31 de ago de 2013

contra o fim da história no país

sobre o malfadado projeto que pretende assassinar a historiografia no país, obrigando docentes e pesquisadores a portar carteirinha de historiador, eis minha posição na revista de história, aqui.

19 de ago de 2013

questões tradutórias

ivone benedetti escreve um belo artigo sobre sua "tradução de decameron: tônus e público", disponível aqui.


para um levantamento das traduções do decameron no brasil, ver aqui.

18 de ago de 2013

um belo artigo

bela homenagem de caetano veloso a paulo rónai, aqui.


mais uma sugestão de pesquisa

na seção de leitores do jornal opção, alguns meses atrás, eu tinha deixado um comentário sobre a matéria do jornal sobre o lançamento de rudin, aqui.

na edição desta semana, o jornal transcreveu o comentário em sua seção de cartas. de fato, creio que um levantamento e estudo sistemático da contribuição de imigrantes, refugiados e exilados ao desenvolvimento da tradução no brasil nos anos 1930 resultaria num rico painel.


Denise Bottmann
Muito bom o artigo “Editora lança notável romance de Tur­guêniev” (Jornal Opção 1960) e essa forma de resgatar a memória das traduções anteriores.

Elias Davidovich traduzia basicamente do espanhol e do francês. Sua tradução de Rudin saiu inicialmente em 1932, pela coleção Benjamin Costallata, pela carioca Flores & Mano. Trazia o título, aliás, bem à francesa: “Roudine”.

A tradução de Ivan Emiliano­vitch (de origens russas) é uma das primeiras no Brasil a ter sido feita diretamente do original. “Pais e Filhos” saiu inicialmente pela Edi­tora Cultura Brasileira, em 1935 (co­mo “Paes e Filhos”, pré-reforma ortográfica). A partir de 1941, pas­sou a ser publicada pela Livraria Martins.

Aliás, é muito interessante — e pouco conhecida ou estudada, creio eu — a contribuição de vá­rios imigrantes, exilados e refugiados como tradutores para aquele período de grande alavancagem do setor editorial, a partir dos anos 30: temos Elias Da­vi­do­­vich, Ivan Emiliano­vitch, Zo­ran Ninitch, Charlotte von Or­loff, Georges Selzoff, sem contar os posteriores, como Boris Sch­naiderman desde o comecinho dos anos 40 (assinando como Boris Solomonov) e Paulo Rónai.

Mas, de fato, o que me chama mais a atenção são esses tradutores dos anos 30 — creio que, dentre eles, apenas Elias Davidovich veio a se tornar mais conhecido no setor, com um grande trabalho à frente das coleções Delta (obras completas de Freud, projeto que se iniciara nos anos 30, mas apenas nos anos 50 veio a cabo, com Davidovich, justamente), bem como na organização das obras completas (e tradução de algumas delas, mas indireta) de Stefan Zweig.
disponível aqui.



8 de ago de 2013

revisão da lda 9610/98, andamento

eis o mais recente andamento no projeto de revisão da lei 9610/98, que regulamenta os direitos autorais no brasil, disponível aqui:


agradeço o convite. meu compromisso perante todos os que nos têm acompanhado na defesa do ofício de tradução e de nosso patrimônio tradutório é procurar contribuir para a flexibilização do acesso às obras órfãs e abandonadas, bem como para a preservação dos direitos dos tradutores em contratação para obras de encomenda.

contra o sequestro da reflexão histórica

sou historiadora formada pela universidade federal do paraná e com pós-graduação no departamento de história da unicamp.

a despeito disso - ou, mais provavelmente, por causa disso - sou visceralmente contrária ao projeto de lei 4699/2012, em fase final de aprovação na câmara, dispondo sobre a profissão de historiador.

eis a íntegra do projeto:

PROJETO DE LEI 4699/2012
Regulamenta a profissão de historiador e dá outras providências.


CONGRESSO NACIONAL decreta:
Art. 1º Esta Lei regulamenta a profissão de historiador, estabelece os requisitos para o exercício da atividade profissional e determina o registro em órgão competente.
Art. 2º É livre o exercício da atividade profissional de historiador, desde que atendidas às qualificações e exigências estabelecidas nesta Lei.
Art. 3º O exercício da profissão de historiador, em todo o território nacional, é privativa dos portadores de:
I – diploma de curso superior em História, expedido por instituição regular de ensino;
II – diploma de curso superior em História, expedido por instituição estrangeira e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação;
III – diploma de mestrado, ou doutorado, em História, expedido por instituição regular de ensino superior, ou por instituição estrangeira e revalidado no Brasil, de acordo com a legislação.
Art. 4º São atribuições dos historiadores:
I – magistério da disciplina de História nos estabelecimentos de ensino fundamental, médio e superior;
II – organização de informações para publicações, exposições e eventos sobre temas de História;
III – planejamento, organização, implantação e direção de serviços de pesquisa histórica;
IV – assessoramento, organização, implantação e direção de serviços de documentação e informação histórica;
V – assessoramento voltado à avaliação e seleção de documentos, para fins de preservação;
VI – elaboração de pareceres, relatórios, planos, projetos, laudos e trabalhos sobre temas históricos.
Art. 5º Para o provimento e exercício de cargos, funções ou empregos de historiador, é obrigatória a apresentação de diploma nos termos do art. 3º desta Lei.
Art. 6º As entidades que prestam serviços em História manterão, em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços, historiadores legalmente habilitados.
Art. 7º O exercício da profissão de historiador requer prévio registro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego do local onde o profissional irá atuar.
Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Senado Federal, em 9 de novembro de 2012.
Senador José Sarney
Presidente do Senado Federal

fica evidente pelos artigos 3 e 4 que este decreto, em sendo aprovado e entrando em vigor, significará um golpe mortal na produção e disseminação do conhecimento histórico, ao reservar privativamente para os portadores de diploma superior em história até mesmo a elaboração de projetos e trabalhos sobre temas históricos!

como "história" é sempre "história de" ou "história sobre" alguém ou alguma coisa, inúmeros historiadores da arte, da física, da literatura, da economia e dos mais variados campos de conhecimento têm se insurgido contra essa tentativa de asfixiamento de suas áreas de trabalho. em plano mais geral, é a própria capacidade de reflexão histórica sobre o mundo que se vê tolhida, por interesses que só se podem qualificar de corporativistas.

os historiadores da arte colocaram no ar um abaixo-assinado solicitando a imediata revisão do projeto 4699/2012, disponível aqui. leia, assine, divulgue.

acompanhe o debate e conheça outras manifestações no blog Profissionalização do Historiador, mantido pelo historiador das ciências roberto martins.


6 de ago de 2013

lima barreto para a flip 2014, suplemento pernambuco

ilustração de karina freitas

um belo artigo de josé luiz passos, "o que vale mais que um busto", disponível aqui.

2 de ago de 2013

lima barreto para a flip 2014, jornal rascunho

yasmin taketani deu duas simpáticas notas sobre nossa proposta de que lima barreto seja escolhido como o autor homenageado na flip 2014. saíram na seção "vidraça", do jornal rascunho, disponível aqui. transcrevo: 

Lima para todos 1
Poucos dias depois da Flip 2013, surgiu nas redes sociais uma campanha para que a Festa Literária de Paraty homenageie Lima Barreto em sua próxima edição. Ela foi levantada com um comentário na internet pela jornalista Josélia Aguiar, ao qual se seguiu uma ampla mobilização por simpatizantes da causa. O blog Não gosto de plágio, da tradutora Denise Bottmann, reuniu exatas mil e uma assinaturas em prol do autor de Clara dos Anjos, já entregues à organização da Flip. Nomes como Bráulio Tavares, Cristovão Tezza, Luiz Costa Lima e Paulo Henriques Britto constam da lista de apoiadores que desejam que o autor seja mais lido e discutido.
Lima para todos 2
Entre os diversos motivos para que Lima Barreto, entre tantos outros grandes escritores brasileiros, seja o homenageado do evento em 2014, Josélia Aguiar levanta uma questão interessante: “Como ele está em domínio público, é ao mesmo tempo de todas e de nenhuma editora com exclusividade, encontrando-se assim numa condição comercial bem curiosa. Pode ser baixado e lido gratuitamente”.

o tardio ingresso de jekyll e hyde

pelo precioso levantamento de ana júlia perrotti-garcia sobre as traduções de dr. jekyll and mr. hyde no brasil, disponível aqui, temos que as primeiras saem nos anos 50 e 60 (p. 55).

em 1951 temos uma edição pelo clube do livro, em "tradução especial de josé maria machado". é sabido que tais "traduções especiais" do clube do livro não passavam de contrafação de traduções portuguesas, que a editora atribuía ao fiel colaborador da casa. não me sinto muito propensa a considerá-la como uma tradução de direito próprio, e talvez valesse a pena cotejá-la com traduções portuguesas anteriores.

perrotti-garcia nos refere a seguir a tradução de humberto pires, publicada na "série terror" da gertum/tecnoprint, sem data. não seria difícil confirmar a data de publicação, mesmo porque humberto pires, ao que me parece, ainda é vivo. de todo modo, o formato é mais de revistinha de banca de jornal do que propriamente de livro.

isso nos leva ao próximo item de seu levantamento, a tradução de nair lacerda, pela saraiva, em 1960. estou francamente propensa a considerá-la como a primeira tradução brasileira do clássico de stevenson. note-se como elemento interessante a data tão tardia, ainda mais se se considerar que stevenson já era bastante conhecido no brasil desde os anos 1920, e com uma explosão de lançamentos de outras obras suas entre os anos 30 e 40.



atualização: a pesquisadora avisa que dispõe de outras duas edições ainda não inteiramente identificadas. por ora, são estes os dados disponíveis.

1 de ago de 2013

jekyll and hyde no brasil

o último número da revista tradterm, da usp, traz um levantamento muito meticuloso e interessante das traduções e adaptações de dr. jekyll and mr. hyde, publicadas no brasil até 2010, realizado por ana júlia perrotti-garcia. disponível aqui.

a propósito, vale ler o luminoso artigo de ivo barroso sobre o autor, "o estranho caso do dr. stevenson", aqui.

ilustração de hulme beaman para a edição da dodd mead, 1930

como minúscula contribuição à bela pesquisa de perrotti-garcia, vale lembrar que o filme de john s. robertson, dr. jekyll and mr. hyde, de 1920, já em novembro do mesmo ano estreava em nossos cinemas com o título o médico e o monstro. o filme de rouben mamoulian, de 1931, lançado no brasil em 1932 com o mesmo título, certamente também contribuiu para consagrar seu uso entre nós.