21 de mar de 2013

zoran ninitch, I

correio de s.paulo, 19 de fevereiro de 1935, aqui
(na matéria, o sobrenome está grafado corretamente)

das referências que nos restaram do sérvio zoran ninitch estabelecido no brasil, o que se consegue reconstituir é um retrato muito incompleto e um tanto bizarro. nascido em 1896, poliglota, conhecedor de mais de uma dúzia de línguas, filatelista, tradutor, editor, apresentando-se com o título de advogado doutor, dizendo-se amigo pessoal do rei alexandre da iugoslávia, dado ora como transtornado mental, ora como farsante pela polícia brasileira, tido como foragido pela embaixada iugoslava no brasil, suposto criador de imaginários sequestros de sua própria pessoa, no último deles réu confesso em conivência com a esposa, várias passagens por várias editoras em poucos anos, divulgador de stefan zweig e sigmund freud no brasil, merecedor de palavras de apoio de freud em carta pessoal ao médico e psicanalista gastão pereira da silva, introdutor entre nós da primeira tradução de uma obra de charles darwin e uma dentre as primeiras traduções de thomas mann, autor de um breve estudo histórico e geográfico da bósnia e herzegovina, bem como de um opúsculo sobre as origens árabes da palavra "saudade"...

zoran ninitch teve uma efemeríssima editora, com menos de um ano de existência, em sociedade com um tal constantino de souza machado, aparentemente com antecedentes de estelionato: a machado & ninitch limitada, no rio de janeiro. a empresa se forma em 1933, tem seu contrato social arquivado na junta comercial carioca em julho de 1934, em setembro do mesmo ano tem-se a solicitação e deferimento do registro da firma, com um capital de vinte contos de réis, sita à rua dos inválidos, n. 65, no rio de janeiro. o distrato da firma se deu em janeiro de 1935, retirando-se machado com onze contos de reís e permanecendo ninitch com o passivo e ativo da firma, com doze contos. nos dois meses seguintes, zoran ninitch se envolve num misterioso caso de sequestro, ao final revelado como farsa. mas fiquemos com a editora.

entre as edições da machado & ninitch temos, todas de 1934:
  • um dos primeiros thomas mann em livro no brasil: mario e o mágico, em tradução de ninitch; 
  • de stefan zweig, ocaso de um coração. o volume inclui mystério da rua sem luar, ambos em tradução de ninitch; 
  • os rebelados, romance da revolução mexicana, de mariano azuela, em tradução de aurélio pinheiro; 
  • um dos primeiros freud, pensamentos sobre guerra e morte o múltiplo interesse da psicanálise
  • de otto rank, a figura de don juan na tradição: estudo psicanalítico, em tradução de aurélio pinheiro; 
  • de mihály babits, o filho de virgilio timár, em tradução de ninitch;
  • de ignacio raposo, a questão social na antiguidade e cristianismo e trabalho (reed. pela panamericana nos anos 40);
  • migalhas, de iveta ribeiro, nome que adquiriu certa fama no espiritismo brasileiro;
  • céu e inferno, de luis carlos júnior



cf. obras completas de mariano azuela, méxico, fondo de cultura económica, 1960. p. 1298.
(nas referências, leia-se "Trad. de Aurelio Pinheiro, Machado & Ninitch etc.")



Autor:Mihály, Babits.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:O filho de Virgilio Timár.
Imprenta:Rio de Janeiro, Machado & Ninitch [1934] 
Descrição física:166 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Entradas secundárias:Ninitch, Zorah, trad.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
894.5113
Indicação do Catálogo:894.5113/M639f7 



Autor:Carlos Junior, Luis.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Ceu e inferno (Reedição)
Imprenta:Rio de Janeiro & Ninitch, 1934. 
Descrição física:166 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
B869.8
Indicação do Catálogo:B869.8/C284c/1934 

isso quanto à atividade de ninitch como editor. dos outros aspectos tratarei mais à frente.
(continua aqui)

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