silveira nesse inusitado começo, que levantei em o velho e o mar, parece não se sustentar. em licenciamento, não se costuma (nem se pode muito) mexer no texto, salvo para fins de estrita adaptação linguística. isso leva a indicar que a fonte daquela inspiração melvilliana foi no ultramar mesmo, e quiçá por gosto mesmo do próprio tradutor (por maior que seja minha dificuldade em ver alguma coerência e compatibilizar os dois partidos anteriormente apontados).

concluindo, um dado interessante: castro ferro veio a se radicar no brasil, imagino que por volta daquela mesma época. aqui fundou uma editora, a expressão e cultura, e continuou na atividade tradutória por muitos anos. encontra-se um artigo interessante seu, "o mundo selvagem dos livros", no jornal opinião, sobre sua experiência de editor no brasil, aqui.

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