14 de ago de 2012

martin claret e o programa do livro popular

muito boas as ponderações de felipe lindoso, um dos nomes mais sérios, bem informados, sóbrios e combativos na luta pela democratização do livro no brasil:

A imprensa assinalou que a Martin Claret foi uma das editoras que mais vendeu exemplares no programa, apesar do levantamento feito pela Denise Bottman mostrando que várias de suas traduções eram, na verdade, plágio de outras anteriormente publicadas.

Na ocasião eu me manifestei a favor da retirada desses títulos do programa, pela incorreção das informações proporcionadas pela editora. A Biblioteca Nacional – através de seus procuradores – se manifestou contra isso. Os procuradores afirmavam que só se poderia “tirar do mercado” livros a partir de uma decisão judicial transitada em julgado.

Ora, não se tratava de tirar livros “do mercado”, mas simplesmente do Programa. Tal como o FNDE eventualmente atua quando os livros não estão dentro do padrão desejado.

Além do mais, a editora declarou, na época, que iria retirar os livros “com problemas” do cadastro. Não o fez.

Assim, livros problemáticos permaneceram no programa.

A Martin Claret anunciou recentemente, segundo a jornalista Raquel Cozer, da Folha de S. Paulo, que estava relançando dezoito títulos com novas traduções. Melhor para ela, mas o estrago já foi feito.

Felizmente, segundo informações do desempenho do programa, os títulos que puxaram as vendas da Martin Claret foram, principalmente, de literatura brasileira e portuguesa. Mas, evidentemente, foram vendidos também exemplares dos títulos plagiados.

Esse é um dos pontos que, pessoalmente, considero que deve ser melhorado no programa.
a íntegra de seu artigo, publicado na publishnews de hoje, está aqui.

sobre o tumulto e a devastação que a martin claret cria no cenário do programa de abastecimento das bibliotecas públicas brasileiras, ver aqui.

5 comentários:

  1. Denise,

    esse tipo de problema é assustador como você tão bem explica sobre todos os livros, teses e estudos que já foram publicados com referências erradas.

    E ultimamente tenho percebido que estão "desovando" (em falta de palavra melhor) uma quantidade imensa de livros, desse tipo, principalmente em sebos virtuais. Você bate o olho e já sabe... E por ser bem mais barato, certamente vão se perpetuar.

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  2. olá, raquel, interessante a tal desova que vc menciona...

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  3. Anônimo25.1.13

    Se algumas pessoas se dão ao luxo de pagar por livros caros,e principalmente se são leitores,integrais,com toda a bagagem cultural e subjacente ao ato de ler,parabéns!Todavia,gostaria de apontar que vivemos num país de semi-analfatetos,que talvez,não teriam condições de arcar com os custos vinculados a prática da leitura de livros,desconhecem a importância do ato de ler,e muito menos sabem do que se trata um clássico da literatura.Neste sentido,se a "desova",mesmo que permeada de plágios,contribuir para a formação de brasileiros leitores,será excelso!No mais,que a centelha cultural,possa resplandecer cultura ao povo do Brasil,para que os bens culturais não se tornem coisas de apropriação de poucos,o que acontece com as riquezas materiais desta nação.Que a "desova",ao findar do murmúrio da piracema,possa fazer germinar o pão do espírito,aos carentes da alma.

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  4. Anônimo26.1.13

    Quero lançar os cumprimentos a magnificente Denise Bottmann,por possibilitar um espaço democrático e com espírito de civilidade.Me refiro diretamente ao fato de permitir a publicação de um dos comentários,mesmo que sendo um "endosso" que a princípio foi de encontro a política do blog.O felicito pela dedicação ao desenvolvimento intelectual,e agradeço por compartilhar de um espaço tão rico,com o qual estou me familiarizando.Parabéns pela equanimidade!

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  5. Gustavo Santos15.9.16

    Bom dia, Denise! Há alguns anos atrás, cheguei a comprar algumas edições da Martin Claret devido ao baixo custo das mesmas e só mais tarde fui descobrir os diversos casos de plágios cometidos pela editora. Fiquei decepcionado na época e deixei de adquirir seus produtos.
    No entanto, de 2014 pra cá, tenho percebido um grande esforço por parte dela em se redimir com o mercado editorial brasileiro e decidi dar-lhe uma nova chance. É notável que a Martin Claret passou por uma reforma digna, principalmente, na intenção de superar/sanar os pesares ocorridos no passado. Atualmente, voltei a acompanhar a editora e confesso que estou gostando bastante das novas traduções e dos projetos gráficos empregados nas obras publicadas. Os preços dos livros em formato pocket continuam sendo muito satisfatórios, o que facilita o acesso a pessoas que, assim como eu, não tinham muitas alternativas condizentes com seu bolso. Eu, pessoalmente, sempre dou prioridade àquelas traduções que considero sendo melhores e mais fiéis ao texto original, o que às vezes, me motiva a fazer certos sacrifícios para adquirir algum exemplar da Cosac Naify ou da Editora 34, por exemplo, mas ainda assim, no que diz respeito a algumas obras de domínio público, tenho preferido optar pela nova fase da Martin Claret, pois constatei que muitos de seus novos tradutores são competentes e estão dentro do nível de qualidade esperado.

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