25 de out de 2012

zaratustra: da escala à lafonte

no final do ano passado, quando estava fazendo um levantamento das traduções de nietzsche no brasil, deparei-me com o zaratustra publicado pela editora escala, com tradução em nome de ciro mioranza, mas que não passava de uma transcrição levemente adulterada de uma tradução antiga. os links para esse caso estão agrupados aqui.

aí, everton marcos grison chamou minha atenção para uma outra edição de assim falava zaratustra, lançada agora em 2012. saiu na coleção "grandes clássicos da filosofia" da lafonte, selo do grupo editorial larousse do brasil (do qual também faz parte a editora escala educacional):


o atento everton notou uma bizarrice na edição e me enviou as imagens documentando o fato. trata-se do seguinte: a página de rosto traz os créditos de tradução em nome de ciro mioranza. até aí estamos no terreno do previsível - ainda que pairem dúvidas sobre a legitimidade dessa atribuição, como mostrei aqui e aqui, não chega a surpreender que o grupo larousse do brasil tenha reeditado pela lafonte a mesma suposta tradução de mioranza que saíra pela escala:


o que surpreende, e muito, é a discrepância que aparece na ficha catalográfica do mesmo livro, onde os créditos de tradução vêm atribuídos não mais a ciro mioranza, e sim a antonio carlos braga:


aí realmente fica complicado: afinal, que tradução é esta?

9 comentários:

  1. Será que não existem editoras honestas nessa país??? Em todo lugar vc vê uma falcatrua...Bottmann, não sei como vc não fica deprimida levantando todas essas coisas sobre plágio! Admiro vc!!

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  2. na verdade, fico deprimida, sim, e muito. em todo caso, se olhar bem, as malandras contumazes não são muitas; são até bem poucas (e algumas até desistiram das ishpertezas). o que tem é que essas poucas são meio abusadinhas demais da conta, não se contentam com uma fraudinha avulsa aqui e outra acolá: por isso acaba resultando nessa montoeira de falcatruas. mas fique tranquila: a maioria (a grande, a imensa maioria, diria eu) das editoras brasileiras não vai por esse rumo não.

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  3. Gostei do novo visual do blog, Denise. Me lembra algo cósmico e ao mesmo tempo solar saindo da escuridão do universo. Parabéns pelo bom gosto. Deu uma aura nova.

    Abração!

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  4. que simpático, fabrizio, obrigada! que bom que vc gostou :-)

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  5. O blog de Denise me instigou a um bom tempo atrás a "policiar" as senhoras editoras... Acaba sendo divertido descobrir estas falcatruas. Quando vi a primeira vez a bizarrice não fotografei. Ai o livro sumiu da livraria. Pensei que alguém tivesse reclamado e haviam retirado de circulação. Mas que nada. Estou eu, esta semana, alimentando minha ânsia por livros num tempo vago e surpreendentemente encontro novamente o livro em outra livraria. Enfim, isso deve ser encarado como denúncia, pois é ato criminoso o que algumas editoras fazem. Quem sabe este caso tenha sido uma confusão, mas que confusão... e além do mais Para resumir de modo gauchesco: "Um baita furo tchê"... O pior é que tem gente (por desatenção ou enganação mesmo) que compra estas aberrações e a coisa vai se disseminando. Livro barato não pode ser sinônimo de livro ruim.

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  6. ditto, grande everton: "Livro barato não pode ser sinônimo de livro ruim".

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  7. Anônimo10.6.13

    Quem alguma vez cometeu o erro de comprar os livros de Nietzsche pela escala, certamente sabe o qunto s~çao ruins as traduções. Tenho toda a obra de Nietzshe justamente pela escala, e todas traduzidas por esses dois senhores: Ciro Mioranza e Antonio Carlos Braga. Além das frases sem sentido e dos erros de português (e de digitação!), as traduções não são fiéis ao original. A genealogia da moral, traduzida por antonio carlos braga, é uma aberração; nem mesmo a disposição do parágrafos foi mantida. O mesmo em humano, demasiado humano e outras obras.

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  8. Anônimo22.10.13

    O livro é péssimo, a tradução é péssima (aliás, deve ter sido feita por um tradutor automotático! Nossa, nada dessa coleção presta.

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  9. Anônimo8.5.15

    Denise, qual tradução do Zaratustra você recomenda como a melhor?

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