22 de mar de 2013

zoran ninitch, II

retomo o precário perfil de zoran ninitch que venho tentando montar. a primeira parte está aqui.

I.
quanto a versões do português para o croata feitas por ninitch, tenho notícia de três. a primeira delas é o romance de paulo setúbal, a marquesa de santos (1925), que foi publicada no zagreb em 1927 como uma espécie de madame pompadour brasileira:

Autor:Setubal, Paulo, 1893-1937.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Markeza de Santos (Brazilska Pompadourka)
Imprenta:Zagreb [Yugo-Eslavia] 1927. 
Descrição física:256 p. ilus.
Notas:Registro Pré-MARC
Assuntos:Santos, Domitila de Castro Canto e Mello marquesa de, 1797-1867 - Romances, novelas, contos.clique aqui para ver as obras sob este assunto no Catálogo de Autoridades de Assuntos
Pedro I, imperador do Brasil, 1798-1834 - Romance, novelas, contos.clique aqui para ver as obras sob este assunto no Catálogo de Autoridades de Assuntos 
Entradas secundárias:Ninitch, Zoran, trad.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
B869.3
Indicação do Catálogo:B869.3/S495ma8 

não tenho nenhuma informação concreta sobre as condições em que essa obra foi traduzida. mas uma hipótese que eu não excluiria totalmente é a de que essa versão foi anterior ao exílio de ninitch, e teria sido feita quando ele ainda vivia na iugoslávia. atualização: anulada esta hipótese; descubro que zoran ninitch chegou ao brasil em 1924. morando aqui, manteve-se como colaborador da imprensa croata por muitos anos.

uma curiosidade é que outro exilado e pequeno editor-tradutor, georges selzoff, de quem tenho tratado aqui, também teria feito uma versão d'a marquesa de santos para sua língua materna. é o que - porém sem maiores referências nem menção às fontes - afirma fernando jorge em seu livro vida, obra e época de paulo setúbal, um homem de alma ardente, pela geração editorial, 2003, à p. 172.


II.
zoran ninitch também fez a versão de inocência para o croata, publicada em 1925:

fonte: maria lídia lichtscheidl, o visconde de taunay e os fios da memória. são paulo: ed. unesp, 2006. p. 297.


III.
o outro texto vertido para o iugoslavo foi los de abajo (1915), de mariano azuela, um relato de suas experiências como médico de campo durante a revolução mexicana, ao lado de pancho villa, que saiu serializado no principal jornal croata, o liberal obzor ("horizonte"):

fonte: obras completas de mariano azuela, méxico: fondo de cultura económica, 1960. p. 1298.

a serialização de oni sa dna foi antecedida por um artigo de ninitch, provavelmente para situar a obra de azuela e sua participação na revolução:

fonte: arturo azuela, prisma de mariano azuela. méxico: plaza y valdés, 2002. p. 323.
(onde está "coman", leia-se "roman")

vale lembrar que, no ano seguinte, a machado & ninitch editores publica a tradução brasileira dessa obra de azuela, feita por aurélio pinheiro, com o título de os rebelados, como já indicado em zoran ninitch, I. é curioso notar que é uma das poucas edições da machado & ninitch a especificar "tradução autorizada".

sobre as "piratarias" de ninitch, falaremos depois. o que quero apontar agora é que muito provavelmente azuela cedeu a zoran ninitch e sua editora o direito de tradução e publicação de los de abajo no brasil na esteira da publicação da obra na iugoslávia. é uma crônica interessante, à qual dedicarei o próximo post.


IV.
há ainda menções esparsas a uma versão sua de iracema de josé de alencar. porém, não encontrei dados bibliográficos nem maiores corroborações. (note-se de passagem que deu à filha o nome de iracema.)

(continua aqui)

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