1 de ago de 2012

nota da boitempo editorial II

em relação a dois livros publicados pela boitempo que supostamente teriam sido traduzidos por isa tavares, que comentei em vários posts agrupados neste link, a editora divulgou uma nota em 30/07, reproduzida aqui. hoje foi divulgada uma segunda nota, reproduzida abaixo. fico feliz que a editora esteja tomando providências com presteza e boa vontade. 
Nota de esclarecimento II 
No dia 30 de julho de 2012 a Boitempo Editorial iniciou um processo interno de conferência da tradução e edição dos livros citados no blog “Não Gosto de Plágio”, após este levantar questões relativas a dois de seus títulos. A editora está empenhada em averiguar cada ponto indicado pela tradutora Denise Bottmann e se manifestará ao fim desse processo. Vale ressaltar que as traduções postas em dúvida representam um número inexpressivo no catálogo da editora, o qual soma cerca de 350 títulos.
Mesmo não tendo concluído esse processo, a editora verificou problemas na tradução dos livros mencionados no blog – Considerações sobre o marxismo ocidental/ Nas trilhas do Materialismo Histórico, de Perry Anderson, e Lacrimae rerum: ensaios de cinema moderno, de Slavoj Žižek – e está revisando outros trabalhos da mesma tradutora.
Com o intuito de tranquilizar seus leitores e colaboradores e fortalecer a relação de confiança que continua a nos ser dispensada, a Boitempo decidiu interromper a distribuição dos títulos mencionados, conforme informado na primeira nota de esclarecimento. Em demonstração de respeito a nossos leitores aceitaremos a devolução dos títulos citados, por correio (com frete por conta da Boitempo), e nos comprometemos a depositar o valor de capa do livro na conta do leitor. Aqueles que quiserem devolver seu exemplar devem enviar e-mail para vendasboitempo@gmail.com informando o(s) título(s) que deseja(m) retornar para receber instruções.
Hoje, dia 1º de agosto, o jornal Folha de S.Paulo publicou matéria dando destaque apenas a esse caso, que é um entre centenas envolvendo várias outras editoras – inclusive o próprio Grupo Folha –, divulgados ao longo de anos no blog da tradutora. Isso deixa ver a parcialidade e as motivações da matéria com relação à Boitempo, que – como o jornal aponta – "tem como eixo o pensamento de esquerda".
Aproveitamos a ocasião para reiterar que a informação referente ao parentesco familiar entre a tradutora das obras e nossa editora não procede e tampouco foi fornecida por fontes internas da Boitempo. Temos por princípio não expor nossos colaboradores e assumimos a total responsabilidade sobre as edições.
Vamos agir da maneira mais correta possível para corrigir os problemas e continuar a merecer a confiança integral de nossos autores, leitores, colaboradores e amigos. Gostaríamos de agradecer às pessoas que se posicionaram a favor da Boitempo, reiterando apoio à nossa linha editorial e destacando que até hoje a postura da editora sempre foi impecável tanto com relação aos colaboradores e leitores quanto na escolha e no cuidado com os livros.
Na certeza de que tudo será resolvido da melhor maneira possível, contamos uma vez mais com a compreensão e o apoio de todos. Confiamos que o prestígio da editora, conquistado com anos de trabalho criterioso, não será manchado por esse infeliz episódio.
Boitempo Editorial 
reproduzo abaixo a matéria publicada pelo jornal folha de s.paulo, a que se refere a nota acima, por envolver também minha pessoa:
Uma denúncia envolvendo pelo menos dois casos de plágio de tradução está agitando o mercado editorial. Os livros em questão são "Considerações sobre o Marxismo Ocidental", de Perry Anderson, e "Lachrimae Rerum", de Slavoj Zizek, ambos lançados pela Boitempo, em 2004 e 2009, respectivamente.
A tradutora Denise Bottmann diz ter descoberto que os dois livros se utilizam de traduções já publicadas. No caso de Anderson, teria havido cópia da tradução feita por ela mesma e lançada em 1984 pela editora Brasiliense.
Já na obra de Zizek, a Boitempo teria se aproveitado de tradução da editora portuguesa Orfeu Negro (2008).
Nos dois livros, os textos são praticamente os mesmos. Há apenas mudanças sutis, como a troca do verbo "argumentar" por "afirmar" ou "em que" no lugar de "onde".
Bottmann pediu que quatro colegas traduzissem um mesmo trecho da obra de Zizek e publicou o resultado em seu blog para ilustrar como as diferenças são mais substanciais quando o trabalho é realizado por outra pessoa.
"Duas traduções nunca são iguais", diz Bottmann, tradutora de mais de cem obras para editoras como Cosac Naify e Companhia das Letras. Para ela, com boa vontade poderia se dizer que o livro da Boitempo consiste em uma revisão de sua tradução. "O problema é que, mesmo assim, ela não foi creditada devidamente", aponta.
A tradução da Boitempo é assinada por Isa Tavares, responsável por outras quatro obras da Boitempo.
Fontes ligadas à editora disseram que Tavares é mãe de Ivana Jinkings, dona da Boitempo. A publisher negou a informação em e-mail ao jornal.
Quem assina o prefácio de "Considerações..." é o sociólogo Emir Sader. Curiosamente, foi ele quem coordenou a revisão técnica da tradução de Bottmann na Brasiliense.
Max Welcman, editor da Brasiliense, afirma que não há nenhum documento autorizando o uso da tradução.
Apesar disso, na página de créditos do livro da Boitempo consta menção de copyright da edição da Brasiliense.
"Uma editora citando a outra nos créditos é a coisa mais estranha do mundo. Não faz sentido", diz Welcman.
Criada em 1995, a Boitempo já ganhou vários prêmios Jabuti e se notabilizou pelo lançamento de obras ensaísticas sobre política, economia e história, tendo como eixo o pensamento de esquerda. 
OUTRO LADO 
Procurada pela Folha, Ivana Jinkings não quis dar entrevista e, em e-mail, negou ser filha de Isa Tavares.
Enviou uma nota, na qual afirma que a editora "já está averiguando os problemas apontados nas duas obras e se responsabiliza por tomar as providências necessárias, caso [eles] sejam confirmados".
Acrescenta que "enquanto não forem esclarecidos os pontos, a editora interromperá a distribuição dos títulos; se confirmadas as informações, serão compensados todos os profissionais envolvidos".Isa Tavares não foi localizada.
Até o fechamento desta edição, os livros apareciam como disponíveis no catálogo da editora.
disponível aqui

11 comentários:

  1. Prevejo o desaparecimento sem deixar rastros da "tradutora" Isa Tavares, que não será nunca reconhecida como Maria Isa Tavares Jinkings. Interessante que mesmo na nota de desculpas eles arranjam espaço para uma *teoria da conspiração contra a esquerda*. Porque né. Pra que desperdiçar espaço se dá pra usar a favor.
    Grande abraço e força na luta, Denise.

    ResponderExcluir
  2. renata, se eles dizem que não é, então não é (a moça que me atendeu lá pode ter se confundido, coisas assim; o que importa é a manifestação oficial da editora, a meu ver). resta saber quem é. ou nem resta, nem vem muito ao caso: pietro nassetti era dentista do martin claret, ao que consta por antigas fontes internas da editora; enrico corvisieri era fictício, lá na nova cultural; e assim por diante. o importante são as providências, acho eu. no balanço geral, passado o alvoroço, creio que o ganho será de todos, leitores, autores, tradutores, inclusive a própria editora, que ficará com um catálogo sem esse tipo de coisa.

    ResponderExcluir
  3. É... uma mordidinha no queijo mas... Importante manifestação da editora, pouquíssimas vi fazer este tipo de coisa, abrangendo todos os envolvidos, inclusive os leitores que compraram estes exemplares problemáticos. Parabéns a editora pela atitude. Tomara que bibliotecas que tenham estes títulos com problemas tomem nota do ocorrido e retirem os livros das prateleiras... Os doutos em "opinionismo" que travaram uma verdadeira frente de batalha contra você Denise, deveriam ver isso, e como a editora, ter a decência, de publicamente, registrar seus equívocos... Mas humildade é para poucos... Parabéns ao trabalho de Denise.

    ResponderExcluir
  4. Essa relação Ivana Jinkings e a remota Isa Tavares (que já parece mr. Kurtz de HEART OF DARKNESS inclusive pelo "horor, o horror") já virou algo do gênero Rai-Zeca Camargo.
    Só espero que a coisa não vire cabo-de-guerra entre a Boitempo e a Folha.

    ResponderExcluir
  5. Ops, não "horor", mas "horror", me referindo, é claro ao plágio descarado.

    ResponderExcluir
  6. Fabrizio Lyra1.8.12

    Para mim, o mais importante de tudo é a conclusão justa e CIVILIZADA dessa história. A Boitempo reconhece elegantemente que há problemas nas traduções e toma providências para ressarcir e compensar a todos. Alguns, talvez, considerem que essa atitude da Boitempo é um reconhecimento de culpa e que ela deva ser considerada uma editora sem seriedade por causa disso. Esse pensamento pode ser precipitado especialmente quando se coloca uma questão ideológica que não vejo qual relação possa ter com o plágio como já disseram por aqui. Se houve erro dentro da editora, ela mesma, ao ser denunciada, humilde e serenamente fez sua retratação, se posicionando oficialmente a favor de dar o que é de direito a quem o tem. Isso é o que está sendo veiculado externamente pela empresa e creio ser o que importa para o público, o leitor. Eu não possuo as obras questionadas, não fui lesado mas parabenizo e agradeço a Boitempo pela sua iniciativa correta de prontamente tomar medidas. E, mais uma vez, agradeço e parabenizo a Denise esperando que mais essa batalha dela e todas as discussões que foram feitas aqui gerem frutos positivos e os cuidados necessários no futuro.

    ResponderExcluir
  7. Eu tenho o livro do Slavoj Žižek, mas não pretendo devolvê-lo, não. Vai que ele vira item de colecionador, não é?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Bruce Torres2.8.12

      Que nem LP do Milli Vanilli? :D

      Excluir
    2. HAHAHAHA!!! Nossa, não, acho que não chega a tanto...

      Excluir
  8. Você tem razão, Denise. Mais importante, agora, é o reconhecimento do erro,e é bacana essa atitude de se propor a ressarcir os lesados - inclusive os leitores. Parabéns.
    E quem é, de fato, no que se refere especificamente à tradução e ao plágio, não vem ao caso.

    ResponderExcluir
  9. Gente, eu agora que estou lendo os comentários e longos debates e os posts sobre as denúncias da Denise contra a Boitempo. O que me espanta é ver as pessoas defendendo cegamente a empresa só porque é uma editora de esquerda. Dizendo que a Denise tinha que dar tempo pra editora se explicar, fazer uma defesa.

    Imaginem se a Caros Amigos, o Brasil de Fato e a Carta Capital enchessem a caixa de mensagem do PSDB e do DEM com as notícias esperando pra cada uma um tipo de defesa fundamentada, uma auditoria interna, um mês quem sabe?...
    Imaginem se as viúvas do Martin Claret viessem chorar o desrespeito que a rapidez das denuncias é para uma editora com um nome tão consolidado.

    Sinceramente...

    E quem é Isa Tavares?

    ResponderExcluir

comentários anônimos, apócrifos e ofensivos não serão liberados.