30 de nov de 2012

tentando entender

às vezes, lendo alguma coisa, encontro passagens cujo sentido não me parece imediatamente claro e fico querendo entender melhor. por exemplo, leio no fundamental artigo de júnia barreto que vim comentando nos últimos posts:
Algumas das obras de Hugo receberam traduções e/ou reedições brasileiras neste início do século XXI, como os romances O último dia de um condenado (Estação Liberdade, 2002, trad.  de  Dominique Kalifa;* 2010, trad.  de Joana Canedo);  Notre-Dame de Paris (Estação Liberdade, 2011, trad.  de  Ana de Alencar e Marcelo Diniz),  O Corcunda de Notre-Dame (Ediouro, 2003, trad.  de Uliano Tevoniuc; Martin Claret, 2006, trad. de Jean Melville); Os trabalhadores do mar (Martin Claret, 2004, reedição da tradução de Machado de Assis); Os Miseráveis (Martin Claret, 2007, trad. de Regina Célia de Oliveira). Nesse levantamento, não foram consideradas as adaptações ou as edições paradidáticas. 
Entretanto, algumas das traduções atuais preservam parte das traduções feitas para as obras completas nos anos 1950, pelos tradutores Frederico Ozanam Pessoa de Barros (Os miseráveis) e Hilário Correia. Nesses casos, constata-se que tais traduções se prendem a transposições majoritariamente linguísticas e semânticas, comportando, muitas vezes, erros crassos de forma e/ou conteúdo e, por vezes, transfigurando o texto literário ou o próprio projeto do autor. [aqui, p. 86; negrito meu]
o que o trecho em negrito significa concretamente? 1. que a tradução de regina célia de oliveira, pela martin claret, reproduz trechos da tradução de ozanam? 2. como notre dame de paris é a única obra em comum entre as traduções de victor hugo feitas por hilário correia e as traduções atuais citadas por júnia barreto, deduzo que a autora se refere à tradução em nome de jean melville, pela martin claret. então isso significa que o corcunda de notre dame pela claret  tem trechos copiados da tradução de hilário correia pela edameris?

quanto ao item 2., não chega a surpreender, pois é fato sabido que todas as traduções atribuídas pela martin claret ao fictício "jean melville" são espúrias. de todo modo, é interessante a sugestão - se entendi corretamente o trecho citado - de que a fonte pelo menos parcial de mais essa contrafação da claret teria sido a tradução de hilário. agora, que a tradução d'os miseráveis feita por regina célia de oliveira "preserva parte" da tradução de ozanam - e repito: se é que entendi corretamente o trecho citado - me surpreendeu e, a meu ver, é uma afirmação, ainda que um tanto elíptica, que demandaria maiores esclarecimentos.

* estranhei um pouco a menção ao historiador francês dominique kalifa como tradutor d'o último dia de um condenado. até onde sei, a tradução dessa obra por joana canêdo saiu pela estação liberdade já em 2002.

atualização em 17/2/2013: joana canêdo avisa em comentário abaixo que os créditos de suas traduções foram corrigidos pela profa. júnia barreto em seu artigo supracitado.

22 comentários:

  1. Olá Denise, sim, você tem razão: a tradução de "O último dia de um condenado", pela Estação Liberdade, em 2002 (com reimpressões em 2004 e 2009) é minha mesmo. Não sei de onde pode ter saído o nome de Dominique Kalifa.
    Aliás, notei também no trabalho de Júnia Barreto que ela atribui a Ligia Cademartori a tradução de "A lenda do belo Pecopin..." pela Mercuryo Jovem. Essa tradução também é minha, publicada pela primeira vez em 2002 (e não em 2009) com diversas reimpressões até o ano passado. Ligia Cademartori fez a adaptação da tradução para o público infantil. (infelizmente essa minha tradução nunca foi publicada em sua íntegra).

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    1. Olá. Aproveitando a presença da própria tradutora (e, claro, se souber me ajudar, Denise), esta publicação da Estação Liberdade, do "O último dia de um condenado", é da obra completa?
      Grato!

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    2. imagino que sim, mas espero que a joana possa vir confirmar.

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    3. Olá Elias. Sim, é o texto completo, incluindo os dois prefácios de Victor Hugo, um de 1829, em forma de comédia, e outro de 1832.

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  2. olá, joana, obrigada pela informação! tenho certeza de que será muito proveitosa também para a articulista.
    aliás, é complicada essa história das adaptações: nomeia-se o adaptador, mas nunca ou quase nunca o tradutor do texto usado para a adaptação, a qual parece flutuar num vácuo inexplicável!

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  3. Recomenda Nossa Senhora de Paris, da Martins Editora, 1947 ? Possui boa tradução ?

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  4. No levantamento de Joana Canêdo consta "editora" no nome do tradutor de Nossa Senhora de Paris, da Livraria Martins, 1947. Será que a Joana Canêdo poderia explicar o sentido?

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  5. Eduardo,na realidade não tenho indicação da autoria da tradução para essa edição. Fiz o levantamento em 1998 e depois não voltei mais a ele.

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  6. Denise, a professora Junia Barreto corrigiu seu engano quanto aos créditos das minhas traduções em seu artigo da revista Traduzires. Obrigada pelas informaçoes que me levaram a entrar em contato com a autora.

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  7. olá, joana, que ótima notícia! pois às vezes esses artigos acabam virando referência. e que boa iniciativa a sua!

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  8. Fabiano8.5.14

    Oi, Denise!

    Você saberia dizer se a tradução de Les Miserables feita por Regina Célia de Oliveira é autêntica (e de boa qualidade)? Eu andei comparando o trabalho dela pela Martin Claret com a de Frederico Ozonam Pessoa de Barros pela Cosac Naify em um livraria e ambas me parecem distintas. Infelizmente, só pude comparar ambos por uma hora, tempo insuficiente para comparar uma obra de 1500 páginas.

    Eu gostaria de adquirir a versão da Clarin Manet pela qualidade da edição (capa dura, papel mais pesado, livro maior) já que este durará mais que a versão da Cosac Naify (capa mole, papel mais fino e edição quase de bolso). Apesar disso, prefiro uma tradução melhor e autêntica à uma edição simplesmente melhor impressa e encadernada.

    Obrigado e abraço,
    Fabiano

    P.S.: Eu tentei submeter este comentário antes, mas acho que meu navegador falhou na hora. Desculpe-me se receber dois comentários.

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  9. olá, fabiano: pois é, não sei dizer. é o que falei acima no post: a profa. júnia barreto, da unb apontou, no trecho que destaquei em negrito, essa "preservação" de parte da tradução de ozanam na dita nova tradução que saiu pela claret. teria de verificar. abraço, denise

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  10. Ola Denise, ganhei uma edição da Martin Claret tradusida por Regina Célia e gostaria de saber se você já tem um parecer mais detalhado sobre ela. Já tinha uma edição da Cosac mas como ainda não li essa obra quero fazê-lo pela melhor tradução, grato Rafael

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  11. pois é, rafael, acabei não me detendo mais sobre a questão.

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  12. Anônimo21.2.15

    Olá, Denise. Estou lendo "Os miseráveis" pela primeira vez. Resolvi adquirir duas versões: Claret (tradução de Regina Célia) e Cosac (Ozanam). Já estou por volta da página 300, e posso dizer que as duas traduções são bem diferentes. A da Regina Célia é mais simplista no vocabulário, porém mais explicativa que a do Ozanam. De fato, a Martin Claret está mudando tudo, e pra melhor. Eu comprei "O morro dos ventos uivantes", tradução de Solange Pinheiro, e nossa, o trabalho linguístico realizado nos diálogos de Joseph, incrível. Mas voltando ao VH, o prefácio é a única parte em que a tradução de Regina Célia é igual ao Ozanam. Não sei o porquê, mas ela não traduziu o prefácio, é idêntico ao do Ozanam, mas o resto é totalmente diferente.

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  13. olá, prezado anônimo, que ótima notícia, fico contente em saber! obrigada por avisar.

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  14. Anônimo22.12.15

    Ola Denise, você já tem um parecer,opinião sobre a tradução de os miseráveis pela Martin claret (capa dura, 1512 paginas) traduzida pela Regina Celia de OLiveira. Gostaria de saber se é realmente uma tradução boa, uma tradução fiel ao livro em francês, você sabe me dizer uma EXCELENTE/OTIMA traduçao em Francês e Inglês ? Uma tradução realmente boa

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  15. Anônimo25.12.15

    Olá, então... Estou em dúvidas quanto a aquisição da obra Os miseráveis. Vi alguns comentários sobre ambos, tanto a publicada pela Cosac Naify como a da Martin Claret, até agora não consegui me decidir e gostaria de uma opinião de quem leu as duas ou de alguém que poderia argumentar sobre a qualidade do trabalho para ajudar na decisão.

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  16. Paulo S. F. Lavareda24.1.16

    Só lí a tradução de Regina Célia de Oliveira. Gostei. Único comentário é sobre o jardim da Casa Plumet no capítulo sobre Foliis ac frondibus.
    Ela cita textualmente o jardim como de 1 arpent de área e observa que tal medida equivale a 50 ou 51 ares, dependendo da localidade. Logo após se refere ao jardim com área de 90m2.
    Tal área não comportaria o bosque ou quase floresta descrita pelo autor no jardim daquela casa.
    Por 1 arpent de área, VH estava se referindo ao arpent francês criado em 1669 e equivalente a 34,1887 ares, ou seja, 3.419m2, portanto, área perfeitamente razoável para com a descrição da profusão de árvores, espinheiros, trepadeiras, fibras, moitas, gavinhas, sarmentos, enfim, "mata colossal".
    Fora isso, satisfeitíssimo com o texto.

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  17. Paulo S. F. Lavareda24.1.16

    Gostei do texto traduzido pela Regina Célia de Oliveira de Les misérables..
    Somente 1 pequena observação:
    Quando VH cita o jardim da casa da rua Plumet como de área de 1 arpent a tradutora comenta ser esta medida equivalente a 50 ou 51 ares dependendo da localidade. Pois bem, VH deveria estar se referindo ao arpent parisiense, medida criada em 1669, equivalente a 34,1887 ares, ou seja, 3.419m2, mais condizente com a profusão da flora que lá se desenvolveu conforme o texto:"...a natureza estava de volta...ervas daninhas abundavam...a festa dos goivos era esplêndida...árvores...espingeiros...trepadeiras...musgos,; troncos, ramos, folhas, fibras, moitas, gavinhas, sarmentos, espinhos...aquele jardim não era jardim; era uma mata colossal".
    Assim, sugiro esta alteração numa próxima edição ao invés dos 90m2 de jardim citado no capítulo Foliis ac frondibus.
    Fora esta observação gostei muito da tradução e das notas de rodapé.

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  18. Anônimo23.9.16

    Aprecio bastante a obra de Victor Hugo, e acho que seus livros merecem traduções modernas e originais, sobretudo, peças de teatro tais como: Marion Delorme, Maria Tudor, Hêrnani, Ruy Blas.
    Precisamos também de alguns estudos hugoanos publicados em português, pois atualmente só dispomos de dois publicados no Brasil, são eles:Victor Hugo - disseminações, de Júnia Barreto e A tentação do impossível: Victor Hugo e Os Miseráveis, de Mário Vargas Llosa (Trad. Ari Roitman e Paulina Watch) Infelizmente ainda não os conheço. Outro título que precisa ser relançado é Júlia ou A Nova Heloísa, de Jean-Jacques Rousseau, a última tradução desta é de Fúlvia Moretto, e data de 1993. Já o procurei para comprar, mas está esgotados nas livrarias.

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