15 de jun de 2014

o walter scott da h. garnier, I

um autor que vale a pena ser visto no catálogo da h. garnier é walter scott, autor favorito da casa. entre 1905 e 1911, a editora publicou nada menos que catorze volumes (com quinze romances) de scott em sua "collecção dos autores celebres da literatura extrangeira". foram eles:
ivanhoé: romance histórico (tradução anônima, 1905);
kenilworth (tradução anônima, 1906);
os puritanos da escócia (tradução anônima, 1906);
o talisman, ou, ricardo na palestina (tradução anônima, 1906);
waverley (tradução anônima, 1906);
quintino durward (trad. k. d’avellar, 1906);
a prisão d’edimburgo (trad. k. d’avellar, 1906);
a formoza donzella de perth: seguido d'o misanthropo, ou, o anão das pedras negras (1. trad. fauconpret, 2. anônima, 1907);*
o official de fortuna, ou, uma lenda de montrose (tradução anônima, 1908)
guy mannering, ou, o astrólogo (trad. k. d’avellar, 1908);
woodstock (trad. k. d’avellar, 1909);
o mosteiro (trad. k. d’avellar, 1910);
anna de geierstein, ou, a donzella do nevoeiro (trad. k. d’avellar, 1911);
os desposados: novella tirada da historia das cruzadas (trad. k. d’avellar, 1911).



já comentei em vários posts anteriores o problema de contrafações na h. garnier e, de passagem, mencionei a alta frequência com que aparece o nome de "k. d'avellar" ("k. de avelar" e até "r. d'avellar") como tradutor não só de scott, mas também de dickens, balzac e chateaubriand. o que me surpreendeu foi a absoluta falta de qualquer referência a esse nome em qualquer outra fonte que não fossem as edições da h. garnier (em boa parte reeditadas posteriormente pela livraria garnier).

aqui no caso das traduções de walter scott, o interessante é notar que seis delas haviam sido traduzidas entre os anos 1830 e os anos 1850 por caetano lopes de moura (médico baiano que morava em paris e era tradutor contratado pela aillaud para seu catálogo de obras em português, para exportação basicamente para o brasil, pela laemmert), a saber: o talismã ou o ricardo na palestina; os puritanos da escócia; quintino durward; o misantropo, ou o anão das pedras negras; waverley; a prisão de edimburgo. 

parece-me curioso que o título original the black dwarf tenha recebido idêntica tradução na h. garnier, o misanthropo, ou, o anão das pedras negras, ainda mais a tantas décadas e a tantos quilômetros de distância (é de se lembrar que caetano lopes de moura vivia na frança). além dele, temos um subtítulo muito parecido para os desposados na tradução anônima publicada pela portuguesa galhardo & irmãos, de 1837: primeira novella tirada da história das cruzadas. analogamente, a única tradução de ivanhoé que traz o subtítulo de romance histórico, de que tenho notícia, é a publicada pela guimarães libânio em 1901. é difícil crer que essas ocorrências não passem de meras coincidências.

a propósito, um resenhista comenta o lançamento de o talisman em 1906 em termos muito elogiosos, destacando o pleno domínio da prosa e um lavor literário que, a seu ver, não pertencia àquela época e que devia ser bastante anterior. vide na péssima digitalização da brasiliana, disponível aqui.

todos esses indícios levam a crer que poderia ser bastante interessante verificar a procedência das traduções de walter scott publicadas pela h. garnier, fosse anonimamente ou em nome desse misterioso "k. d'avellar".

aqui umas capinhas de época, inclusive das traduções de caetano lopes de moura (pena que não consegui imagem da página de rosto d'o misantropo, onde consta os subtítulo):








* no caso do volume da h. garnier que traz a formoza donzella de perth e o misanthropo, a coisa é tão bizarra que a tradução vem em nome do célebre tradutor francês de walter scott, auguste defauconpret.

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