10 de dez de 2012

relançamento de escola de tradutores e texto de ivo barroso


aliás, falando no paulo rónai detetor de malandrices de tradução (ver o caso de sérgio milliet aqui), acaba de sair uma nova edição de escola de tradutores, onde o trecho pertinente à garfada de milliet está à p. 101. aliás, essa nova edição pela josé olympio traz texto de orelha por ninguém menos que ivo barroso!

transcrevo:

Se hoje a tradução é motivo, entre nós, de estudos e debates, uma boa parte dessa seriedade em encarar o assunto se deve à postura e aos escritos do professor Paulo Rónai que, desde os anos 1950, nos veio edificando com obras fundamentais sobre a arte de traduzir, embora escritas numa linguagem corrente, sem o pedantismo dos compêndios didáticos e universitários.
Entre seus opúsculos de divulgação, avulta-se, sem dúvida, este Escola de tradutores que, lançado inicialmente em 1952, alcançou inúmeras edições ao longo do tempo, aprimorado com precisas revisões e a adição de novos capítulos. A presente edição da José Olympio traz aos leitores – tanto àqueles que têm na tradução o objeto de seu trabalho intelectual, quanto aos que intentam ilustrar-se nos meandros dessa atividade primordial – os fundamentos da arte de traduzir, não só hauridos nos mais prestigiosos comentaristas do gênero como nos ensinamentos que lhe advieram de suas próprias vivências. Paulo Rónai comenta aqui os paradigmas da tradução literária vis-à-vis à técnica, analisa exemplos de traduções de um mesmo texto elaboradas por tradutores diversos, apontando-lhes os acertos, os distanciamentos e mesmo as imprecisões. Seu estudo sobre as versões de um poema de Carlos Drummond de Andrade (“José”), apresentado em três línguas distintas (francês, alemão e inglês), permite-lhe abordar as sutilezas envolvidas na tradução poética e como os tradutores conseguiram escapar de certas armadilhas linguísticas e se adequar aos rigores da métrica.
Os ensinamentos de Paulo Rónai – como os que se encontram neste livro – concorreram para uma conscientização entre nós da importância do tradutor, seja adquirida pelo próprio, seja no que diz respeito aos agenciadores de seu trabalho, os editores. Os profissionais que se formaram nos ditames da escola de Rónai hoje encaram sua atividade com uma responsabilidade de quase autor,  procurando por isso enfronhar-se o mais profundamente possível no sentido da obra e nas qualidades estilísticas de quem a escreveu. Os próprios leitores se preocupam agora em saber quem se incumbiu da tradução do livro que adquirem, certos de que um nome de abalizada capacidade representa um passaporte para a qualidade do produto adquirido. E os editores cada vez mais procuram selecionar e adequar seus colaboradores, cientes de que eles deixaram de ser os anônimos do passado para se tornarem um selo de qualidade do que expõem nas livrarias.
Ivo Barroso
tradutor 
4ª capa
Os ensinamentos de Paulo Rónai – como os que se encontram neste livro – concorreram para uma conscientização entre nós da importância do tradutor, seja adquirida pelo próprio, seja no que diz respeito aos agenciadores de seu trabalho, os editores.
Ivo Barroso

15 comentários:

  1. Nossa, que ótima notícia, Denise! E pensar que eu mandei xerocar esse livro porque não encontrava... vou aproveitar a Feira de Livros da USP essa semana pra comprá-lo =)

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  2. legal, né, elise? também achei super!

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  3. Anônimo10.12.12

    Denise,

    Recentemente descobri seu blog e fiquei bastante impressionado com as denúncias aqui feitas. Revisei minha biblioteca pessoal e percebi que vários dos meus exemplares foram citados ou pertecem a editoras aqui citadas fato que me causou bastante tristeza.
    Frente a nova constação, estou bastante interessado em recompor meu catálogo com edições de tradutores confiáveis, em especial para livros clássicos e/ou de filosofia. Você poderia recomendar uma lista com tradutores confiáveis e especialistas nos autores clássicos?
    Desde já agradeço pela ajuda.

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  4. olá, prezado anônimo: é muito difícil atender a essa solicitação, por uma razão muito simples - não conheço todas as edições. minhas pesquisas, mesmo sendo exaustivas, são bibliográficas. leio e me inteiro detalhadamente do conteúdo apenas quando aparecem casos suspeitos de fraude. por isso minhas recomendações são (anti)recomendações. em todo caso, na área de filosofia, algumas editoras são muito confiáveis, como a vozes, a perspectiva, as editoras universitárias de modo geral - ou, no caso de nietzsche, as traduções de paulo césar souza.

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  5. Anônimo10.12.12

    Denise,

    Muito obrigado. Já havia lido a respeito do trabalho do Paulo César Souza, inclusive em uma nova tradução de Freud direto do Alemão. Vou procurar as editoras citadas por você e talvez frequentar mais as feiras de livros universitários. De qualquer forma muito obrigado pela ajuda e continue seu trabalho com o mesmo empenho, você faz um verdadeiro serviço público.

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  6. obrigada e disponha; no que estiver a meu alcance, será um prazer.

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  7. Anônimo10.12.12

    dneise, no mesmo sentido do comentario anterior, existe uma lista de tradutores consagrados para certos temas?

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  8. sim, no caso de alguns autores ou temas, sim. de cabeça agora não me ocorre, pois meus neurônios já foram dormir, mas amanhã dou outros exemplos.

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  9. Anônimo11.12.12

    muito obrigado, aguardaremos o post.

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  10. oh, não, não será um post, sorry, apenas alguns exemplos que deixarei aqui na caixa de comentários, pode ser?

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  11. Jacózinho de Higienópolis - "O indiferenciado"11.12.12

    Querida Denise,

    obrigado por seu grande trabalho como tradutora.

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  12. obrigada, jacozinho - na verdade sinto-me mais como cronista e divulgadora ;-)

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  13. prezado anônimo: algumas associações entre autores e tradutores que me ocorrem são herbert caro com thomas mann, modesto carone com kafka, bento prado jr. com alguns clássicos da filosofia, como sartre e descartes. a antiga coleção d'os pensadores da abril traz ali excelentes traduções de pessoal muito gabaritado.

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  14. acrescento Bárbara Heliodora, com Shakespeare.

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  15. siiiiiiim, claro, henrique, obrigada! neste sentido, lembro também o carlos alberto nunes

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