1 de dez de 2012

que são jerô nos proteja

li no indispensável blog de ivo barroso, a gaveta do ivo, que milton lins, o implacável átila das letras traduzidas, galardoado pela abl em 2010 com o prêmio odorico mendes (odorico, odorico, já conseguiste te recuperar de tão brutal choque no repouso de tua tumba?) por suas devastações tradutórias, ataca novamente os pobres mortais indefesos, desta vez com Prefácio para as obras completas de Charles Baudelaire, de théophile gautier, pela editora bagaço. oh céus, o que nos aguarda nessa nova investida?


sobre a irrefreável compulsão à chacina literária demonstrada por milton lins ao longo dos anos e sua ascensão aos céus tradutórios da academia brasileira das letras pelas mãos do imortal marcos vilaça, seu conterrâneo e então presidente da casa, com um empurrãozinho do imortal ivan junqueira e a conivência de carlos nejar e evanildo bechara, no maior escárnio a nosso digno ofício de que se tem notícia na história da tradução no brasil, veja aqui.

em tempo: continuo a defender o direito de qualquer um traduzir qualquer coisa de qualquer jeito que quiser em sua esfera privada. o que não defendo - pelo contrário, repudio e tanto mais vivamente depois do coroamento da abl - é que, sabe-se lá por qual gosto malicioso e perverso, se escarneça publicamente e tão ofensivamente dos autores, de nosso ofício e dos leitores.

3 comentários:

  1. Jesus do céu. Eu não acompanhei a polêmica de 2010 e, agora, lendo tudo o que foi relatado, estou em choque. Como pode algo tão bizarro ser considerado uma boa tradução??? Os imortais devem estar loucos.

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  2. pois é, elaine, horrível a história, não? uma pouca vergonha da abl em dar o prêmio, uma desfaçatez de milton lins em aceitá-lo - é como se o resto do mundo, autores, tradutores, leitores, simplesmente não existisse e eles não tivessem de dar satisfação a ninguém de seus atos. chega a ser criminoso, em vista do papel da abl no cenário nacional, por ridicularizado que seja.

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  3. Denise:
    Há muito a "velha senhora" já não se dá ao respeito, como diria minha avó. Não só dão prêmio a um tradutor (sic) pífio e alucinado, mas também aceitam jornalistas que não escreveram uma linha de literatura.
    Não sei se é um caso claro de senilidade ou simplesmente cinismo, mesmo. Ainda que seja justo defender um dos parcos prêmios de tradução desse país, como levar a sério uma instituição que chega aos dias de hoje oferecendo um abjeto espetáculo de auto-escárnio.

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