22 de mar de 2013

zoran ninitch, III

zoran ninitch veio a traduzir para o croata a principal obra de azuela, los de abajo, por intermédio de alfonso reyes, então diplomata no brasil.

reyes escreve a azuela:


pelo "checoeslovaco" de reyes entenda-se, naturalmente, "iugoslavo". azuela responde:


provavelmente zoran ninitch pediu a alfonso reyes que escrevesse - ou este mesmo teria se prontificado a escrever - um prólogo apresentando a obra de mariano azuela ao público iugoslavo. assim, escreve ele a reyes:


e em 23 de setembro do mesmo ano, prossegue:


alfonso reyes parece não ter se manifestado muito. nesse meio tempo, não só o romance los de abajo já saíra serializado no jornal zagrebino, como, ao que parece, reyes acabara por se abster do prometido prólogo, pois o que sai como introdução à obra é um texto do próprio nanitch:

fonte: arturo azuela, prisma de mariano azuela. méxico: plaza y valdés, 2002. p. 323. (onde está "coman", leia-se "roman") 

seguindo o epistolário, somente em 1934, de volta ao méxico, reyes retoma o assunto com azuela. a essas alturas, reyes já está se referindo à tradução brasileira de los de abajo, publicada pela machado & ninitch. as negociações para a tradução e publicação no brasil certamente devem ter se dado por via direta entre ninitch e azuela. na retomada da correspondência, diz reyes:

fonte para a correspondência reyes/azuela: mariano azuela, epistolario y archivo. méxico: unam, 1969. pp. 29-31.

achei interessante que tenha sido reyes, que era praticamente uma celebridade intelectual e social na época, a intermediar o o contato entre o colega de letras mais idoso e menos famoso e o modesto imigrante croata tradutor. até parece sugerir uma remota e imaginária república das letras.

acompanhe esse esboço de crônica histórica:

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