21 de ago de 2012

sobre a nota de repúdio da boitempo

hoje recebi email enviado pela editora boitempo, com o pedido de publicar na íntegra sua nota de repúdio em relação ao post afinidades tradutivas, publicado aqui. a nota da editora está reproduzida aqui.

não quero me deter sobre o tom da nota, que me pareceu um tanto, digamos, acalorado, com termos como "investida", "abusando", "calúnia pura e simples", "simular", "estardalhaço", "busca por holofotes", "modus operandi duvidoso" e coisas assim.

prefiro me ater ao cerne da questão, o qual, por vias indiretas, foi muito bem exposto na nota da editora boitempo.

- a frase que, pelo que consegui entender no arrazoado da nota da editora, constitui o cerne de sua posição é: "Cabe lembrar que o direito autoral interessa apenas àqueles que o negociam" e "O que é acordado entre as partes ... deve ser respeitado". os corolários, pelo que entendi, seriam: "A fidedignidade dos créditos reside nessa relação profissional", que não diria respeito às extrapartes. e esse acordo entre as partes privadas garantiria a integridade intelectual da obra e a veracidade dos créditos.

quanto a isso, cabe lembrar que o direito autoral se compõe de duas partes: a patrimonial e a moral.

sem dúvida, os direitos autorais patrimoniais sobre uma obra são livremente negociáveis entre as partes privadas, e aqui prevalece o princípio da liberdade contratual: trata-se do direito de uso e exploração econômica da obra, sob condições mutuamente acordadas.

já os direitos autorais morais são de natureza totalmente distinta: pertencem ao leque de direitos de personalidade, que são irrenunciáveis, inalienáveis e intransferíveis.

por exemplo: se eu, como autora da tradução de in the tracks of historical materialism, para a brasiliense em 1984, tivesse sido consultada pela editora boitempo, solicitando licença de uso de minha tradução para publicá-la em 2004, eu poderia concedê-la, respeitada a cadeia de direitos anteriores. mas, se a editora me consultasse propondo a substituição de meu nome como autora da tradução pelo de "isa tavares", eu não o poderia fazer, pelos mais simples princípios de boa fé e responsabilidade civil: como poderia acordar licitamente em ter meu nome substituído pelo de outra pessoa? qualquer contrato neste sentido me pareceria, em princípio, juridicamente nulo.

o que confere veracidade aos créditos de autoria, portanto, não é o acordo de transferência de direitos patrimoniais de uma parte a outra. o que lhes confere veracidade é a correspondência entre esses créditos e o nome do autor. os créditos são fidedignos se a pessoa responsável pela autoria daquela obra é a mesma que consta como responsável por ela nas informações dirigidas ao leitor, isto é, nos créditos. e a integridade de uma obra, naturalmente, consiste, entre outras coisas, na veracidade e fidedignidade das informações veiculadas sobre sua autoria.

assim, talvez uma das origens da confusão conceitual que parece permear a recente nota da editora boitempo seja a indistinção entre direitos patrimoniais e direitos morais dentro do leque dos direitos de autor.

- o segundo ponto é uma frase que não entendi muito bem: "quem julga obras que não lhe dizem respeito". como alguém poderia ser tolhido de julgar uma obra que lê? o que determina que tal ou tal obra dirá ou não dirá respeito a quem quer que seja? sem entrar em questões referentes a censuras ou policiamentos, aqui parece-me pertinente lembrar que um livro como objeto (seja impresso ou digital) se constitui como produto na relação com o leitor. estabelece o artigo 3, parágrafo 1, da lei que rege as relações de consumo, aqui:
Art. 3°  § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
o leitor, como consumidor do produto livro, dispõe entre seus direitos básicos os de contar com:
III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço [...]VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e difusos;
pode-se gostar ou não, concordar ou não, mas tais são os termos que dispõe a lei.

é neste sentido que, ao contrário do que entendi que afirma a editora boitempo, toda e qualquer obra em circulação ou mesmo esgotada diz legitimamente respeito a todo e qualquer leitor que tenha acesso a ela e se interesse em lê-la.

além dos direitos autorais (morais e patrimoniais), além dos direitos do leitor, eu gostaria de apresentar um último aspecto levantado um tanto transversalmente na nota da editora boitempo. a editora explica que fez um agradecimento especial a uma das editoras citadas em sua nota de edição no livro afinidades seletivas, "pela generosidade de ter cedido texto ainda disponível em seu catálogo".

este tema é muito importante, e retornarei a ele com calma. de qualquer forma, se raul fiker teve seu nome devidamente creditado como autor da tradução do artigo sobre bobbio, a menção é corretíssima (e até por isso dei destaque a ela). é corretíssima, não porque o texto ainda esteja disponível no catálogo da editora unesp (aspecto meramente patrimonial do direito de autor), mas porque foi ele o verdadeiro tradutor do ensaio (aspecto moral do direito de autor).

em suma, não é porque uma editora esteja extinta, nem porque uma edição esteja esgotada há muitos anos que o direito moral (irrenunciável, intransferível e inextinguível) do autor se torna letra morta.

quem acompanha este blog e meu trabalho em favor das obras esgotadas, órfãs e abandonadas sabe muito bem que defendo justamente a flexibilização da lei que dispõe sobre o acesso a essas obras. eu seria a primeira a aplaudir a proposta da editora boitempo em resgatar traduções antigas (como o fiz aqui e aqui), mas, evidentemente, desde que respeitados os direitos morais de seus autores.

50 comentários:

  1. Adolfo Cruz21.8.12

    Você tem sido muito educada. Hoje parece certo que a tal Isa Tavares não existe, pois a própria Boitempo esquivou-se de apresentá-la ou mesmo de confirmar sua existência. Preferiu escrever frases elípticas que contornam o assunto. Se a tal Isa não existe, a autora da fraude é a editora. Todo o resto é empulhação. Elementar, não é?

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  2. agora, adolfo, trata-se de outra obra de tradução, atribuída pela boitempo a paulo cesar castanheira. o post respectivo, onde apontei as similaridades com uma antiga tradução da editora joruês, está aqui: http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2012/08/afinidades-tradutivas.html

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  3. Marina Sawaya21.8.12

    Denise, inicialmente a acusação era de não haver créditos (e que o trecho marcado na pagina pela editora nao foi apontado no seu post ou por desatenção ou por má-fé)

    Agora parece que o problema é que havia crédito, mas não estava no local certo? É isso? Acho que se tratam de acusações bem distintas.. Não acho que o principal da nota da boitempo seja a questão de que não interessam os acordos entre os tradutores etc. Acho que o essencial é que o crédito estava na edição, e qualquer parte do livro é direcionada ao leitor, que foi informado...

    enfim, fiquei confusa de qual é o seu ponto, pois não sei se existe a obrigatoriedade de que os créditos estejam na capa, contracapa, nota de rodapé ou sei lá o que, ou se sua implicância só diz respeito à estética...

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    1. olá, marina: de fato a nota da boitempo é um pouco confusa. resumindo, é o seguinte: o livro "afinidades seletivas" de perry anderson, publicado pela boitempo, traz créditos de tradução em nome de paulo césar castanheira, tanto na página de rosto quanto na página de créditos e na ficha catalográfica.
      apontei no blog foi que a tradução de um dos ensaios, "as antinomias de gramsci", era idêntica à tradução de juarez guimarães e felix sanches, que a joruês tinha publicado em 1986.

      quando apresentei o livro, avisei que a tradução de todo ele vinha creditada a paulo césar castanheira, exceto o ensaio sobre bobbio, que a editora avisara que fora feita por raul fiker, e que a editora da unesp autorizara o uso dela.

      agora, a mistura que a boitempo fez na nota induz mesmo a confusão: paulo césar castanheira assina uma tradução ("as antinomias de gramsci") que não foi ele que fez, é só este meu ponto. não tem nada a ver com o artigo sobre bobbio que raul fiker traduziu e foi devidamente creditado pela boitempo.

      o post que despertou esta nota da boitempo está aqui: http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2012/08/afinidades-tradutivas.html

      espero ter respondido à sua dúvida.



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    2. Eles na verdade citam de onde veio o texto, mas onde está o nome do tradutor original? Não há, e esse é o problema.

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    3. não, elaine, nem isso: eles não dizem que o texto veio da edição da joruês. se fosse isso, seria talvez apenas um lapso. na medida em que citam o fiker e a ed. unesp, reforçam a ideia de que o texto NÃO veio da joruês (pois senão citariam o tradutor também, como fizeram no caso da ed. unesp e raul fiker), e que a coletânea inteira foi traduzida por paulo césar castanheira, EXCETO o traduzido por fiker.

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    4. na verdade, é até parecido com o caso em que usaram minha tradução que saiu pela brasiliense, dizendo que foi feita pela tal isa tavares. a boitempo até avisou que a brasiliense tinha publicado uma edição do texto de perry anderson em 1984, mas e daí? fui eu que fiz; como é que vão dizer que foi a "isa tavares" que fez? direito moral de tradutor não tem nada a ver com direito patrimonial de editora. foram juarez guimarães e felix sanchez que fizeram a tradução das antinomias de gramsci; como é que vão dizer que foi paulo césar castanheira que fez? agora até reconhecem que é a mesma tradução, mas que todos eles concordaram com isso. ora, envolver os demais na falsidade ideológica da coisa só piora ainda mais o quadro, a meu ver.

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  4. Da mesma forma que eles exigiram a publicação da nota aqui, creio que deveriam publicar sua réplica lá no blog da Boitempo.

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    1. não é que "exigiram": pediram, e acatei.

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  5. Natalie Unterstell21.8.12

    Que falta de ética. #boicoteaboitempo

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    1. Alípio Yossef21.8.12

      Exatamente. Falta de ética, de uma editora que se diz ao lado das "causas humanas". Desde que tais causas lhes gerem lucros financeiros, como a isenção ao pagamento aos tradutores.

      Marxistas de boutique. Isso é o que eles são.

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  6. Anônimo21.8.12

    O problema foi o "timing" das denúncias, tanto que os leitores deste blog ainda ressuscitam a figura de Isa Tavares, fazendo uma confusão de cartas. Mesmo eu, em meio ao mar de réplicas e tréplicas, já me perco um pouco sobre qual seja, afinal, o tema da nova denúncia. Falhou aí, portanto. Se antes não era, agora ficou parecendo, sim, perseguição obscura de uma senhora com muito tempo livre.

    Evandro Batista de Moraes

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    1. Alípio Yossef21.8.12

      Engraçado isso... agora apontar erros e trapaças de uma editora, qualquer que seja, é "perseguição obscura de uma senhora com muito tempo livre".

      E daí? Pelo menos, isso é o que eu chamo de verdadeiro "ócio produtivo". Piores são as senhoras com muito tempo livre gastando o dinheiro que ganha explorando os outros com viagens a Europa, com apartamentos em bairros nobilíssimos etc.

      Denise merece respeito. E a Boitempo precisa ser mais transparente com os consumidores de seus livros, dentre os quais me incluo como um dos mais assíduos.

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    2. alípio, o mais doido de ter de ouvir esse tipo de coisa é que trabalho feito uma louca, com prazos apertados, e vivo de meu trabalho. quem dera ter tanto ócio assim! aponto irregularidades e fraudes de tradução nem por ser tradutora, mas por ter um respeito imenso pelo trabalho de milhares e milhares de tradutores brasileiros, sobretudo a partir dos anos 1920 e 1930, que dedicaram vidas inteiras a abrir nosso brasil tão fechado, tão provinciano às obras do mundo todo. minha principal defesa - e bem sabe quem conhece meu trabalho aqui no blog nestes quatro, cinco anos - é a defesa do patrimônio tradutório do país. temos zentilhões de coisas em nosso patrimônio simplesmente esquecidas, esgotadas (que alguns espertalhões pegavam e reeditavam sob outros nomes, como a claret, a nova cultural, a rideel, a hemus, a madras, a germinal - e muitas já desistiram desse procedimento tão nefasto).

      afora que se corre o risco de ficar se reinventando eternamente a roda, apresentando como inéditas no brasil coisas que não o são, mesmo com traduções honestas e legítimas, simplesmente porque ninguém - ou pouca gente - zela por essas coisas ou pouco se interessa em saber ou pesquisar.

      no caso da própria boitempo, apresentarem "o tacão de ferro" de jack london, ou "os deuses têm sede" de anatole france, ou "napoleão" de stendhal como se fossem inéditos no brasil, achei, assim, como dizer, confrangedor... ainda bem que corrigiram, depois que os informei das traduções anteriores.

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  7. hahaha, prezado evandro, tal seria! mas seu reparo foi bem feito: muitas vezes a pessoa não acompanha o desenrolar das notícias e fica no ar. talvez seja um bom alerta para os leitores não tirarem conclusões precipitadas nem "tomarem partido" sem saber do que se trata.

    quanto à outra obra de tradução, atribuída pela boitempo a paulo cesar castanheira, e que é objeto dessa última nota da editora, foi comentada aqui, onde apontei suas similaridades com uma antiga tradução da editora joruês: http://naogostodeplagio.blogspot.com.br/2012/08/afinidades-tradutivas.html

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  8. Sempre haverá quem julgue que o problema é a denúncia, ou o "timimng da denúncia" (tsc, tsc...). O problema é o fato, não a denúncia. A Boitempo continua nos devendo uma explicação para os fatos apontados.

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  9. muito bem posto, hugo. a depender de alguns, jamais se apontaria qualquer fato

    (não tem nada a ver com o caso aqui em pauta, mas, por falar em timing, a claret chegou a sugerir a um jornalista que segurasse sua matéria sobre plágios de tradução até ela acabar de finalizar a venda da editora, que estava em tratativas - haja timing! essa história está aqui: http://pages.citebite.com/k1q8g2g6a8wno)

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  10. Denise, viva você. Realmente um trabalho de primeira, e uma elegância sem par ao ficar respondendo a agressões ridículas de quem não conhece seu trabalho e sua luta pelos direitos dos tradutores. Grande abraço dessa sua admiradora.

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    1. obrigada, renata. pois é, às vezes as pessoas não entendem do que a gente está falando e acabam meio atirando a esmo. pessoalmente, prefiro imaginar que luto pelos direitos não dos tradutores (estes, se vivos, ou seus sucessores são crescidinhos o suficiente para irem atrás do que lhes compete), e sim algo mais geral, um acesso social a bens culturais mais confiáveis, uma produção editorial mais honesta e um maior zelo na preservação de nosso patrimônio bibliográfico.

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  11. Só achei estranha a agressividade da nota da editora...

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  12. Denise, estou acompanhando a celeuma, admirando sua paciência! Abraços,
    Rita

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  13. Elvira Serapicos22.8.12

    Denise, não sei como você consegue. Admiro e aprendo muito com seu trabalho. Que o espírito de D. Quixote não morra jamais. Abs, Elvira.

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  14. Anônimo22.8.12

    Porra, fizeram a auditoria interna, vieram a público com humildade, desgastaram a imagem, tentaram compensar o desastre... você não poderia ao menos ter entrado em contato somente com a editora à ocasião deste novo "furo" de reportagem investigativa? Abutre! Sabemos quanto está certa nisso tudo, mas pense também na desgraça que você leva para a editora e todos os seus funcionários. Culpa do próprio amadorismo? É essa a sua sentença para todos dali? Ó, grande arauto das letras nacionais dos falecidos tradutores dos anos 20 e 30, tenha clemência para com esses servos do hoje. Não é "timing", é clemência mesmo. Ai, mas não, a Denise Urubuttman é implacável. E tão dura como muitas de suas traduções (sim, foi uma crítica ao seu estilo empedrado).

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    1. anônimo: jamais arroguei qualquer qualidade especial a minhas traduções. o que posso dizer é que sou eu que as faço e assumo a responsabilidade autoral por elas.

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  15. Prezados, li a nota da Boitempo hoje e procurei o texto de Denise que a originou. Li também a última declaração, acima, e os comentários que me antecedem. Creio estar havendo uma confusão, vejam se me engano; Denise disse que a Boitempo havia plagiado a tradução de um dos artigos do livro "Afinidades seletivas". A Boitempo mostra que não poderia ter havido plágio porque a tradução utilizada era a mesma da edição dos anos oitenta e isso está mencionado na nota que publicaram no blog. Li a nota da edição e me parece clara a menção aos créditos originais de dois dos artigos que compõem o volume. Concordo que deveriam ter dado nome dos tradutores, mas daí a dizer que houve plágio vai uma enorme distância, não?
    Denise, entendo que você possa ter se enganado, somos todos passíveis de erro, não seria mais justo assumir que se equivocou e se retratar, dizendo que não percebeu a citação dada às referidas traduções? Sou revisora, preparadora e já vi muitos casos em que a editora opta por dar o crédito de tradução a quem traduziu a maior parte de um livro, ficando as exceções citadas em notas de rodapé (ou, como aconteceu nesse caso, em uma nota da edição). Muito honestamente, não vejo em que a editora errou nessa questão. Seria bom que os fatos fossem encarados por todos os seus leitores como de fato são.
    Abraços

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    1. Pelo que eu entendi, Vera, o problema é que, apesar da Boitempo ter citado a publicação original da tradução da Joruês, por ter omitido os créditos dela deu a entender que ela teria sido feita também pelo Paulo César Castanheira. Quando, é claro, não foi (eu iria até mais longe: tomando-se a letra fria, dizer que um texto em inglês foi "republicado no Brasil" sequer diz que ele foi traduzido). Creio que há uma divergência "conceitual" aqui (na falta de classificação melhor). A Boitempo acredita que ter citado a Joruês (uma outra editora) é o suficiente e liquida a questão. Quer dizer, quem liga para o tradutor? A Denise, é claro, pensa diferente: ela quer o reconhecimento do trabalho do tradutor original, independentemente do que acha quem lhe contratou o serviço (por tabela, como fez a Boitempo, ou não). Sinceramente, não considero essa uma distinção óbvia. Eu, por exemplo, a aprendi aqui. Só esse fato, creio, justifica o empenho da Denise.

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  16. só pra dizer que tá maravilhosa e didática a explicação entre direitos morais e patrimoniais. go girl!

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  17. Perfeito, Denise. Aliás, peço permissão para publicar no meu blog, no post O CASO BOITEMPO, que continua suscitando interesse, principalmente, creio eu, por essas táticas adotadas pela editora e seus defensores, anônimos ou não, que parecem ter ressuscitado o velho patrulhamento ideológico.
    Abraço, Alfredo Monte.

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    1. olá, alfredo. sim, esteja à vontade, claro. essa facilidade em recorrer ao limbo onde ficam esses milhares de traduções esgotadas acaba sendo uma pazada de cal sobre os próprios processos de constituição de nossa cultura em sentido amplo e de nosso patrimônio bibliográfico em sentido mais específico.

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  18. Anônimo22.8.12

    Hum, estou entendendo

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  19. Anônimo22.8.12

    Tem 'Boi' na linha...

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    1. Se o Boi a que você se refere,caro anônimo, sou eu e minha solicitação a Denise, saiba que no ano passado coloquei vários lançamentos da Boitempo entre os destaques do meu blog, e sempre tive a maior consideração pela editora, principalmente porque há alguns anos venho estudando sistematicamente a obra de Marx. Portanto, esse Boi tem tudo a fazer na linha, inclusive porque dá nome aos bois, ao contrário dessa repelente prática de se protege no anonimato.
      Cordialmente, Alfredo Monte

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  20. Bruce Torres22.8.12

    Convenhamos que a "nota da edição" da Boitempo nesse livro induz o leitor ao erro: a possibilidade de Castanheira ter traduzido apenas esse artigo antes em alguma outra editora. De fato, não há plágio, mas toda essa bagunça poderia ter sido evitada se a Boitempo tivesse deixado claro antes quem traduziu o que.

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    1. desculpe discordar, bruce. como expus acima neste post, a questão, tal como foi posta pela boitempo, me parece ainda mais grave do que plágio ou contrafação, pois direito moral é irrenunciável e intransferível.

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    2. Bruce Torres23.8.12

      Então, Denise, me referi ao fato de que a Boitempo poderia ter, simplesmente, colocado corretamente as informações sobre as traduções anteriores nessa edição. Não fazer isso foi um erro grosseiro. Contudo, em vez de se responsabilizar por isso, apela para uma visão distorcida do direito autoral. Em suma: se a Boitempo tivesse feito corretamente seu trabalho nomeando os tradutores dos artigos, a discussão toda não teria razão de existir.

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  21. Anônimo22.8.12

    Denise, em meio a esse tiroteio da Boitempo (e só posso apoiá-la em mais essa lambança das editora), você me permite fugir do assunto? Vi num texto seu que a tradução do Guerra e Paz ganhou o prêmio da ABL este ano. Pois bem, comprei a edição da Cosac há umas semanas e tem um negócio lá me escasquetando, a tal Lista de Personagens e Fatos Históricos. Posso estar enganado, mas ela me parece um pastiche, com modificações às vezes cosméticas, às vezes substanciais, do Índice Histórico da edição do Oscar Mendes para a Itatiaia. Como não há crédito sobre a autoria da lista em nenhuma das edições, fiquei pensando se você tem mais informações a respeito.
    Com as desculpas de praxe pela amolação e os elogios pelo ótimo blog,
    Marcio Sattin

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    1. olá, marcio: complicado isso... não tenho informações a respeito, mas, até onde entendo, mesmo que o texto inicial fosse anônimo, a fonte e os créditos são indispensáveis. como vc bem pode imaginar, recebo uma quantidade enorme de apontamentos e questões envolvendo cópias, aproveitamentos de texto não creditados etc., referentes a obras em português mesmo. como trato especificamente de obras de tradução, tenho recomendado nesses outros casos de obras originais que a pessoa, se for a autora, procure os responsáveis para encaminhar o problema; se for consumidora e leitora, que encaminhe petição ao ministério público.
      imagine, não é amolação nenhuma; estou ao dispor, e obrigada!

      denise

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  22. quanto ao comentário de uma leitora, mais acima ("fiquei confusa de qual é o seu ponto, pois não sei se existe a obrigatoriedade de que os créditos estejam na capa, contracapa, nota de rodapé ou sei lá o que, ou se sua implicância só diz respeito à estética..."), quero esclarecer que existe obrigatoriedade, sim, e que não se trata de uma "implicância" minha no que "diz respeito à estética". a identificação de um livro se dá por sua ficha catalográfica, com obrigatoriedade estabelecida por lei e regida por normas internacionais muito claras. qualquer referência bibliográfica, qualquer catalogação, segue os dados arrolados na ficha cip, e a elaboração de teses, artigos, estudos etc. segue normas estabelecidas pela abnt. não é uma questão indiferente nem entregue ao deus-dará. já publiquei vários posts sobre o tema.

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  23. Denise, você escuta coisa que não tem que escutar. Acho que anônimo aqui não devia ter vez.

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  24. pois é, robson, e acaba criando desconforto tb para as outras pessoas, para o ambiente. anônimo costuma emanar uns miasmas meio insalubres.

    pensei várias vezes em alterar a configuração do blogger para não aceitar anônimos - mas, sei lá, aí o fulano inventa qualquer nome e vem dizer abobrinha do mesmo jeito, mas agora chancelado pelo nome falso. aí concluí que o cara se apresentando como anônimo pelo menos demonstra que tem medo e vergonha de assumir o que diz: o papelão é dele. em suma... não sei bem o que fazer.

    mas agradeço sinceramente o toque. vou repensar a questão.

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  25. Anônimo22.8.12


    Não vejo assim, ser anônimo é uma defesa. Para que vou me indispor com a Denise que amanhã ou depois pode estar num projeto comigo? Se as pessoas soubessem separar discordâncias de inimizades, isso não seria necessário, mas não é o que ocorre. Como vou saber se Denise sabe separar ou não? Sem os anônimos, a caixa de comentários vira uma caixa de elogios. Ninguém discorda de nada, é impressionante...

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    1. Bruce Torres23.8.12

      Discordo. O anonimato só é uma defesa se servir para garantir a integridade física/moral do indivíduo. Todo mundo já é bem crescidinho para se responsabilizar pelo que diz ou deixa de dizer. Você diz que sem o anonimato "a caixa de comentários vira uma caixa de elogios", mas pelo visto você desconhece as broncas homéricas nos posts anteriores deste blog ou em outros. Vide que até a Boitempo publica comentários identificados, mesmo aqueles que apresentam uma posição contrária à linha editorial-ideológica da editora.

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  26. Fabrizio Lyra23.8.12

    Eu concordo com o Robson, Denise e creio que você deve mesmo repensar essa questão. Estou para falar isso há muito tempo: sobre essa questão de posts anônimos e, mesmo quando não são anônimos, posts truculentos, grosseiros, ofensivos e agressivos. Você deve lembrar que recentemente escrevi um post enorme aqui sobre essa questão da agressão verbal e psicológica. Eu sempre entendi que você e outras pessoas que dirigem blogs muito bons, de forma educada e elegante, permitem determinadas mensagens para mostrarem que não se furtam ao debate. Mas, sinceramente, tudo que você coloca aqui, mesmo que atinja certas pessoas profundamente, você o faz educadamente, sem partir para a grosseria ou adjetivação ofensiva. E o que você postula são direitos nossos de consumidores e cidadãos. E você faz sempre isso com muitas provas e tendo como suporte o fato de ser uma profissional da área com experiência. E, como já disse, até um leitor poderia apresentar essas provas e estar certo. Eu, se dirigisse um blog e faço essa sugestão a todas as pessoas sérias e CIVILIZADAS que moderam blog, colocaria regras na capa avisando não serem permitidos posts com ofensas, xingamentos e agressões. E, que, por favor, as pessoas que escrevessem, quando fossem AFIRMAR algo que o façam com argumentos bem fundamentados e claros. Mensagens em que se percebe distorção premeditada da verdade ou falta de leitura atenta do que você escreveu, creio que também não deveriam ser permitidas. Porque pelo tempo que você mantêm esse blog na net, pelas muitas batalhas que você já enfrentou e pelos muitos posts agressivos e ofensivos a sua pessoa que você permitiu serem publicados aqui provando que você não teme debater com ninguém, creio que você já pode se permitir o direito de não aceitar mais certas coisas. Eu tenho essa filosofia de vida: se a pessoa fala de forma descontrolada comigo e eu não dei motivo para isso eu nem respondo. Ou eu saio do ambiente dela ou a retiro do meu. Como já disse o Dalai Lama: "com cachorro bravo, a gente sai de perto dele, não adianta parar e pedir compaixão". E no caso de direitos legais nossos, como cidadãos, se a pessoa ou instituição, depois de apresentarmos nossos argumentos bem embasados, persiste no erro, nesse caso vivemos em uma sociedade que, mal ou bem, nos oferece caminhos dentro do direito para nos defendermos. E, como já disse, o que você faz não é para você, mas para todos nós. Hoje, em uma livraria, vi vários livros da Martin Claret com o nome dos tradutores corretos, muito bem conhecidos nossos, na capa. Creio que isso é obra sua. Sinal que vale a pena não desanimar,temos que te agradecer e contribuir com sugestões para que o clima aqui no blog fique bom, saudável, a altura. Você e as muitas pessoas de bem que há muito tempo frequentam e escrevem coisas muito boas aqui não merecem esse tipo de ambiente. Eu, que sempre escrevi muito aqui, tenho deixado de colocar minha opinião, às vezes, quando vejo um mar de posts selvagens e sem qualquer embasamento. Como expus acima, sei que você não é responsável por isso e deve se sentir pior do que todos os que são seus admiradores e do blog. Dessa forma, fica minha sugestão. Forte abraço!

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  27. Denise, acho que você é muito tolerante incluindo esses anônimos. Eu acho que esconder-se no anonimato é mau-caratismo, é uma coisa de saída mal-intencionada. Ou você acredita numa opinião ou numa postura sobre determinado assunto, e vem defendê-la ou expô-la com seu nome, ou pseudônimo que seja, ou fica na sua, e não se manifesta. Postar algo sob o manto do anonimato é coisa de beata maldosa do Jorge Amado.
    No meu blog jamais permitirei comentários "anônimos".
    Abraço, Alfredo Monte

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  28. A Constituição Brasileira proíbe o anonimato. Acho, portanto, que não deveria haver anônimos em comentários de blog.

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  29. A Constituição Brasileira proíbe o anonimato. Acho, portanto, que não deveria haver anônimos em comentários de blog. Abraços.

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  30. Parabéns por mais essa, Denise. As editoras acham quem podem fazer o que quiserem, sem respeitar o direito moral de qualquer tradutor. Claro que não se pode generalizar, mas também não se pode tampar o sol com a peneira. Trabalhos como o seu deveriam estar estampados, para ver se as editoras trambiqueiras criassem vergonha na cara. Aliás, a gente devia era pagar cada uma dessas obras que fere os direitos dos tradutores com óleo de peroba.

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