2 de ago de 2012

o trabalho alienado

I.
em 1981, foi publicado no brasil o livro de istván mészáros, marx's theory of alienation, na tradução de waltensir dutra, marx: a teoria da alienação, pela zahar editores.



em 2006, a boitempo editorial publica a teoria da alienação em marx, com tradução em nome de isa tavares, com reimpressões em 2007 e 2009 e uma nova edição com atualização ortográfica em 2011.



IIa.
ao examinar os dois volumes, não há como não perceber a absoluta identidade entre a tradução de waltensir dutra e a suposta tradução de isa tavares para os versos de schiller: 


ou aqui, onde a única diferença da tradução em nome de isa tavares consiste nos itálicos de alguns versos:

waltensir dutra (zahar)
Que o grito da ralé passe por cima de ti
E o grunhir dos porcos extravagantes!
De nenhum homem livre tens medo,
Nem do escravo que conquistou a liberdade. 

E há um Deus, cuja vontade compele
A mente indecisa do homem:
A lembrança dos céus supera
Toda possibilidade de conhecimento.
Embora o mundo viva em eternas vicissitudes
Há sempre repouso para a alma tranquila. (p. 268)



isa tavares (boitempo)
Que o grito da ralé passe por cima de ti
E o grunhir dos porcos extravagantes!
De nenhum homem livre tens medo,
Nem do escravo que conquistou a liberdade. 

E há um Deus, cuja vontade compele
A mente indecisa do homem:
A lembrança dos céus supera
Toda possibilidade de conhecimento.
Embora o mundo viva em eternas vicissitudes
Há sempre repouso para a alma tranquila. 
(p. 271)

o mesmo fiel decalque pode ser visto na citação de fausto de goethe. 


essa pura cópia se repete nas notas, que não sofreram praticamente nenhuma alteração. segue-se uma nota bastante extensa para ilustrar o fato apontado:





IIb.
no texto propriamente dito, é difícil não notar como são esporádicas e perfunctórias as diferenças entre as duas traduções. elas se concentram majoritariamente no mais singelo nível lexical, fazendo lembrar aquilo que saulo von randow jr. chamava jocosamente de "tradução por sinonímia", isto é, a substituição de vocábulos de uma tradução prévia para "melhorar" e disfarçar a cópia, apresentando o texto assim alterado como outra tradução, pretensamente nova.  

apesar da linguagem razoavelmente simples de mészáros, notam-se, de um lado, alterações vocabulares bastante triviais de um para outro texto ("rigorosa igualdade" por "estrita igualdade"; "conseguir o domínio" por "alcançar o domínio"; "fundamentos firmes" por "fundamentos sólidos" etc.); de outro lado, observam-se similaridades nas estruturas sintáticas e alguns vezos bastante particulares de linguagem ("[marx] não tinha mais de parar no ponto de postular", "deu um grande passo à frente", "suposições muito exageradas são feitas", e assim por diante).veem-se também frases inteiras idênticas, como "as razões pelas quais essa determinação política passa a existir podem, é claro, ser muito variadas, desde um desafio exterior que ameaça[ce] a vida da comunidade, até uma localização geográfica que estimule uma acumulação mais rápida da riqueza; mas seu estudo não cabe[,] aqui" ou "o artista tornou-se livre para escolher, sob todos os aspectos, o assunto-tema [sic] de suas obras, mas ao preço de dúvidas constantes sobre sua relevância". seguem algumas imagens exemplificativas:


 

III.
perante tantas identidades e semelhanças difíceis de explicar pela mera coincidência, entrei em contato com a editora boitempo. eu tinha também algumas dúvidas sobre outras edições da casa, e ficaram de apurar as informações que pedi (algumas já divulguei aqui, aqui e aqui). explicaram-me que, de fato, a casa tem como praxe utilizar, "sempre que possível", traduções pré-existentes. ora, não vejo como a "revisão" de um texto poderia em qualquer hipótese autorizar ou justificar a omissão do nome do verdadeiro tradutor e sua substituição pelo do "revisor" da obra traduzida* - pelo contrário, até onde sei, tal procedimento fere frontalmente nossa legislação, isso sem falar no desdouro que acarreta indiretamente para toda a categoria dos lídimos e honestos revisores.

IV.
a meu ver, o principal aspecto que se destaca na obra de tradução marx: a teoria da alienação é que ela constitui um claro exemplo de obra abandonada. até onde sei, ela teve apenas uma edição, a já referida de 1981. seu autor, waltensir dutra, faleceu em 1994, quando, aliás, ocupava a presidência do sintra (sindicato dos tradutores). a zahar editores se reestruturou em 1985, passando a ser jorge zahar editora. entrei em contato com a jorge zahar, que me informou que boa parte do catálogo da antiga zahar foi transferida para a koogan guanabara - mas marx: a teoria da alienação não parece constar no catálogo ativo desta última. ou seja, tudo indica que se trata de obra de tradução esgotada e abandonada, de autor falecido, cujos sucessores (se os há) não estão exercendo a guarda de seus direitos.

assim, largada no fundo do baú, à solta no limbo editorial, a tradução de waltensir dutra, pelo que consigo entender, foi retomada pela boitempo, submetida a uma revisão cosmética e publicada como de autoria de isa tavares, passando a engrossar o catálogo da editora. com tal artifício, a editora recriou para si todo um novo leque de pretensos direitos autorais sobre ela: um novo ciclo inteiro de proteção agora pertencente à suposta tradutora isa tavares e a seus herdeiros durante setenta anos após sua morte, e um novo copyright agora pertencente à boitempo. o fato de ter a editora me assegurado, naquela época em que a consultei a respeito desta obra, que "Muitas vezes isso não significou inclusive qualquer diminuição nos valores pagos, tendo sido os tradutores [?] remunerados integralmente ao reverem antigas traduções que foram por nós republicadas" não me parece anular a grande questão que se revela nesse tipo de procedimento: além de ilícito, a meu ver demonstra um acintoso desrespeito à tradução legítima e ao trabalho legítimo dos legítimos tradutores. 

V. 
a editora anunciou aqui suas providências quanto a outras duas edições bastante problemáticas, conforme apontei aqui, e declarou que "está revisando outros trabalhos da mesma tradutora", isa tavares. espero que entre eles esteja incluído o caso acima apresentado.

39 comentários:

  1. Jorio Dauster2.8.12

    Denise, é uma vergonha que a Boitempo, por muitos respeitada por sua postura ideológica, tenha se revelado mais uma ladra de túmulos. Como esse desrespeito ao trabalho intelectual de tradutores mortos e indefesos não pode continuar, coloco-me à sua disposição para, mais uma vez, apoiá-la da forma que for necessária. Confio em que outras pessoas de bem estarão conosco num protesto que deveria se iniciar pelo boicote das obras dessas empresas inidôneas.
    Jorio Dauster

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  2. A. Assis2.8.12

    Nossa! Denise, eu fico encafifado com alguns aspectos disso tudo:
    (1) Se de fato não houve tradução e a Boitempo sabia, por que usar sempre o nome de Isa Tavares? Aliás, há novidades sobre quem é Isa Tavares? Para mim, parece importante esclarecer se há um esquema sistemático de plágio na Boitempo ou se é o crime de uma só pessoa, a tradutora.
    (2) A Boitempo tem uma equipe editorial, provavelmente muito séria. Será que aceitaram, sabendo o que estava acontecendo, publicar não só um, mas vários plágios? Isso me parece muito estranho. Será que você pode publicar a folha de rosto de todos os livros em que houve plágio?
    Coragem!

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    1. caro a. assis: não sei dizer. a editora emitiu comunicado que não revela informações sobre seus colaboradores e declarou que as edições são de sua exclusiva responsabilidade.
      sim, claro, meu trabalho é este. perante informações ou dados estranhos, levanto elementos, pesquiso bibliografias, adquiro livros, avalio, cotejo, analiso, entro em contato com editoras, tradutores, sucessores, quando possível, aí publico minhas conclusões devidamente ilustradas com exemplos documentais. claro que isso é custoso e demorado, faço como um trabalho voluntário, pois julgo que é um problema importante que merece atenção e dedicação. mas tenho meus compromissos profissionais durante o dia, prazos a cumprir para entregar minhas traduções e assim por diante. costumo fazer pesquisas à noite. mas sim, claro, com calma e paciência costumo levantar e avaliar o catálogo completo das editoras que pesquiso até considerar que a pesquisa foi completa, na medida do possível e de minhas forças. é um trabalho de muitos anos, que consome bastante tempo. então fique tranquilo, assis - não é uma questão de coragem, é uma questão de tempo e paciência.

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    2. "Para mim, parece importante esclarecer se há um esquema sistemático de plágio na Boitempo ou se é o crime de uma só pessoa, a tradutora".

      Suponhamos que a tradutora tenha agido de má-fé, pego a tradução da Denise, feito a maquiagem toda e entregou o material para a Boitempo, como se ela o tivesse feito. Então, o que me causa estranheza é: se fosse este o caso, por que a Boitempo iria citar o copyright da Brasiliense no livro? Não bastaria apenas citar o copyright da obra original?

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  3. Patricia Souza2.8.12

    Denise, eu não sabia da questão do copyright garantido para os herdeiros por 70 anos. É assim mesmo ou foi figura de linguagem? Se for assim, está mais do que claro o motivo, tanto da falcatrua como do uso da progenitora. Boto a tradução no nome de alguém da família e não preciso pagar mesada pra filho nem neto. O Waltensir paga.

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  4. olá, patrícia, não é figura de linguagem, não, é o que dispõe a lda, artigo 41 em diante. o prazo de proteção autoral se estende por mais setenta anos após a morte do autor. é uma loucura, mas é assim que é. por isso tem tanta briga de herdeiro.
    no caso do falecimento do waltensir, os direitos sobre sua obra estão na guarda da família em linha direta: esposa, filhos, até 2064. se for solteiro e não tiver filhos, é sobrinho, como o caso da elena quintana que tem a guarda da obra do mario quintana. o problema é que muitas vezes o pessoal não se interessa, deixa largado mesmo. eles, se quiserem, podem acionar tranquilamente a editora por danos morais e materiais, claro. agora, se é obra abandonada, se os herdeiros não se interessam, ela em princípio passa para o domínio público, e aí é livre.
    agora, em nenhuma hipótese, seja abandonada ou não, seja DP ou não, NUNCA, NUNCA, NUNCA se pode eliminar o nome do autor nem alterar a integridade da obra.
    não é porque cervantes é domínio público que uma editora vai, pega a obra e tasca uma autoria de "pepe de las casas" e cria um novo copyright para si. ou pega um machado de assis, dá umas retocadas e publica como josé pereira da silva, com copyright para si.
    direito moral jamais cessa, mesmo depois de morto, enterrado, cremado.
    tradutor, a mesma coisa.

    minha questão, a coisa que eu defendo muito, não é a defesa patrimonialista da lei autoral: é essa imensidão de obras abandonadas que temos no país que várias editoras pegam para si, e recriam um novo copyright, e que acaba sendo um roubo de um patrimônio que já seria público. (embora aqui não seja o caso, pq o original em si, do mészáros, não está em DP - mas, quanto à tradução, continua a ser um saque de sepultura, como diz o jorio dauster).

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    1. Denise, uma pequenina correção: quando morre o autor, a obra só entra em domínio público se não houver herdeiros; o abandono da obra por desinteresse dos herdeiros não a coloca em domínio público em termos legais. (Comento essa minúcia pois o seu blog já vai virando referência...)
      Parabéns pelo trabalho. Tenho confiança de que aos poucos ele vai provocando mudanças no meio editorial.

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    2. sim, miguel, vc tem toda razão. fui esquemática demais. mesmo a caracterização com "obra órfã" e "obra abandonada" demanda algumas providências (penso basicamente na "busca diligente" devidamente comprovada) antes de poder transitar para o domínio público. e a desgraça no brasil (mas não só) é que a tutela pública de nosso patrimônio imaterial é patética, quando não inexistente. ou seja, nosso DP é de chorar de rir e de rir para não chorar.

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    3. esqueci de apresentar meus agradecimentos, miguel. aqui ficam: obrigada.

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  5. Anônimo3.8.12

    Denise, a Boitempo publicou ontem uma nota, muito serena, em que se compromete a verificar as obras, até tirando-as temporariamente de circulação. Não seria o caso de dar-lhes um tempo para encerrar essa verificação? Deste modo, desculpe, mas fica mesmo parecendo perseguição, que será instrumentalizada por veículos tendenciosos, como a Folha de São Paulo. Pense nisso. Cordialmente, Vera Pereira

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    1. Vera, desculpe me intrometer, mas:
      1) existe jornal de esquerda no país, quer dizer, quais seriam os jornais "amigos" da boitempo? como jornalista, além de tradutora, não me lembro de nenhum veículo de comunicação "mainstream" que fosse amplamente de esquerda - nem o estadão é mais, se é que foi um dia...
      2) as datas de publicação não são recentes... será que não deu tempo do Emir Sader perceber que prefaciou um livro que ele já tinha revisado uns anos antes? Sério?
      3) transformar isso numa disputa ideológica SEMPRE foi a tática da boitempo... gente, esse filme já passou... aliás, o que é esquerda pra eles? O PT do mensalão? O pessoal tá precisando atualizar "djá" o conceito de partidarismo, etc., por aqui.
      4) a boitempo pode levar o tempo que quiser, mas como consumidora e ex-professora substituta da UERJ e da UFRJ - eu sempre recomendei os textos da boitempo para os alunos - sinto-me lesada pelo que andam fazendo; para não mencionar a questão dos copyrights, etc.; gostaria de saber se há mais livros nesta situação "confusa" e gostaria que a Denise ou outros continuassem a expor isso ao público.
      Não é a esquerda ou a direita que estão sendo prejudicadas aqui, Vera, é o leitor e são TODOS os tradutores que foram roubados em sua força-de-trabalho pela prática daninha da editora! Não importa quem fez o quê - não importa nem quem seja a isa tavares, no fim das contas! - o que importa é que textos foram, sim, utilizados - até onde sei SEM a autorização dos LEGÍTIMOS tradutores, e que o leitor foi enganado ao comprar uma tradução que PODERIA até JÁ ESTAR em domínio público, à qual ele poderia ter acesso DE GRAÇA!
      Se ninguém entendeu que o buraco aqui é muito mais embaixo do que essa questão de partidinhos-políticos-brincando-de-guerra-fria, então, vocês estão MESMO precisando reler Marx e Engels...
      Ana R.

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    2. Anônimo3.8.12

      Bom, eu acho que você também anda precisando reler algumas coisas, em primeiro lugar, a nota da Boitempo. Eles gastaram 1 parágrafo dos 7 divulgados para dar uma cutucada na Folha. Justa, aliás.

      A Boitempo não transformou a questão em disputa ideológica. Quem fez isso foram os comentaristas afoitos de internet...

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    3. Como leitora dos livros da Boitempo, não me sinto nem um pouco enganada pela editora. Na verdade, penso que fazer a defesa do leitor, apontando problemas de tradução, é mais que retórica demagógica: é fazer algo em nosso (dos leitores) nome sem ter legitimidade para isso. Se Denise se deu a tarefa de cotejar traduções e apontar plágios, perfeito, é um direito dela, mas alegar que isso é feito para que leitores não sejam enganados é "maternalismo" populista. Eu, como leitora, jamais lhe pedi isso. Na verdade, apesar de avaliar o trabalho de Denise como importante, discordo do método que ela usa, o de fazer acusações sem saber de quem é a responsabilidade. No caso da Boitempo, tenho informações de que Denise entrou em contato com a editora, que prometeu averiguar a denúncia. No entanto, sem esperar a averiguação, e sem dar chances de a Boitempo identificar responsáveis, Denise começou a fazer acusações. Nem mesmo a polícia age dessa maneira. As investigações correm em segredo e todas as partes são ouvidas. O modo de agir da Denise, denunciando e acusando sem ouvir a outra parte e sem dar tempo a que as responsabilidades sejam apuradas, lembra, infelizmente, o modo de agir de agentes das ditaduras. Cara Denise, evite julgar sem o devido processo de apuração. Lembre-se de que o que é registrado na internet nunca mais será eliminado -- alguém sempre terá arquivos para recolocar na rede. Não suje o nome de pessoas que trabalham honestamente. Apontar plágios é útil, saudável e importante. Acusar e julgar sem dar tempo de defesa à outra parte, e sem ouvi-la, sem permitir que ela dê sua versão dos fatos NA MESMA POSTAGEM EM QUE É FEITA A ACUSAÇÃO, é uma atitude que viola direitos básicos do ser humano. Um abraço.

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    4. Bruce Torres14.8.12

      Não sou a Denise, mas não pude deixar de "fiskiar" seu texto, sra. Baby Abrão - principalmente porque sua edição de "Poética" faz parte do meu TCC. Espero que não leve a mal:

      "Como leitora dos livros da Boitempo, não me sinto nem um pouco enganada pela editora."

      Com todo o respeito, sra. Abrão, mas se a editora publica dados falsos, qualquer leitor pode - e deve - se sentir enganado, a não ser que a senhora saiba que isso é praxe da Boitempo, uma espécie de "ética" desvirtuada. Dou à editora o benefício da dúvida de isso - o plágio - ter sido resultado de conluio ou má fé demonstrada por terceiros. Ainda assim, fica a dica à editora de procurar desenvolver mecanismos que impeçam tal ocorrência no futuro.

      "Na verdade[..]."

      Nem todo leitor é capacitado com ferramentas analíticas que propiciem uma compreensão do processo de tradução ou dispõe de tempo útil para fazer cotejo. Antes de tudo, um tradutor também é um leitor. A senhora, sendo também tradutora, deveria lembrar-se disso.

      "Se Denise se deu a tarefa [...]"

      E como devemos considerar a postura da Boitempo, Martin Claret, Rideel, Saraiva, entre outras editoras que tiveram sua imagem manchada por tal feito? "Socialismo mercadológico"? (Em tempo, sou grato aos marxistas e à turma vermelha pelos estudos de literatura desenvolvidos no século XX).

      "Eu, como leitora, jamais lhe pedi isso."

      A senhora talvez, mas creio que ela, também na qualidade de tradutora, tenha percebido que alguém tem que fazer o trabalho "sujo": mostrar que "há algo de errado no reino da Dinamarca".

      "Na verdade, apesar de avaliar o trabalho de Denise como importante, [...]"

      Mas a senhora percebeu que as próprias editoras se negam a reconhecer a responsabilidade? Custou para a Martin Claret admitir a prática do "empréstimo" de tradução, a Landmark tentou processar a sra. Bottmann, etc. Até o momento não sabemos o que de fato houve na Boitempo, e isso porque já é a terceira nota de esclarecimento.

      "No caso da Boitempo, tenho informações de que Denise entrou em contato com a editora, que prometeu averiguar a denúncia."

      Ela mesma menciona isso. Com todas as editoras.

      "No entanto, sem esperar a averiguação, e sem dar chances de a Boitempo identificar responsáveis, Denise começou a fazer acusações."

      O dever é, primeiro, para com os leitores. Como notado em outros posts, é preciso interromper a proliferação de material plagiado no meio acadêmico.

      "Nem mesmo a polícia age dessa maneira. As investigações correm em segredo e todas as partes são ouvidas."

      Assim deixando os leitores no escuro? Estamos falando de livros, não de um assassinato!

      "O modo de agir da Denise, denunciando e acusando sem ouvir a outra parte [...]"

      A outra parte foi ouvida - ela sempre é. Aliás, por que seu argumento precisa sempre apelar para a política?

      "Cara Denise, evite julgar sem o devido processo de apuração. Lembre-se de que o que é registrado na internet nunca mais será eliminado -- alguém sempre terá arquivos para recolocar na rede."

      Com um subtexto desses, não há o que dizer, não é mesmo? Aliás, querendo consultar arquivos antigos do blog, uma dica: olhe para a barra da direita. :D

      "Não suje o nome de pessoas que trabalham honestamente."

      Isso porque há um plágio envolvido, certo?

      "Apontar plágios é útil, saudável e importante."

      Este argumento destoa do restante do texto.

      "Acusar e julgar sem dar tempo de defesa à outra parte, e sem ouvi-la, [...]"

      Creio que a ONU tenha mais com que se preocupar que com o manual de etiqueta de postagens em blogs. Eu mesmo desconheço essa "regra", contudo, acho pertinente. Entretanto, venhamos e convenhamos que a resposta da Boitempo foi publicada em outros posts.

      Obs.: Como há um máximo de caracteres, a "regra" estabelecida por mim é que "[...]" indica o restante da linha até o começo da frase "fiskiada" a seguir. Um abraço. :D

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  6. Aliás, Denise, a lógica da "tradução por sinonímia" é a mesma que muitos acadêmicos aplicam para "tirar as aspas" de citações, não é? Sempre achei que se devesse realmente parafrasear o que se quer dito indiretamente, e não apenas trocar palavras. Meio canhestro isso. Mas reparei que é hábito extenso entre os pensadores de nossas letras. E acaba culminando nessas "traduções parafraseadas" que pululam por aí.

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  7. Sou uma tradutora portuguesa e há algum tempo que sigo os seus artigos acerca dessa editora. E a primeira ideia que me vem à cabeça é: ou a Boitempo sabe o que se passa e, então, essa Isa Tavares pode nem sequer existir - ou a editora está a ser enganada por uma das sua tradutoras. Hmmm... Quanto à lei dos direitos, são 70 anos, sim, a lei é internacional. Se bem que, em Portugal, ela não se aplique aos tradutores porque, a não ser uma ou duas "glórias" das nossas letras, o nosso trabalho é considerado técnico e não autoral. Apesar do que diz a lei. Sou tradutora para teatro também e, aí, recebo direitos de autor. Nas editoras, não. Não pagam assim. Uma vez o livro publicado e pago, acabou.

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  8. Denise, a Isa Tavares não é da família do Wilson Hilário Borges? Ela não seria casada com o Pietro Nassetti, irmã do Enrico Corvisieri e prima do Jean Melville?

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    1. daria uma ciranda e tanto, alfredo.

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  9. Eco, como diz Alfredo Monte, Isa Tavares pode ter linhagem sanguínea da famosa "Family of Ghosts"... Lembro-me muito bem que na biblioteca da UFPR (Universidade Federal do Paraná), constavam muitos exemplares desta obra na edição da Boitempo. Imagino que em outras universidades a coisa não deva ser diferente... Leituras, publicação de artigos, monografias, teses (mestrado e doutorado) tendo como referências, obras com possíveis problemas... É catastrófico.

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    1. exato, everton, concordo: este me parece o aspecto mais calamitoso mesmo. por isso também mantenho a tag "nas escolas", com exemplos dessa difusão sob a chancela institucional (e involuntária) das escolas, das teses, dos estudos etc.

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  10. Isa Tavares é o caso menos metafórico de "lost in translation" de todos.

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  11. Anônimo3.8.12

    A denúncia é séria, assim como deverá ser a averiguação dos fatos.

    Acusações tão sérias jamais poderiam ser analisadas, questionadas e explicadas em um espaço tão curto de tempo.

    Como colocado acima, esta tempestade de acusações sem dar tempo ao tempo, ao que me parece, só reafirma o caráter político e polarizado do que tem sido aqui veiculado.

    Cara Denise, caso realmente esteja preocupada com a questão do plágio e dos direitos supostamente violados, sugiro que, mais do que todos, não apresse este importante processo de análise, a perigo de violar a seriedade do seu trabalho.

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  12. prezado anônimoo: cabe informar que apresentei longamente este caso à boitempo editorial no dia 4 de julho, quase um mês atrás. desde então, a editora não prestou nenhum esclarecimento a respeito. tendo ela, por outro lado, verificado prontamente os outros dois casos que apontei mais tarde, reitero meus votos de que a apuração em curso, envolvendo as demais traduções em nome de isa tavares, contemple também este caso.

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  13. Anônimo3.8.12

    Deve-se dizer que os esclarecimentos da Boitempo (através de sua editora adjunta) a respeito da obra A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, de Engels, não foram satisfatórios e sequer foram tratados oficialmente nas duas Notas emitidas pela Editora até o momento. Parece tratar-se de apropriação de uma tradução feita para a Global nos anos 1980 (por Rosa Camargo Artigas e Reginaldo Forti) cujos créditos foram atribuídos a pessoa inexistente (Bernhardt A. Schumann). A Boitempo deve manifestar-se também a respeito dessa obra para manter o seu bom nome e a seriedade que a caracteriza até o momento.

    Creio ser saudável que a Denise continue o seu trabalho de investigação e apresentação dos casos problematicos de apropriação indevida de traduções alheias independentemente do que seria mais conveniente para a Boitempo. Afinal de contas, como no caso exposto anteriormente, parece ser necessária uma certa "pressão" para que a Editora se preste a tomar providências a respeito das traduções "problemáticas".

    Naturalmente, não se trata de questões políticas, como certos comentários querem fazer parecer, mas sim de problemas éticos e legais em que o trabalho autoral de tradutores é usurpado, em que os consumidores/leitores são fraudados etc.

    D.A.

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    1. sim, prezado d.a., fiquei espantada com a pretensa explicação da situação da classe trabalhadora na inglaterra. se for verdade mesmo que foi josé paulo netto que fez aquela antiga tradução da global, conforme expôs a boitempo, fica criada a suspeita em torno de reginaldo forti e rosa maria artigas. achei muito grave. espero que não passe de apenas mais um de seus "equívocos".

      sim, bem posto: não há por que subordinar a apresentação das irregularidades aos interesses e à conveniência da empresa.

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  14. Cara Denise, como admiradora de longa data do seu trabalho no blog, gostaria de deixar minha solidariedade e aplaudir as suas últimas declarações. De fato, o trabalho minucioso e preciso de um tradutor tem que ser reconhecido em si, e, independentemente da questão dos direitos autorais, usurpar fruto de trabalho alheio fingindo que é nova tradução me parece altamente condenável.
    Os indícios de má-fé vão se acumulando neste caso da Boitempo, e os que querem discuti-lo apelando para imaginárias perseguições de jornalistas "de direita" fariam melhor em reler seus posts sobre a questão: certamente deixaram escapar, numa leitura apressada, a forma cuidadosa e responsável com que você vem tratando tão grave assunto.
    Grande abraço!

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    1. muito obrigada, renata. parece-me realmente diversionista esse tipo de reação emocional virulenta, sobretudo de "anônimos" que parecem desconhecer o grave tema dos plágios de tradução e tantos anos de luta e combate dos tradutores contra práticas inescrupulosas de várias editoras, independentemente de suas cores e bandeiras.

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  15. se a boitempo for minimamente séria ela vai se pronunciar a respeito

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    1. sim, eduardo, é o que também espero. e não só se pronunciar, como também tomar as providências necessárias.

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  16. Começo a desconfiar que os Anônimos todos são Isa Tavares. Esta mulher é uma brincalhona. E nós aqui, preocupados com o sumiço dela! Ai, ai...

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    1. haha, vai ver que é isso mesmo, refrator!

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  17. Anônimo4.8.12

    Sou historiador, professor universitario e nunca fui publicado pela Boitempo. Conheco, no entanto, o trabalho da editora e autores por ela publicados. Tomei conhecimento deste caso pela nota emitida pela Boitempo, mas somente hoje pude me inteirar melhor dos fatos, lendo todos os posts e comentarios aqui. Nao poderia me furtar de tecer algumas consideracoes.
    Antes de mais nada, os fatos: este blog acusou a editora de ter se qpropriado de traducao feita ha quase 40 anos. A editora publicou em seguida uma nota em que compremetia a averiguar o que houve. Mas o blog continou a publicar suas apuracoes e um jornal de grande circulacao deu grande destaque ao fato. Pude perceber tambem que nao agiram assim das ouras vezes. Notei que alguns comentarios aqui publicados recusam a hipotese, a mim muito clara, de perseguicao politica. ora, ninguem que trabalhe com livros desconhece as opcoes da Boitempo. pode-se concordar ou nao com elas, mas desconhecer jamais. Me pergunto entao: por que foi ela escolhida, em meio a tantas outras, e justamente em um moento em que parecia ganhar mais espaco, trazendo ao pais autores importantes?
    Ninguem aqui deve desconhecer tb o importante trabalho da editora em traduzir Marx dos originais. Ate nao muito tempo, quando fiz faculdade, so se lia Marx em edicoes quase piratas, vertidos do espanhol ou frances e era comum as raducoes serem atribuidas a pessoas inexistentes ou que apenas davam seus nomes. Algumas dessas editoras continuam atuantes, sao muitas vezes grandes, por que nao foram investigadas?
    Nao quero defender que a Boitempo esteja acima de erros, mas gostaria que as razoes que levaram a isso tampoco fossem escamoteadas. Vi muitos comentarios recusando a ideia de esquerda-direita, Essas pessoas acreditam que a luta ideologica acabou?
    Minha preocupacao eh onde pode levar isso. A Boitempo eh a unica editora de esquerdq a conseguir projecao, nao apenas no Brasil. No incio deste ano esteve comigo um historiador frances que teceu enormes elogios a editora. Esse linchamento publico pode ter algum saldo positivo? Se a editora errou, que lhe seja dada a chance de corrigir. Lembram o que foi feito na Escola Base?
    Mais que os posts em si, fiquei assustado com o nivel dos comentarios. Um blogue como este deveria moderar os animos, manter e discussao em alto nivel. Ou poderah no futuro cair em descredito, nao apenas por reunr em torno de si pessoas de concepcao politica extremista, ou que tenham rancores de outra ordem contra a editora, mas por ter prestado um desservico ao mundo editorial, pelo menos no que se refere as ciencias humanas.
    Nao emitam tao rigorasamente juizo sobre o que nao esta concluido.
    Me desculpo pela extensao desta mensagem e pelos erros, estou com problemas no teclado.
    Atenciosamente, Luis Martins

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    1. sim, luís, é grave mesmo. também sou historiadora, também sou, ou melhor, fui por muitos anos professora universitária e a proposta da editora me parecia muito séria e importante. espero vivamente que ela chegue a bom termo na elucidação dos problemas em seu catálogo.

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  18. Anônimo4.8.12

    Caberia confrontar a "tradução" da obra de Mészáros: Educação para além do capital. Existe um tradução publicada anteriormente aqui: http://resistir.info/meszaros/meszaros_educacao.html

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  19. Doutor de Higienópolis4.8.12

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    1. prezado doutor de higienópolis: até publiquei seu comentário, mas depois tive por bem removê-lo. por mais que eu possa entender sua posição, eu preferiria evitar colocações que possam vir a servir de combustível para ânimos ideológicos que já me parecem suficientemente inflamados por si sós, aqui no espaço dos comentários. agradeço a compreensão,
      denise.

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    2. Doutor de Higienópolis5.8.12

      Sim minha cara, eu entendo e compreendo. Continue o belíssimo trabalho. Tens em mim um admirador. Gostaria de mandar rosas a você, e cantar-lhe uma serenata. Beijos

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  20. Olha, pra mim ficou muito claro que a Boitempo sabia que a tradução era copiada, pois incluiu o bizarro copyright da Brasiliense para "se garantir". Se eles tivessem sido enganados por uma tradutora mau-caráter que se apossou da tradução da Denise, alterou algumas palavras e assinou o próprio nome, por que cargas d'água eles iriam colocar o tal copyright da Brasiliense?

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