9 de nov de 2012

púchkin no brasil, I

inspirada pela medalha púchkin com que paulo bezerra foi recentemente agraciado, fiquei curiosa em ver o que há de púchkin entre nós.

a grafia varia um pouco: pushkin, puskine, puchkin, puchkine, puschkin. atualmente, com a normatização da transposição fonética, consagrou-se o uso de púchkin. segue a primeira parte do levantamento, até a década de 1950.

I.
parece que o primeiro púchkin entre nós saiu pela livraria do globo em 1933: a filha do capitão, em tradução de paulo corrêa lopes.



II.
depois, em 1935, a civilização brasileira (que então era um selo da companhia editora nacional) publicou águia negra, em sua coleção econômica sip, vol. 32:


ainda não descobri o autor da tradução. como há um exemplar desta obra em nosso acervo na biblioteca nacional, solicitei a gentileza de verificarem se há e qual é o nome do tradutor:*

Autor:Pushkin, Aleksandr Sergcevich, 1799-1837.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Águia negra.
Imprenta:Rio de Janeiro, Civilização brasileira, 1935. 
Descrição física:288 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Classificação Dewey:
Edição:
891.73
Indicação do Catálogo:II-368,1,21 


III.
em 1937, sai pela pongetti uma coletânea com águia negra, a dama de espadas e um tiro. a tradução é de cira neri. abaixo capa e página de rosto da edição de 1943.






"a dama de espadas" é relançada pela pongetti em 1961 numa coletânea chamada 3 novelas russas.







IV.
em 1944, sai pela companhia editora leitura a coletânea os russos: antigos e modernos, com organização de rubem braga e supervisão de graciliano ramos. o volume traz dois contos de púchkin, "a dama de espadas", em tradução de dias da costa, e "o chefe de posta", em tradução de aníbal machado.


essa coletânea é reeditada nos meados dos anos 70 pela ediouro (então edições de ouro), com o título de o livro de ouro dos contos russos, e agora em 2004 com o título de contos russos: os clássicos: 



V.
também em 1944, a vecchi lança os mais belos contos russos dos mais famosos autores. na imprenta constam vários tradutores e ainda não descobri qual o conto de púchkin incluído na coletânea. há também uma segunda série da coletânea:


Va.
ainda em 1944, há notícias de uma antologia chamada os colossos do conto da velha e da nova rússia, pela editora mundo latino, com tradução de frederico reys coutinho. na edição da vecchi, acima, um dos tradutores mencionados na imprenta é justamente reys coutinho. seria o caso de compulsar os dois volumes, para verificar o conteúdo. não localizei imagem de capa dos colossos, apenas sua ficha catalográfica em nosso acervo nacional:

Título / Barra de autoria:Os colossos do conto da velha e da nova Russia.
Imprenta:Rio de Janeiro, Ed. Mundo latino [1944] 
Descrição física:468 p.
Notas:Registro Pré-MARC
Entradas secundárias:Pushkin, Aleksandr Sergievich, 1799-1837.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Coutinho, Frederico dos Reys. trad.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
891.73082
Indicação do Catálogo:II-323,3,16 


VI.
em 1945, álvaro moreyra lança sua tradução d'a dama de espadas pela brasilia aeterna, aliás com tiragem especial em 1944 para a confraria de bibliófilos brasileiros cattleya alba, numa edição numerada de luxo, com capa de seda e ilustrações de martha schidrowitz feitas a mão:





note-se de passagem o triste destino terá essa tradução sessenta anos depois: foi apropriada pela martin claret, que a partir de 2006 passou a se apresentar como a detentora dos direitos sobre ela, coisa da qual duvido muito e faço pouco. veja aqui.







VII.
em 1949, a mesma vecchi publica águia negra em tradução de boris solomonov, que era o pseudônimo semipatronímico que boris schnaiderman adotava em suas traduções daquela época.



VIII.
ainda em 1949, a vecchi publica a filha do capitão, também em tradução de boris solomonov: 


essa tradução será reeditada inúmeras vezes ao longo das décadas - com o encerramento da vecchi, seu catálogo passou para a tecnoprint (futura ediouro). acrescida de prefácio de otto maria carpeaux, sai na década de 1970 pela edições de ouro, em sua coleção "universidade", e em 1996 pela coleção "clássicos de bolso" da ediouro. 


VII/ VIII
tanto águia negra quanto a filha do capitão pela vecchi saíram em sua coleção "os maiores êxitos da tela". vale lembrar o enorme sucesso dos filmes aquila nera (1946), de riccardo freda, e la figlia del capitano (1947), de mario camerini:


IX.
em 1951, temos "o tiro" no segundo volume de mar de histórias, em organização e tradução de aurélio buarque de hollanda e paulo rónai:



X.
em 1957, sai "o turbilhão de neve" na antologia maravilhas do conto russo, pela cultrix. a seleção ficou a cargo de um implausível "serge ivanovitch" e "traduções revistas por t. booker washington". já comentei várias vezes aqui no blog a doideira que era essa coleção das maravilhas da cultrix, com suas constantes "traduções revistas" pelo quase ubíquo "t. booker washington": a prática da editora, na verdade, consistia essencialmente em respigar aqui e ali contos já publicados em outras editoras, brasileiras e portuguesas, e republicá-los sem dar fontes nem créditos. 




XI. 
em quadrinhos:
em 1956, a ebal lança a filha do capitão em sua coleção "romances ilustrados", vol. 18:



e também em 1956 a abril, então em seus primórdios, publica 10 histórias de púshkin em sua coleção "romances célebres". pena que não consegui imagem de capa.

* atualização em 22/11/2012: hoje recebi a resposta da dinf/bn à minha consulta: não, não consta nenhuma menção ao tradutor nesta edição de águia negra pela civilização.

7 comentários:

  1. O que eu gosto de ver são certas capas, deliciosamente kitsch, como a da Filha do Capitão da Ebal. O leitor juvenil que eu fui tem até saudades.

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  2. haha, de fato, algumas são preciosas! e nem precisa ser em quadrinhos. a vecchi se esmerava, a nacional também! por isso, tendo imagens das edições em capa dura e em brochura, dou sempre preferência a publicar as das brochuras, que são - algumas - fantásticas!

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  3. Anônimo12.5.13

    Olá Denise, deixo aqui o link para a única crítica que encontrei sobre a tradução de Dário Moreira de Castro Alves para o Eugênio Oniéguin. O autor da crítica é também tradutor das obras de Púchkin.

    http://gazetaweb.globo.com/gazetadealagoas/imprimir.php?c=180012

    Carlos Baboni

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  4. carlos, obrigada. na época do lançamento, lembro-me de ter visto uma infeliz resenha na folha de s.paulo, acho que da naomi jaffé, que achei até um pouco assim... por não reconhecer sequer com o mais remoto entusiasmo o valor da iniciativa.

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  5. Sérgio Karam23.8.13

    Oi, Denise: essa resenha pra folha de são paulo foi feita pelo Nelson Ascher, e eu me lembro de ter tido a mesma impressão que tu tiveste: uma coisa um pouco assim... Olha só um trecho: "No que diz respeito à qualidade poética do resultado, porém, há muito o que discutir. Convém, todavia, observar que são poucas as línguas que contam com uma tradução realmente notável dessa obra: o inglês e o alemão só o conseguiram depois de várias tentativas, no correr de décadas. A presente versão é a primeira, mas ainda não a "primeira grande"." Que coisa, não? Um abraço.

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    1. é... o tal fácil falar, são todos tão os grandes juízes do juízo final que dá até medo. e pensar no amor, na dedicação do cara que fez, que dó. acho assim, tipo, no mínimo um pouco insensível e indelicado. e falta de entender também como as coisas rolam, como as pessoas são, o que é a vida: quero tudo o mais belo e perfeito, do contrário serei implacável com meu contundente crivo crítico. suspiro...

      mesmo que foi o nelson ascher? esperaria mais dele ;-)

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    2. tinha a falha lembrança de ser naomi jaffé, e aí atribuí a ligeireza a alguma imaturidade, algo assim, meio inofensivo e compreensível. mas nelson ascher, me admirei!

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