26 de mar de 2013

um mann meio estropiado

fico pensando: em 1943, já tínhamos no brasil mario e o mágico (1934), morte em veneza (1934), tonio kröger (1934), o pensamento vivo de schopenhauer (1940), os buddenbrook (1942), este último já marcando o início de um trabalho de fôlego continuado na globo. ou seja, nada que parecesse indicar conjuntura propícia para uma aventura tola - e no entanto é esta a impressão que me dá a montanha mágica publicada pela editora panamericana (epasa) em 1943. a tradução vem em nome de um otto silveira, sobre quem não encontrei nenhuma outra referência, seja antes, durante ou depois dessa edição.


se o lançamento passou praticamente despercebido nas seções culturais ou bibliográficas dos jornais e das revistas literárias, causa alguma espécie a frequência com que aparecia na seção de classificados do jornal do brasil ou d'a noite, entre anúncios de charretes, colchões, tratamentos de blenorragia, sabonetes contra axilose, máquinas de carpintaria.





mário luiz frungillo, aliás, atenta ao fato de que essa tradução de otto silveira pela panamericana "suprime algumas partes, como o capítulo 'Abundância de harmonia', deixando incompreensível por que Hans Castorp desaparece de nossas vistas cantando 'A tília' de Schubert".


apesar de uma alardeada 2a. edição, nunca mais se volta a ter notícia dessa publicação um tanto esdrúxula da panamericana.

decorrerão quase dez anos até termos uma nova tradução, esta sim respeitável: a de herbert caro, pela globo, em 1952, em circulação até hoje.

5 comentários:

  1. Caríssima Denise, esse foi um de seus posts que mais curti, uma vez que A MONTANHA MÁGICA é o romance que eu mais amo. O único reparo é ao modesto adjetivo que você deu à tradução de Herbert Caro, "respeitável". É um trabalho exemplar e magnífico.
    Obrigadíssimo.

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  2. haha, alfredo, tem toda razão! seja dito em minha defesa que o epíteto que há muitos anos dou a caro é "o mestre da modéstia" - talvez o modesto adjetivo seja uma canhestra tentativa de emulação ;-)

    sim, é de fato um trabalho maravilhoso.

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  3. Ao menos a capa da edição da EPASA é bonita! Estou com a primeira edição em minhas mãos....

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  4. Comprei ontem um exemplar dessa tradução por R$ 10,00, achando que estava fazendo um grande negócio. Meu objetivo era ter um auxílio na leitura do original alemão, mas parece que não vai rolar.

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    1. bom, pelo menos como curiosidade histórica vale, daniel :-)

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