29 de nov de 2012

borges/ bandeira

não sabia, achei interessante: ao que parece, o primeiro jorge luís borges que nos chegou, foi pelas mãos de manuel bandeira. é o poema un patio.
Un patio

Con la tarde
se cansaron los dos o tres colores del patio.
La gran franqueza de la luna llena
ya no entusiasma su habitual firmamento.
Hoy que está crespo el cielo
dirá la agorería que ha muerto un angelito.
Patio, cielo encauzado.
El patio es la ventana
por donde Dios mira las almas.
El patio es el declive
por el cual se derrama el cielo en la casa.
Serena
la eternidad espera en la encrucijada de estrellas.
Lindo es vivir en la amistad oscura
de un zaguán, de un alero y de un aljibe.
Pátio 
Com a tarde
Cansaram-se as duas ou três cores do pátio.
A grande franqueza da lua cheia
Já não entusiasma o seu habitual firmamento.
Hoje que o céu está frisado,
Dirá a crendice que morreu um anjinho.
Pátio, céu canalizado.
O pátio é a janela
Por onde Deus olha as almas.
O pátio é o declive
Por onde se derrama o céu na casa.
Serena
A eternidade espera na encruzilhada das estrelas.
Lindo é viver na amizade obscura
De um saguão, de uma aba de telhado e de uma cisterna.

haverá uma palestra sobre o tema na fundação casa de rui barbosa: ver aqui.


2 comentários:

  1. Houve um tempo em que acharam que o Bandeira tinha criado alguns versos a mais ao traduzir esse poema (o do anjinho seria um desses versos a mais). O mal-entendido se desfazia quando se pesquisava mais fundo e se descobria que o Borges, que vivia se revisando, tinha revisado esse poema - que teve outras duas versões (mais curtas) depois desta que o Bandeira traduziu, e que foi a primeiríssima. Como as edições de tradução nos anos 1940 não costumavam ser bilíngues, Bandeira não colocou o original ao lado de sua versão. O tempo passou, Bandeira nos deixou, e quase passou por ter cometido uma 'bella-infidelidad' com Borges. :)

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  2. sim, telma, muito bem lembrado! a versão que circula mais, se não me engano, é:

    Un patio

    Con la tarde
    se cansaron los dos o tres colores del patio.
    Esta noche, la luna, el claro círculo,
    no domina su espacio.
    Patio, cielo encauzado.
    El patio es el declive
    por el cual se derrama el cielo en la casa.
    Serena,
    la eternidad espera en la encrucijada de estrellas.
    Grato es vivir en la amistad oscura
    de un zaguán, de una parra y de un aljibe.

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