26 de out de 2012

o jogador de dostoiévski, uma elucidação

graças a mais uma contribuição de alex quintas de souza, a quem agradeço, foram solucionados dois mistérios de uma tacada só.

no levantamento das traduções de dostoiévski no brasil, fiz um post específico sobre o/um jogador, aqui, e mencionei duas edições que me deram um baile:
V. esta é um mistério. mas está lá em nosso acervo na biblioteca nacional:

Autor:Dostoievskii, Fedor Mikhailovich, 1821-1881.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:O jogador.
Imprenta:Rio, Ed. G. Carneiro [1953]. 
Descrição física:132 p.
Notas:Registro Pré-MARC


e
XIII. esta aqui é outro mistério. consegui apenas a imagem de capa; não localizei editora, ano, tradutor, nada. parece revistinha de banca de jornal.
O Jogador Fiódor Dostoiévski Clássico Da Literatura Russa 
alex informa que a editora é a gertum carneiro s/a, sem data nem crédito de tradução, e envia imagens preciosas:




 vendo-se a ficha catalográfica no acervo da biblioteca nacional, onde consta ed. g. carneiro, deduz-se que é a gertum carneiro. o uso de colchetes na data indica o ano de de integração ao acervo, não de publicação (neste caso, o ano vem dado diretamente, sem colchetes).

ou seja, o mistério V e o mistério XIII se esclarecem: trata-se da mesma edição d'o jogador pela gertum carneiro, c. 1953 (aí o circa é meu, indicando uma data limite).

mas quem era a gertum carneiro? nada menos que a atual ediouro, depois de passar pelos nomes de tecnoprint e edições de ouro.

a história é a seguinte: dois irmãos, antônio e jorge gertum carneiro, gaúchos, mudaram-se para o rio de janeiro, onde abriram em 1939 uma importadora de livros chamada publicações panamericanas. devido à guerra e às dificuldades de importação, a partir de 1940 passaram também a publicar obras, tanto brasileiras quanto traduzidas, com o nome de editora panamericana, sobretudo na área de literatura. a panamericana teve vida curta, até 1946, mais ou menos.

a partir de 1942, os dois irmãos e mais um sócio (fritz israel mannheimer) criam também a gertum carneiro, voltada basicamente para publicações técnicas na área de engenharia, mecânica, medicina etc.

se voltarmos ao post o/um jogador, lá encontraremos:
II. em 1943, otto schneider tem sua tradução publicada pela panamericana:
O Jogador - Fiodor Dostoiévski
ora, como a panamericana e a gertum carneiro eram dos mesmos donos, parece-me mais do que provável que a tradução d'o jogador pela gertum dos anos 50 seja a de otto schneider pela panamericana dos anos 40, cuja imagem de capa é mostrada acima.

com isso, além de resolvidos os dois mistérios, temos boas indicações também sobre a provável data de edição e a probabilíssima autoria da tradução d'o jogador na coleção "livros de bolso" da gertum.

8 comentários:

  1. Caríssima Denise, mais ma vez você transforma quase que numa thriller, numa trama de suspense que nós seguimos, mesmerizados,o que seriam supostamente simples e singelas edições ao longo do tempo.
    Por mim, você seria a inventora de gênero novo, que não exclui o noir (enquanto registro de sujeiras e mazelas): a aventura bibliográfica.
    Obrigado, e um grande abraço.

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  2. haha, caro alfredo, adorei a caracterização! e obrigada pela generosidade!

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  3. De fazer inveja a Holmes e Poirot! Concordo inteiramente com o Alfredo: nós acompanhamos vidrados suas narrativas desvendando esses mistérios editoriais e da tradução. E, como não posso cansar de dizer: os leitores sérios, a cultura brasileira e, por extensão, todos os cidadãos da nação te agradecem, Denise. Continue combatendo o seu grande bom combate que é o de todos nós. Por mim, você deveria ganhar uma medalha de nosso legislativo por serviços prestados a população.

    Forte abraço!

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  4. hahaha, vocês deixam meu sábado divertido com todas essas hipérboles! grazie mile :-)

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  5. Caro Fabrizio, é melhor que nossa admirável Denise continue anti-institucional, assim ficaremos melhor servidos, num território mais livre e arejado.
    Aproveito a oportunidade para pedir desculpas pelos erros de digitação (culpa de olhos cansados): um "ma" em vez de "uma"; "numa" (ops, num) thriller. Perdões, e um abraço para ambos.
    Alfredo Monte

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  6. Você tem razão, Alfredo. O reconhecimento e agradecimento de muitos leitores e as mudanças que já estamos vendo no mercado editorial tem muito mais valor e verdade do que qualquer honraria institucional. Ah, foi bom você ter falado em erros de digitação porque eu também cometo. Mais é a pressa na hora de escrever e às vezes o sono quando escrevo de noite. Mas, creio que todo mundo percebe que são deslizes além de nossa vontade.

    Abraços!

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  7. Anônimo22.10.16

    denise

    em 72 saiu em formato de jornal

    no JORNALIVRO

    eu tenho esta ediçao
    VENDIA EM BANCA

    VEJA

    http://www.ppgmidiaecotidiano.uff.br/ojs/index.php/Midecot/article/viewFile/95/93

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