18 de ago de 2013

mais uma sugestão de pesquisa

na seção de leitores do jornal opção, alguns meses atrás, eu tinha deixado um comentário sobre a matéria do jornal sobre o lançamento de rudin, aqui.

na edição desta semana, o jornal transcreveu o comentário em sua seção de cartas. de fato, creio que um levantamento e estudo sistemático da contribuição de imigrantes, refugiados e exilados ao desenvolvimento da tradução no brasil nos anos 1930 resultaria num rico painel.


Denise Bottmann
Muito bom o artigo “Editora lança notável romance de Tur­guêniev” (Jornal Opção 1960) e essa forma de resgatar a memória das traduções anteriores.

Elias Davidovich traduzia basicamente do espanhol e do francês. Sua tradução de Rudin saiu inicialmente em 1932, pela coleção Benjamin Costallata, pela carioca Flores & Mano. Trazia o título, aliás, bem à francesa: “Roudine”.

A tradução de Ivan Emiliano­vitch (de origens russas) é uma das primeiras no Brasil a ter sido feita diretamente do original. “Pais e Filhos” saiu inicialmente pela Edi­tora Cultura Brasileira, em 1935 (co­mo “Paes e Filhos”, pré-reforma ortográfica). A partir de 1941, pas­sou a ser publicada pela Livraria Martins.

Aliás, é muito interessante — e pouco conhecida ou estudada, creio eu — a contribuição de vá­rios imigrantes, exilados e refugiados como tradutores para aquele período de grande alavancagem do setor editorial, a partir dos anos 30: temos Elias Da­vi­do­­vich, Ivan Emiliano­vitch, Zo­ran Ninitch, Charlotte von Or­loff, Georges Selzoff, sem contar os posteriores, como Boris Sch­naiderman desde o comecinho dos anos 40 (assinando como Boris Solomonov) e Paulo Rónai.

Mas, de fato, o que me chama mais a atenção são esses tradutores dos anos 30 — creio que, dentre eles, apenas Elias Davidovich veio a se tornar mais conhecido no setor, com um grande trabalho à frente das coleções Delta (obras completas de Freud, projeto que se iniciara nos anos 30, mas apenas nos anos 50 veio a cabo, com Davidovich, justamente), bem como na organização das obras completas (e tradução de algumas delas, mas indireta) de Stefan Zweig.
disponível aqui.



2 comentários:

  1. Grato, Denise! Excelente tradutora e historiadora, muito busquei esta edição, você a encontrou! Notável pesquisadora! abraços do Sílvio Medeiros.

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