30 de nov de 2012

traduções de les travailleurs de la mer

ainda sobre les travailleurs de la mer, de victor hugo: júnia barreto, em seu luminoso artigo sobre "traições editoriais: os trabalhadores do mar, de victor hugo a machado de assis", disponível aqui, comenta que existiria mais de uma dezena de traduções brasileiras da obra.
Les misérables é o título que ganhou o maior número de traduções brasileiras (cerca de vinte), seguido por Notre-Dame de Paris e Les travailleurs de la mer (mais de uma dezena, cada um), e por último Quatrevingt-treize (em torno de sete). [p. 86]
fiquei curiosa em saber quem foram seus tradutores, além de machado de assis. segue-se o que localizei.

I. traduções






a tradução de machado de assis, que tinha saído serializada em 1866, foi publicada em livro pela typographia perseverança no mesmo ano. ao lado, um exemplar encadernado dessa edição de 1866, disponível na brasiliana.usp.









ela tem sido exaustivamente reeditada no século e meio decorrido desde então: pongetti, tecnoprint/ ediouro, francisco alves, abril cultural, círculo do livro, nova cultural, nova alexandria (e até pela martin claret com os devidos créditos de tradução). aqui algumas capinhas:



depois da tradução de machado de assis, sai outra tradução com o título de os homens do mar, em 1925, pela companhia graphico-editora monteiro lobato. segundo o levantamento do iel/ unicamp, aqui, a tradução teria sido feita pelo próprio monteiro lobato, mas não ponho muito minha mão no fogo quanto a isso.





essa tradução foi reeditada em 1933, em dois volumes, pela sociedade impressora paulista, em sua "colecção econômica". sai também em 1936 ss. pela civilização brasileira, selo da nacional, que passou a abrigar a "colecção econômica sip" (sociedade impressora paulista).






aí, em 1952 vem a w. m. jackson com uma de suas espertezas. em certa época, a jackson gostava bastante de pegar traduções alheias sem dar os créditos e publicá-las como "tradução revista" pela equipe da casa. fiel à sua praxe, publicou uma tradução anônima, que teve algumas reedições posteriores na mesma casa:


Autor:Hugo, Victor,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1802-1885.
Título original:Les travailleurs de la mer.Portugues
Título / Barra de autoria:Os trabalhadores do mar / Vitor Hugo ; [traducao revista e adaptada para esta colecao pelo Departamento Editorial de W. M. Jackson Inc.]. -
Imprenta:Sao Paulo : W. M. Jackson, 1952. 
Descrição física:408p. ; 20cm. -
Série:(Grandes romances universais ; v.17)
Notas:Traducao de: Les travailleurs de la mer.
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:VI-431,1,19 
Sigla do Acervo:DRG


em 1957, a editora das américas (edameris) lança obras completas de victor hugo, em 44 volumes. a tradução os trabalhadores do mar ficou a cargo de oscar paes leme. a obra foi dividida em dois tomos, o primeiro no vol. 14, o segundo no vol. 15. essa tradução de oscar paes leme se restringiu, até onde consegui apurar, à própria edameris.


II. adaptações

quanto a adaptações, há algumas. mas um dos problemas das adaptações é que raramente avisam se foram feitas diretamente a partir do original (quase nunca) ou de uma tradução integral previamente existente (quase sempre - e aí não se costuma creditá-la). sobre isso, ver aqui. em todo caso, seguem algumas adaptações de les travailleurs de la mer:




uma bem fininha, com cerca de oitenta páginas, na coleção "edição para a juventude" da editora minerva, em 1951, feita por terra de senna (pseudônimo do jornalista, escritor, chargista e ilustrador lauro carmeliano pereira nunes ou, como era mais conhecido, lauro nunes). aqui na capa de 1953








outra pela minerva, em 1957, na coleção "mundo infantil", vol. 4, um pouco mais extensa, com c. 120 páginas, feita por débora rodrigues. aqui na capa de 1962, pela coleção "tesouro de todos os tempos"









a adaptação de maria jacintha saiu inicialmente pela abril cultural, em 1973, na coleção "clássicos da literatura juvenil", com duzentas e poucas páginas. mais tarde foi reeditada pelo círculo do livro.









claro que não podia faltar uma daquelas adaptações meio espúrias do clube do livro: em 1946, temos os homens do mar, com c. 290 páginas, para variar sem créditos de tradução nem nada








III. concluindo

em suma, quanto a traduções brasileiras de les travailleurs de la mer, consegui localizar apenas quatro: duas com identificação incontestável, a de machado de assis e a de oscar paes leme; uma que acho que é anônima e foi talvez um tanto voluntaristamente atribuída a monteiro lobato, e uma contrafação anônima - aliás, essa tradução espúria da jackson até pode ser portuguesa; não sei, teria de verificar. receio que as demais traduções brasileiras a que alude júnia barreto tenham se esvaído pelo sorvedouro dos tempos: agradeceria muito se alguém tiver e puder me repassar maiores informações sobre elas.

quanto à identificação das traduções nas adaptações condensadas, quem sabe poderia constituir um bom tema para algum trabalho de conclusão de curso. fica dada a sugestão.

uma fonte muito útil para as diversas edições da obra é o levantamento de joana canêdo, aqui.

10 comentários:

  1. Oi, Denise,
    Cotejei o texto da W.M. Jackson: ela reproduz a tradução de Machado, com (poucas) alterações cosméticas: "Elementos de uma reputação má" em lugar de "Elementos de uma má reputação", por exemplo. Farei o cotejo com a tradução atribuída a Lobato. Desconfio de que é Machado adaptado. Te conto depois.
    abraço do Oséias

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  2. Ola, faltou o romance O Homem que rit.

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  3. Voces tem alguma noticia de traducao e plagio do romance O Homem que ri?
    Obrigado
    Abracos

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  4. Anônimo6.10.13

    A editora Cosac&Naify irá lançar a obra Trabalhadores do Mar, inclusive está na pré-venda, porém um detalhe chamou-me a atenção, na descrição do produto aparece: " O livro inclui capítulos não publicados na primeira edição brasileira, traduzidos pela poeta Marília Garcia,..." - Que capítulos são estes?

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  5. olá, prezado anônimo: que interessante! não sei dizer. se descobrir, aviso :-)

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  6. olha, comparei online a edição original e a brasileira, aparentemente todos os capítulos batem. seria o caso de ver com a cosac que capítulos seriam esses.

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  7. Tive vontade de comprar a edição da cosac, mas estava refletindo se seria uma boa ideia a tradução do Machado, houvi dizer que em suas traduções ele é quase um co-autor. É verdade?

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  8. chamar de co-autor é difícil :-) a tradução dele está disponível online. vale dar uma espiada, penso eu.

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  9. Querida Denise, não adianta, sempre que estou escrevendo meus textos (agora minha tese) me deparo com tuas valiosas informações. Pois é o Terra de Senna, é um caso interessante. Ele pegou todas as adaptações do Jansen e estragou - dizendo serem 'refundidas' - e depois de um tempo, as edições da Minerva e depois MCA omitem completamente o coitado do Jansen e deixam apenas o nome do Senna, que inclusive depois passa a figurar como um adaptador dessas obras, inclusive o meu Quixote: Reminiscências: a alegre roda da Colombo e algumas figuras do tempo de antigamente
    Bastos Tigre. Thesaurus Editora, 1992 - 249 páginas

    beijos e até loguinho

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  10. mais um dado a safadezas, silvia, que coisa!

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