a grafia varia um pouco: pushkin, puskine, puchkin, puchkine, puschkin. atualmente, com a normatização da transposição fonética, consagrou-se o uso de púchkin. segue a primeira parte do levantamento, até a década de 1950.
I.
parece que o primeiro púchkin entre nós saiu pela livraria do globo em 1933: a filha do capitão, em tradução de paulo corrêa lopes.
II.
depois, em 1935, a civilização brasileira (que então era um selo da companhia editora nacional) publicou águia negra, em sua coleção econômica sip, vol. 32:
ainda não descobri o autor da tradução. como há um exemplar desta obra em nosso acervo na biblioteca nacional, solicitei a gentileza de verificarem se há e qual é o nome do tradutor:*
| Autor: | Pushkin, Aleksandr Sergcevich, 1799-1837.![]() |
| Título / Barra de autoria: | Águia negra. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Civilização brasileira, 1935. |
| Descrição física: | 288 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Classificação Dewey: Edição: | 891.73 |
| Indicação do Catálogo: | II-368,1,21 |
III.
em 1937, sai pela pongetti uma coletânea com águia negra, a dama de espadas e um tiro. a tradução é de cira neri. abaixo capa e página de rosto da edição de 1943.

"a dama de espadas" é relançada pela pongetti em 1961 numa coletânea chamada 3 novelas russas.
IV.
em 1944, sai pela companhia editora leitura a coletânea os russos: antigos e modernos, com organização de rubem braga e supervisão de graciliano ramos. o volume traz dois contos de púchkin, "a dama de espadas", em tradução de dias da costa, e "o chefe de posta", em tradução de aníbal machado.
essa coletânea é reeditada nos meados dos anos 70 pela ediouro (então edições de ouro), com o título de o livro de ouro dos contos russos, e agora em 2004 com o título de contos russos: os clássicos:
V.
também em 1944, a vecchi lança os mais belos contos russos dos mais famosos autores. na imprenta constam vários tradutores e ainda não descobri qual o conto de púchkin incluído na coletânea. há também uma segunda série da coletânea:
Va.
ainda em 1944, há notícias de uma antologia chamada os colossos do conto da velha e da nova rússia, pela editora mundo latino, com tradução de frederico reys coutinho. na edição da vecchi, acima, um dos tradutores mencionados na imprenta é justamente reys coutinho. seria o caso de compulsar os dois volumes, para verificar o conteúdo. não localizei imagem de capa dos colossos, apenas sua ficha catalográfica em nosso acervo nacional:
| Título / Barra de autoria: | Os colossos do conto da velha e da nova Russia. |
| Imprenta: | Rio de Janeiro, Ed. Mundo latino [1944] |
| Descrição física: | 468 p. |
| Notas: | Registro Pré-MARC |
| Entradas secundárias: | Pushkin, Aleksandr Sergievich, 1799-1837.![]() Coutinho, Frederico dos Reys. trad. |
| Classificação Dewey: Edição: | 891.73082 |
| Indicação do Catálogo: | II-323,3,16 |
VI.
em 1945, álvaro moreyra lança sua tradução d'a dama de espadas pela brasilia aeterna, aliás com tiragem especial em 1944 para a confraria de bibliófilos brasileiros cattleya alba, numa edição numerada de luxo, com capa de seda, impressão em papel de seda e ilustrações de martha schidrowitz feitas a mão:

note-se de passagem o triste destino terá essa tradução sessenta anos depois: foi apropriada pela martin claret, que a partir de 2006 passou a se apresentar como a detentora dos direitos sobre ela, coisa da qual duvido muito e faço pouco. veja aqui.
VII.
em 1949, a mesma vecchi publica águia negra em tradução de boris solomonov, que era o pseudônimo semipatronímico que boris schnaiderman adotava em suas traduções daquela época.
VIII.
ainda em 1949, a vecchi publica a filha do capitão, também em tradução de boris solomonov:
essa tradução será reeditada inúmeras vezes ao longo das décadas - com o encerramento da vecchi, seu catálogo passou para a tecnoprint (futura ediouro). acrescida de prefácio de otto maria carpeaux, sai na década de 1970 pela edições de ouro, em sua coleção "universidade", e em 1996 pela coleção "clássicos de bolso" da ediouro.
VII/ VIII
tanto águia negra quanto a filha do capitão pela vecchi saíram em sua coleção "os maiores êxitos da tela". vale lembrar o enorme sucesso dos filmes aquila nera (1946), de riccardo freda, e la figlia del capitano (1947), de mario camerini:
IX.
em 1951, temos "o tiro" no segundo volume de mar de histórias, em organização e tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai:
X.
em 1957, sai "o turbilhão de neve" na antologia maravilhas do conto russo, pela cultrix. a seleção ficou a cargo de um implausível "serge ivanovitch" e "traduções revistas por t. booker washington". já comentei várias vezes aqui no blog a doideira que era essa coleção das maravilhas da cultrix, com suas constantes "traduções revistas" pelo quase ubíquo "t. booker washington": a prática da editora, na verdade, consistia essencialmente em respigar aqui e ali contos já publicados em outras editoras, brasileiras e portuguesas, e republicá-los sem dar fontes nem créditos.
XI.
em quadrinhos:
em 1956, a ebal lança a filha do capitão em sua coleção "romances ilustrados", vol. 18:
e também em 1956 a abril, então em seus primórdios, publica 10 histórias de púshkin em sua coleção "romances célebres". pena que não consegui imagem de capa.
* atualização em 22/11/2012: hoje recebi a resposta da dinf/bn à minha consulta: não, não consta nenhuma menção ao tradutor nesta edição de águia negra pela civilização.



















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O que eu gosto de ver são certas capas, deliciosamente kitsch, como a da Filha do Capitão da Ebal. O leitor juvenil que eu fui tem até saudades.
ResponderExcluirhaha, de fato, algumas são preciosas! e nem precisa ser em quadrinhos. a vecchi se esmerava, a nacional também! por isso, tendo imagens das edições em capa dura e em brochura, dou sempre preferência a publicar as das brochuras, que são - algumas - fantásticas!
ResponderExcluirOlá Denise, deixo aqui o link para a única crítica que encontrei sobre a tradução de Dário Moreira de Castro Alves para o Eugênio Oniéguin. O autor da crítica é também tradutor das obras de Púchkin.
ResponderExcluirhttp://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/imprimir.php?c=180012
Carlos Baboni
carlos, obrigada. na época do lançamento, lembro-me de ter visto uma infeliz resenha na folha de s.paulo, acho que da naomi jaffé, que achei até um pouco assim... por não reconhecer sequer com o mais remoto entusiasmo o valor da iniciativa.
ResponderExcluirOi, Denise: essa resenha pra folha de são paulo foi feita pelo Nelson Ascher, e eu me lembro de ter tido a mesma impressão que tu tiveste: uma coisa um pouco assim... Olha só um trecho: "No que diz respeito à qualidade poética do resultado, porém, há muito o que discutir. Convém, todavia, observar que são poucas as línguas que contam com uma tradução realmente notável dessa obra: o inglês e o alemão só o conseguiram depois de várias tentativas, no correr de décadas. A presente versão é a primeira, mas ainda não a "primeira grande"." Que coisa, não? Um abraço.
ResponderExcluiré... o tal fácil falar, são todos tão os grandes juízes do juízo final que dá até medo. e pensar no amor, na dedicação do cara que fez, que dó. acho assim, tipo, no mínimo um pouco insensível e indelicado. e falta de entender também como as coisas rolam, como as pessoas são, o que é a vida: quero tudo o mais belo e perfeito, do contrário serei implacável com meu contundente crivo crítico. suspiro...
Excluirmesmo que foi o nelson ascher? esperaria mais dele ;-)
tinha a falha lembrança de ser naomi jaffé, e aí atribuí a ligeireza a alguma imaturidade, algo assim, meio inofensivo e compreensível. mas nelson ascher, me admirei!
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