11 de mar de 2013

scott fitzgerald no brasil

scott fitzgerald (1896-1940) é um sucesso no brasil. raros são os autores com parte tão grande de sua obra completa traduzida entre nós. o favorito é the great gatsby (1925), com nada menos que quatro traduções brasileiras em quase cinquenta anos, 1962 a 2011.*

* atualização: disparou para oito, com nada menos que quatro traduções lançadas em 2013, na esteira do filme com leonardo di caprio.



mas comecemos pelo começo. aparentemente, scott fitzgerald se apresenta ao público brasileiro em 1945, no volume os norte-americanos: antigos e modernos, com o conto "uma curta viagem para casa", editora leitura, em tradução de elizer burlá para o conto "a short trip home" (1927, publicado na coletânea taps at reveille, 1935).

foto aqui





em 1958, sai o conto "na sua idade" ("at your age", 1929) em maravilhas do conto norte americano, sem crédito de tradução, como soía fazer a cultrix em sua coleção de maravilhas, catando aqui e ali traduções de outras editoras e publicando-as sem dó nem piedade (e nem créditos ou fontes).






entre nós, é a civilização brasileira a editora que mais publicou fitzgerald: seus cinco romances, além de dois volumes de contos e textos autobiográficos, bem como alguns contos em seus magazines literários.


não sei dizer qual é o primeiro romance de fitzgerald que chega ao público brasileiro, pois em 1962 a civilização brasileira lança três romances dele de uma só enfiada! se alguém se interessar mais a fundo, não deve ser muito difícil descobrir. mas suponhamos que tenha sido o grande gatsby na tradução de brenno silveira, a mais constantemente reeditada e licenciada entre nós até hoje.

ao lado, a capinha horrorosa da primeira edição - mas no fundo bem mais fiel ao livro do que outras que sugerem muito glamour.






no mesmo ano, também em tradução de brenno silveira, pela civilização brasileira, sai este lado do paraíso (this side of paradise, 1920)










no mesmo ano, também em tradução de brenno silveira, pela civilização brasileira, sai a coletânea 6 contos da era do jazz. trata-se da coletânea montada pela filha de fitzgerald, six tales of the jazz age and other stories (1960).

será relançado em 2009 pela josé olympio com o título de o curioso caso de benjamin button e outras histórias da era do jazz.






em 1963 temos belos e malditos em tradução de waltensir dutra, também pela civilização brasileira.










no ano seguinte, a civilização lança suave é a noite, em tradução de  ligia junqueira.

essa tradução será ridiculamente garfada e adulterada pela editora nova cultural, que desde 1995 lança-a em nome de um espectral "enrico corvisieri". sobre essa criminosa palhaçada, veja aqui.

 
                                       fraude de "enrico corvisieri"



em 1967, temos o último magnata, sempre pela civilização brasileira, em tradução de roberto pontual.










também em 1967, sai "retorno a babilônia" em livro de cabeceira do homem, ano I, volume 2, pela civilização. não sei quem foi o tradutor.









em 1968, sai o o livro de cabeceira da mulher, ano II, volume 7, com "a última das beldades". não sei de quem é a tradução. sempre pela civilização.










em 1969, temos o livro de cabeceira da mulher, ano III, volume 9, com "as costas do camelo". imagino que seja a tradução de brenno silveira, que saíra nos contos da era do jazz.









também em 1969, sai a derrocada e outros contos e textos autobiográficos em tradução de álvaro cabral, pela civilização.










sem data, mas calculo por volta de 1975, sai "a dança", in antologia macabra, em tradução de bárbara heliodora e newton goldman, pela nova fronteira.










em 1979, teremos estranhos embora íntimos e outros contos inéditos, com tradução de clarita de mello motta, também pela nova fronteira.









em 1980, temos pedaços de paraíso - contos inéditos de f. scott e zelda fitzgerald, de zelda e scott, na tradução de  ruy castro, pela livraria cultura editora (e, no mesmo ano, também pelo círculo do livro).

encontrei uma referência a uma edição de 1973 dessa mesma tradução, mas não consegui corroboração.






em 2001, sai "financiando finnegan" em os 100 melhores contos de humor da literatura universal, pela ediouro.








também em 2001, temos contos de scott fitzgerald, com tradução de mario de luna, leda maia e marcelo filardi ferreira, pela casa jorge. que pena que não consegui imagem de capa.



no mesmo ano, sai também pela casa jorge a tradução de marcos santarrita para suave é a noite.


em 2002, temos "a dança" em os 100 melhores contos de crime e mistério da literatura universal, com tradução de alves moreira, pela ediouro.










em 2003, sai uma nova tradução d'este lado do paraíso, por carlos eugênio marcondes de moura, pela cosac naify.








também em 2003, sai uma nova tradução d' o grande gatsby, por roberto muggiati, pela record, reeditada pela bestbolso em 2007.*










em 2004, sai a coletânea 24 contos, em tradução de ruy castro, pela companhia das letras. a relação dos contos pode ser vista aqui.









ainda em 2004, a l&pm lança a tradução de william lagos para o grande gatsby, também relançada em sua coleção pocket em 2011.*










no ano seguinte, a companhia das letras publica querido scott, querida zelda, em tradução de beth vieira.











em 2006, sai o diamante do tamanho do ritz e outros contos. além do "diamante", são "bernice corta o cabelo" e "o palácio de gelo", com tradução de cássia zanon e william lagos, pela l&pm.








em 2006, sai a tradução de carlos eugênio marcondes de moura para o último magnata, também pela l&pm.










em 2007, uma nova tradução d'os belos e malditos, agora de roberto grey, também pela l&pm.










ainda em 2007, pela l&pm, sai crack-up - o colapso, em tradução de rosaura eichenberg.









em 2011, sai grande gatsby, em tradução de vanessa bárbara, pela penguin/ companhia das letras.









* atualização em 15/3/13: agradeço a alfredo monte pela indicação das datas desses lançamentos. ver aqui sua resenha o vale das cinzas.

atualização em 18 e 24/5/2013: neste ano há mais quatro traduções de o grande gatsby, num frenesi que só consigo explicar pelo sucesso do galã leonardo di caprio na nova refilmagem de the great gatsby, lançada no começo de 2013 - aliás, é o que fica evidente nas três capas/sobrecapas praticamente idênticas dessas novas edições!

essas edições de 2013 são pela leya, em tradução de alice klesck; pela tordesilhas, em tradução de cristina cupertino; pela landmark, em tradução de vera silvia camargo guarnieri; pela geração editorial, em tradução anunciada de clara averbuck e edição prometida para maio, mas afinal adiada para o começo de junho e outro tradutor (humberto guedes).



atualização em 26/5/13: matéria n'o globo sobre essa enxurrada de novas traduções, aqui.
atualização em 01/06/13: afinal, humberto guedes e william lagos são a mesma pessoa; ver aqui.

atualização em 02/07/15:

em 2013, temos pileques, drinques e outras bebedeiras, em tradução de donald garschagen, pela editora má companhia.

"o colapso", em quatro novelas e um conto, org. e trad. de tomaz tadeu, na coleção mimo da autêntica.

o último magnata, em tradução de christian schwartz, pela pinguein/companhia

algum conto em leituras de escritor, de ana maria machado, pela S.M., em 1992

algum conto em arte e letra: estória l, 2011



13 comentários:

  1. bom este blogue, gostei! ;)

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  2. Oi, Denise, a tradução do Gatsby, feita pelo Mugiatti, saiu na verdade em 2004, na coleção "Grandes traduções" da Record. Resenhei-a na época para A TRIBUNA de Santos. Abraço, Alfredo.

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  3. E se eu não estou enganado, a de William Lagos, saiu também em 2004, pois andei comparando a dele e a de Roberto Mugiatti, quando escrevi a resenha, pois até então só tínhamos a hiper-reeditada versão de Brenno Silveira.

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  4. que legal, alfredo - me bati para encontrar a data de lançamento da do william lagos e não tinha conseguido. obrigada mais uma vez.

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  5. Oi, Denise, estava revisitando esta sua pesquisa para saber quantos Gatsbys existiam no Brasil, já que estou relendo o romance, e após fazer uma revista em casa do que eu tinha de Fitzgerald, achei um exemplar de uma edição do Círculo do Livro com a contrafação que o (suposto) Enrico Corvisieri fez da tradução legítima de "Suave é a noite". Tinha ficado com tanta raiva ao constatar o plágio que obliterei da minha mente essa compra malfadada. Abração.

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  6. Anônimo9.6.13

    Oi, Denise
    Após ver o filme estrelado por Di Caprio fiquei com muito interesse em ler o livro O Grande Gatsby, mas estou com dúvida sobre qual tradução escolher. Já li a respeito das traduções em alguns blogs mas não consigo decidir. Seria demais se eu lhe perguntasse qual tradução, na sua opinião, ficou mais próxima da original?

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  7. olá, anônimo: aqui estão apenas listadas as várias traduções, não significa que eu as tenha lido todas :-) pessoalmente, gosto muito da de brenno silveira, talvez por me lembrar a juventude, quando li fitzgerald pela primeira vez.

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  8. Anônimo12.9.13

    cara um blog como este era tudo o que eu precisa, muito bom o seu trabalho

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  9. Muito obrigado pelo belíssimo trabalho de pesquisa!! Vários títulos do fitzgerald que eu nem sabia que existiam. Um abraço!

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  10. olá, denise!

    você saberia me dizer se em alguma dessas traduções de contos, ou em uma coletânea, saiu alguma tradução do conto "benediction". esse conto saiu em formato de livro pela primeira vez em flappers & philosophers de 1920. não sei se foi traduzido alguma vez em português -- nem no brasil ou em portugal.

    grande abraço

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  11. oi denise!

    você saberia me dizer se em alguma dessas edições de contos e coletâneas saiu alguma tradução do conto "benediction"? esse conto é parte do flappers & philosophers, de 1920. não sei se saiu nem no brasil e nem em portugal.

    grande abraço!

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