7 de nov de 2014

josé maria machado "tradutor"

se, em 1945, a intenção da brasiliense ao usar o nome de jorge amado - com seu conhecimento e provavelmente até com seu vivo empenho militante - era atrair os leitores com seu já famoso timbre de esquerda; se, no decorrer dos anos 1970, a intenção da record ao usar o nome de nelson rodrigues - com seu conhecimento e sabidamente recebendo "um dinheirinho" por isso - era atrair os leitores com seu já famoso timbre de "pornografia", por outro lado o caso do clube do livro, usando desde 1946 até 1988 o nome de josé maria machado, era mais, digamos, básico: simples economia e conveniência.

josé maria machado, correligionário integralista de mário graciotti, o fundador e proprietário do clube do livro, consta como pretenso tradutor de:

1944 (1987), gustave flaubert, madame bovary
1945 (1988), edgar allan poe, histórias extraordinárias 
1946, oscar wilde, o retrato de dorian gray (“j. machado”)
1947 (1988), honoré de balzac, mulher de trinta anos
1948, emily brontë, o morro dos ventos uivantes
1951, robert louis stevenson, o médico e o monstro
1952, octave feuillet, romance de um jovem pobre
1952, george sand, o charco do diabo
1952, oscar wilde, de profundis e uma mulher sem importância
1952, alexandre dumas, um ano em florença*
1953, walter scott, ivanhoé
1954, mark twain, as aventuras de tom sawyer 
1954, charles dickens, oliver twist
1955, cyrano de bergerac, viagem aos impérios do sol e da lua
1955, flavia steno, apaixonadamente
1956, alexandre dumas, o colar de veludo 
1956, charles dickens, uma aventura de natal (com tito marcondes)
1956, jacques futrelle, a máquina pensante
1956, jonathan swift, as viagens de gulliver
1956, théophile de gautier, a paixão de militona
1956, edgar allan poe, thingum bob
1957, george sand, a pequena fadette
1957, herman melville, moby dick
1958, charlotte brontë, o professor 
1958, victor hugo, os miseráveis (condensada, 516 pp.)
1960, o quarto vermelho*
1961, alexandre dumas, a loura huberta 
1961, françois rabelais, o gigante gargântua
1961, mark twain, as aventuras de huckleberry finn
1962, fenimore cooper, o último dos moicanos
1963, e. p. oppenheim, a torre 
1963, ivã turgueniev, o passaporte
1963, oscar wilde, o jovem rei
1964, kassima, a tártara*
1965, prosper mérimée, a serpente
1968, summer lincoln, a cicatriz
1969, charles dickens, tempos difíceis
1969, leon tolstoi, o diabo branco
1972, walter scott, a última torre
1974, alexandre dumas, homem de guadalupe
1976, honoré de balzac, uma paixão no deserto (com augusto dantas)
1977, anne brontë, a preceptora
1983, honoré de balzac, o renegado


obs.: os dois primeiros e o quarto títulos saíram como tradução anônima - apenas em data posterior, assinalada entre parênteses, surge o nome de josé maria machado. já o retrato de dorian gray foi a primeira obra trazendo a menção "traduzido especialmente para o clube do livro", que depois se tornaria habitual na casa.

atualização em 4/5/15: os títulos assinalados com asterisco foram indicados por francisco costa.


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