no levantamento das traduções de dostoiévski no brasil, fiz um post específico sobre o/um jogador, aqui, e mencionei duas edições que me deram um baile:
V. esta é um mistério. mas está lá em nosso acervo na biblioteca nacional:e
Autor: Dostoievskii, Fedor Mikhailovich, 1821-1881. Título / Barra de autoria: O jogador. Imprenta: Rio, Ed. G. Carneiro [1953]. Descrição física: 132 p. Notas: Registro Pré-MARC
XIII. esta aqui é outro mistério. consegui apenas a imagem de capa; não localizei editora, ano, tradutor, nada. parece revistinha de banca de jornal.
alex informa que a editora é a gertum carneiro s/a, sem data nem crédito de tradução, e envia imagens preciosas:![]()
vendo-se a ficha catalográfica no acervo da biblioteca nacional, onde consta ed. g. carneiro, deduz-se que é a gertum carneiro. o uso de colchetes na data indica o ano de de integração ao acervo, não de publicação (neste caso, o ano vem dado diretamente, sem colchetes).
ou seja, o mistério V e o mistério XIII se esclarecem: trata-se da mesma edição d'o jogador pela gertum carneiro, c. 1953 (aí o circa é meu, indicando uma data limite).
mas quem era a gertum carneiro? nada menos que a atual ediouro, depois de passar pelos nomes de tecnoprint e edições de ouro.
a história é a seguinte: dois irmãos, antônio e jorge gertum carneiro, gaúchos, mudaram-se para o rio de janeiro, onde abriram em 1939 uma importadora de livros chamada publicações panamericanas. devido à guerra e às dificuldades de importação, a partir de 1940 passaram também a publicar obras, tanto brasileiras quanto traduzidas, com o nome de editora panamericana, sobretudo na área de literatura. a panamericana teve vida curta, até 1946, mais ou menos.
a partir de 1942, os dois irmãos e mais um sócio (fritz israel mannheimer) criam também a gertum carneiro, voltada basicamente para publicações técnicas na área de engenharia, mecânica, medicina etc.
se voltarmos ao post o/um jogador, lá encontraremos:
II. em 1943, otto schneider tem sua tradução publicada pela panamericana:
ora, como a panamericana e a gertum carneiro eram dos mesmos donos, parece-me mais do que provável que a tradução d'o jogador pela gertum dos anos 50 seja a de otto schneider pela panamericana dos anos 40, cuja imagem de capa é mostrada acima.
com isso, além de resolvidos os dois mistérios, temos boas indicações também sobre a provável data de edição e a probabilíssima autoria da tradução d'o jogador na coleção "livros de bolso" da gertum.






Caríssima Denise, mais ma vez você transforma quase que numa thriller, numa trama de suspense que nós seguimos, mesmerizados,o que seriam supostamente simples e singelas edições ao longo do tempo.
ResponderExcluirPor mim, você seria a inventora de gênero novo, que não exclui o noir (enquanto registro de sujeiras e mazelas): a aventura bibliográfica.
Obrigado, e um grande abraço.
haha, caro alfredo, adorei a caracterização! e obrigada pela generosidade!
ResponderExcluirDe fazer inveja a Holmes e Poirot! Concordo inteiramente com o Alfredo: nós acompanhamos vidrados suas narrativas desvendando esses mistérios editoriais e da tradução. E, como não posso cansar de dizer: os leitores sérios, a cultura brasileira e, por extensão, todos os cidadãos da nação te agradecem, Denise. Continue combatendo o seu grande bom combate que é o de todos nós. Por mim, você deveria ganhar uma medalha de nosso legislativo por serviços prestados a população.
ResponderExcluirForte abraço!
hahaha, vocês deixam meu sábado divertido com todas essas hipérboles! grazie mile :-)
ResponderExcluirCaro Fabrizio, é melhor que nossa admirável Denise continue anti-institucional, assim ficaremos melhor servidos, num território mais livre e arejado.
ResponderExcluirAproveito a oportunidade para pedir desculpas pelos erros de digitação (culpa de olhos cansados): um "ma" em vez de "uma"; "numa" (ops, num) thriller. Perdões, e um abraço para ambos.
Alfredo Monte
Você tem razão, Alfredo. O reconhecimento e agradecimento de muitos leitores e as mudanças que já estamos vendo no mercado editorial tem muito mais valor e verdade do que qualquer honraria institucional. Ah, foi bom você ter falado em erros de digitação porque eu também cometo. Mais é a pressa na hora de escrever e às vezes o sono quando escrevo de noite. Mas, creio que todo mundo percebe que são deslizes além de nossa vontade.
ResponderExcluirAbraços!
denise
ResponderExcluirem 72 saiu em formato de jornal
no JORNALIVRO
eu tenho esta ediçao
VENDIA EM BANCA
VEJA
http://www.ppgmidiaecotidiano.uff.br/ojs/index.php/Midecot/article/viewFile/95/93
opa, que legal, obrigada!
ExcluirVEJA
ResponderExcluirEspeciais - Coleção Jornalivro
Ramos, Graciliano. Insônia. Jornalivro. SP, s/d.
Assis, Machado. Contos. Jornalivro. SP, dez.1971.
Almeida, Antonio Manuel. Memória de um Sargento de Milícias. Jornalivro. nº 8. SP, ago.1972.
Queiros, Eça de. Contos. Jornalivro. nº 9. SP, set.1972.
Márques, Garcia. Contos. Jornalivro. nº 18.SP, fev.1973.
Gorki, Máximo. A mãe. Jornalivro. nº 17.SP, jan.1976.
Andrade, Mário. Frederico Paciência e outros contos. Jornalivro. SP, s/d.
Queiros, Eça de. A Relíquia. Jornalivro. SP, s/d.
Lobato, Monteiro. Caçadas de Pedrinho. Jornalivro. SP, s/d.
Dostoievski. F.M. Um jogador. Jornalivro. SP, s/d.
Borges, Jorge Luís. O Aleph. Jornalivros. SP, jun.1993.
Quiroga, Horácio. Contos da Selva. Jornalivro. SP, set.1993.
http://www2.assis.unesp.br/cedap/acervo_cedap/periodicos_impressos.htm
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a inf dos 2 ultimos esta errada
o jornal so durou ate 73
e tambem imcompleta
saiu um sobre POE
e outro sobre SADE
com um texto maravilhoso do CARPEAUX
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NAMASTE
mrl-x
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'Um mês depois de lançarem Bondinho, em dezembro de 1971, Arte & Comunicação põe
ResponderExcluirno mercado uma idéia inovadora, o Jornalivro, ou seja, o livro em forma de jornal. Republicavam
clássicos cujos direitos autorais eram de domínio público, em formato tabloide, capa em sulfite e
miolo em papel jornal. Estrearam com Machado de Assis, depois Eça de Queiroz, Monteiro
Lobato, Dostoievski, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e outros. O primeiro romance de
Roberto Freire, Cléo e Daniel, foi publicado em forma de jornalivro com enorme repercussão,
vendendo 30 mil exemplares em 15 dias. Segundo diziam, a edição de livro em forma de jornal
ficava até dez vezes mais barata, possibilitando maior acesso. No entanto, o público queria novos
autores, que segundo Kucinski relutavam em fornecer originais.'
fl,39
MARCOS ANTONIO ZÍBORD1
JORNALISMO ALTERNATIVO E LITERATURA MARGINAL
EM CAROS AMIGOS
Dissertação apresentada como requisito parcial à
obtenção do grau de Mestre em Literatura, Curso
de Pós-Graduação em Letras, Setor de Ciências
Humanas, Letras e Artes, Departamento de
Lingüística, Letras Clássicas e Vernáculas da
Universidade Federal do Paraná.
Orientador: Prof. Dr. Benito Martinez Rodriguez
Co-orientador: Prof. Dr. Marco Antonio Maschio
C. Chaga
CURITIBA
2004
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http://acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/24520/D%20-%20ZIBORDI,%20MARCOS%20ANTONIO.pdf?sequence=1