19 de ago de 2012

afinidades tradutivas



em 2002, a boitempo editorial publicou uma coletânea de ensaios de perry anderson reunidos sob o título de afinidades seletivas. a tradução vem atribuída a paulo césar castanheira, ressalvado apenas um dos ensaios: "agradecemos à fundação editora unesp a cessão do ensaio 'as afinidades de norberto bobbio', traduzido por raul fiker e publicado em zona de compromisso" (p. 11, "nota da edição").

entre os onze autores tratados por anderson nos textos reunidos em afinidades seletivas, cabe a gramsci o mais extenso, intitulado "as antinomias de gramsci" (p. 13-100). este mesmo ensaio saiu pela editora joruês em 1986, em tradução de juarez guimarães e felix sanchez, numa coletânea chamada a estratégia revolucionária na atualidade, da série crítica marxista.



seguem-se alguns trechos extraídos das duas edições, a título comparativo. o texto como um todo, nas duas traduções (ou melhor, naquilo que aparenta ser uma só tradução), segue o mesmo padrão de identidade abaixo ilustrado.

em nome de juarez guimarães e felix sanchez (joruês, 1986)
Nos dias de hoje, nenhum pensador marxista posterior ao período clássico é tão universalmente respeitado no Ocidente como Antonio Gramsci. Nem há algum conceito tão livre ou diversamente invocado entre as forças de esquerda do que [sic] o de hegemonia, que ele tornou de uso corrente. A reputação de Gramsci, localizada e marginal fora de sua Itália de origem no início dos anos sessenta, transformou-o, uma década após, numa celebridade mundial. A homenagem ao seu trabalho realizado na prisão - trinta anos após a primeira publicação de seus Cadernos do Cárcere - está sendo, afinal, intensamente prestada. A ignorância sobre o seu pensamento ou a escassez de estudos sobre ele deixaram de ser obstáculos à sua difusão. (p. 7)

em nome de paulo césar castanheira (boitempo, 2002)
Nos dias de hoje, nenhum pensador marxista posterior ao período clássico é tão universalmente respeitado no Ocidente como Antonio Gramsci. Nem há algum conceito tão livre ou diversamente invocado entre as forças de esquerda do que [sic] o de hegemonia, que ele tornou de uso corrente. A reputação de Gramsci, localizada e marginal fora de sua Itália de origem no início dos anos 1960, transformou-o, uma década após, numa celebridade mundial. A homenagem ao seu trabalho realizado na prisão - trinta anos após a primeira publicação de seus Quaderni del carcere - está sendo, afinal, intensamente prestada. A ignorância sobre o seu pensamento ou a escassez de estudos sobre ele deixaram de ser obstáculos à sua difusão. (p. 15)

mesmo um erro palmar como "conceito tão livre ... do que" (em vez de "tão livre... quanto") foi mantido nas duas edições, além de alguns errinhos em relação ao original, como "a reputação de gramsci ... transformou-o numa celebridade mundial", em vez de "transformou-se em fama mundial", ou o uso de "intensamente" para fully, além de detalhes como o mesmo torneio de frase no final do trecho citado. segue o trechinho correspondente no original:
Today, no Marxist thinker after the classical epoch is so universally respected in the West as Antonio Gramsci. Nor is any term so freely or diversely invoked on the Left as that of hegemony, to which he gave currency. Gramsci’s reputation, still local and marginal outside his native Italy in the early sixties, has a decade later become a world-wide fame. The homage due to his enterprise in prison is now— thirty years after the first publication of his notebooks—finally and fully being paid. Lack of knowledge, or paucity of discussion, have ceased to be obstacles to the diffusion of his thought. 
chamo a atenção para esses detalhes, pois parecem indicar que a tradução de guimarães e sanchez não chegou a passar por uma revisão mais detida, à diferença de outros casos anteriormente apontados.

em nome de juarez guimarães e felix sanchez (joruês, 1986)
O próprio Gramsci estava, na verdade, bastante consciente da necessidade de uma cuidadosa distinção das formas históricas sucessivas do "consentimento" pelos explorados à sua exploração e de uma diferenciação analítica de seus componentes a cada momento. Ele criticou justamente a Croce por afirmar em sua História da liberdade que todas as ideologias antecedentes ao liberalismo eram da "mesma indistinta e árida cor, isentas de desenvolvimento ou conflito" - e sublinhava a especialidade do refúgio da religião sobre as massas a Nápoles dos Bourbons, o poderoso apelo ao sentimento nacional que a sucedeu na Itália e, ao mesmo tempo, a possibilidade de combinações populares das duas. (p. 30)

em nome de paulo césar castanheira (boitempo, 2002)
O próprio Gramsci estava, na verdade, bastante consciente da necessidade de uma cuidadosa distinção das formas históricas sucessivas do "consentimento" pelos explorados à sua exploração e de uma diferenciação analítica de seus componentes a cada momento. Ele criticou justamente a Croce por afirmar em sua História da liberdade que todas as ideologias antecedentes ao liberalismo eram da "mesma indistinta e árida cor, isentas de desenvolvimento ou conflito" - e sublinhava a especialidade do refúgio da religião sobre as massas a Nápoles dos Bourbons, o poderoso apelo ao sentimento nacional que a sucedeu na Itália e, ao mesmo tempo, a possibilidade de combinações populares das duas. (p. 44)

neste trecho, além da pura identidade, destaca-se a manutenção de um surpreendente "a especialidade do refúgio da religião sobre as massas" para o original "the specificity of the hold of religion on the masses" ["a especificidade do domínio da religião sobre as massas"].

em nome de juarez guimarães e felix sanchez (joruês, 1986)
Pois o debate no seio da social-democracia alemã teve uma sequela reveladora na social-democracia russa. Poucas semanas depois, Martov escreveu um artigo na Die Neue Zeit sobre O debate prussiano e a experiência russa. Aprovando calorosamente o conjunto das teses de Kautsky, Martov argumentou que a Rússia realmente estava longe de escapar às lições que elas [sic] podiam ser extraídas. Não deveria ser permitida a Rosa Luxemburgo utilizar a revolução de 1905 como um trunfo contra a política oficial do SPD na Alemanha. Sua análise da revolução não deveria ser admitida pelos socialistas ocidentais, em nome do privilegium odiosum que fazia da Rússia um caso excepcional. A experiência russa era agora no fundamental semelhante, em todos os sentidos, à experiência europeia em seu conjunto. Onde ela se desviou do padrão, em 1905, terminou em desastre. A mistura de greves econômicas e políticas exaltadas por Rosa Luxemburgo era mais uma fraqueza do que uma força do proletariado russo. O levantamento [sic] de Moscou foi o resultado calamitoso de um movimento lançado "artificialmente" para um "enfrentamento decisivo" com o Estado. (p. 63)

em nome de paulo césar castanheira (boitempo, 2002)
Pois o debate no seio da socialdemocracia alemã teve uma sequela reveladora na socialdemocracia russa. Poucas semanas depois, Martov escreveu um artigo no Die Neue Zeit sobre "O debate prussiano e a experiência russa". Aprovando calorosamente o conjunto das teses de Kautsky, Martov argumentou que a Rússia realmente estava longe de escapar às lições que elas [sic] podiam ser extraídas. Não deveria ser permitido a Rosa Luxemburgo utilizar a revolução de 1905 como um trunfo contra a política oficial do SPD na Alemanha. Sua análise da revolução não deveria ser admitida pelos socialistas ocidentais, em nome do privilegium odiosum que fazia da Rússia um caso excepcional. A experiência russa era agora no fundamental semelhante, em todos os sentidos, à experiência europeia em seu conjunto. Onde ela se desviou do padrão, em 1905, terminou em desastre. A mistura de greves econômicas e políticas exaltadas por Rosa Luxemburgo era mais uma fraqueza do que uma força do proletariado russo. O levantamento [sic] de Moscou foi o resultado calamitoso de um movimento lançado "artificialmente" para um "enfrentamento decisivo" com o Estado. (p. 85)

em nome de juarez guimarães e felix sanchez (joruês, 1986)
Os debates clássicos, por isso, ainda continuam a ser, em vários aspectos, o mais avançado limite de referência que possuímos hoje. Não é assim um mero arcaísmo relembrar as controvérsias estratégicas que ocorreram quatro ou cinco décadas antes. Reapropriá-las [sic] é, pelo contrário, um passo na direção de uma discussão marxista na esperança - necessariamente modesta - [sic] que ela tome uma "forma inicial" de teoria correta para hoje. Regis Debray falou, em um parágrafo famoso, da dificuldade permanente de ser contemporâneo como [sic] o nosso presente. Na Europa, ao menos, temos ainda de ser contemporâneos com o nosso passado. (p. 74)

em nome de paulo césar castanheira (boitempo, 2002)
Os debates clássicos, por isso, ainda continuam a ser, em vários aspectos, o mais avançado limite de referência que possuímos hoje. Não é assim um mero arcaísmo relembrar as controvérsias estratégicas que ocorreram quatro ou cinco décadas antes. Reapropriá-las [sic] é, pelo contrário, um passo na direção de uma discussão marxista na esperança - necessariamente modesta - [sic] que ela tome uma "forma inicial" de teoria correta para hoje. Regis Debray falou, em um parágrafo famoso, da dificuldade permanente de ser contemporâneo como [sic] o nosso presente. Na Europa, ao menos, temos ainda de ser contemporâneos com o nosso passado. (p. 100)

em nota recente, a editora boitempo comunicou que dava por encerrado o processo de auditoria interna a fim de eliminar qualquer vestígio de irregularidade em seu catálogo (ver aqui). no entanto, o ensaio "as antinomias de gramsci" parece ter escapado a seu crivo, pois não é mencionado na referida nota. em vista do empenho que a editora tem dedicado a apurar alguns problemas apontados em suas publicações, quero crer que se disporá também a avaliar o caso acima exposto. 

sobre os outros problemas apontados em seu catálogo, ver aqui.

adendo: paulo césar castanheira, até onde consigo entender, é um tradutor sério e respeitado, com boas referências, por exemplo, na editora revan. tem diversas traduções publicadas por diversas editoras, e não conheço nada que o desabone como pessoa e como profissional.

se seu nome aparece atribuído a algumas pretensas traduções publicadas pela boitempo editorial, eu jamais suporia nem jamais me permitiria supor que tenha sido ele o responsável por tais irregularidades. ademais, suas relações profissionais com a editora não me dizem respeito e sou da opinião de que elas não vêm ao caso. o que vem ao caso é a fidedignidade dos créditos, a veracidade das informações sobre a autoria dos textos traduzidos, a integridade intelectual da obra ofertada ao público leitor: todos esses quesitos são sempre e inapelavelmente de responsabilidade da casa editorial que a publica. em vista disso, acrescentei nas especificações dos nomes nos trechos exemplificativos a expressão "em nome de", e passarei a adotar este procedimento em todos os cotejos que eventualmente eu vier a apresentar neste blog.

24 comentários:

  1. Olha, difícil acreditar que ninguém da direção da editora tinha conhecimento desses fatos. A Boitempo tem ótimos tradutores e autores, mas, a verdade é que pisaram - e muito - na bola ao "criarem" traduções para "Isa Tavares", entre outros...
    Fica difícil acreditar que eles não sabiam do que se passava com os livros deles... mas, claro, sempre vão poder alegar que se trata de intriga da oposição...

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    1. pois é, ana, tenho para mim que a responsabilidade sempre compete, ao fim e ao cabo, à direção da empresa, qualquer que seja o ramo.

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  2. Jorio Dauster19.8.12

    Denise,

    Vê-se que eram useiros e vezeiros na pilantragem, se enxovalhando por alguns poucos milhares de reais que precisariam pagar a tradutores tão necessitados de serviço. E ainda têm a audácia de pedir para a editora o endosso de intelectuais no exterior que nada sabem sobre esses furtos intelectuais cometidos no Brasil. Vergonha em dobro.
    Jorio

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    1. prezado jorio, tenho esse mesmo receio: não sei bem até que ponto muitos dos que endossaram os procedimentos da editora sabiam claramente do que se tratava.

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  3. Felipe Maia19.8.12

    Seria desejável para a credibilidade da editora que apurasse a responsabilidade sobre tais casos e nos apresentasse quem são os tradutores Isa Tavares e este Paulo Cesar. Do contrario, mesmo refazendo as traduções , a macula será grande.

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    1. Bem lembrado, Felipe. Aparentemente, "Paulo César Castanheira" só existe para a Boitempo, assim como "Isa Tavares"... isso rende uma boa discussão ontológica...

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    2. na verdade, felipe e ana, paulo césar castanheira é um tradutor sério e respeitado, até onde sei. o que pode ter acontecido na editora, para ter atribuído a ele uma visível cópia da tradução da joruês, creio que compete a ela esclarecer junto ao próprio profissional; é inaceitável, a meu ver, colocar um colaborador da casa em tal posição.

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    3. Felipe Maia20.8.12

      Mais grave ainda, não é? Aguardo a Editora, pois suas manifestações até agora não me convenceram. Gostaria muito de ver esclarecido o modus operandi que levou a essas edições, se o fizesse, a Editora poderia recuperar sua credibilidade. Se os referidos tradutores também pudessem vir a público, poderiam ajudar no esclarecimento. É a ausência de manifestação deles que faz surgir a suspeita de que sejam simplesmente nomes fictícios, artifício já conhecido de todos nós. É triste ver a Boitempo enredada nesta história, mas a única maneira de desenredar é oferecer esclarecimentos sérios e verdadeiros.

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  4. Oi,Denise, há uma tradução assinada pelo tal "Paulo César Castanheira" para a Revan, de "O agente secreto".

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    1. olá, alfredo: a revan é uma editora muito séria e seu proprietário, renato guimarães, até onde o conheço, é um homem de grande integridade. o fato de paulo césar castanheira ter traduzido para a revan é um excelente cartão de visitas, a meu ver.

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  5. Fabrizio Lyra19.8.12

    Denise, refaço aqui uma sugestão de leitor, de consumidor que também fiz no blog do nosso caro amigo Alfredo. Que todas as editoras passem a colocar uma pequena biografia e currículo dos seus tradutores: quem são, onde nasceram, quando, como podemos contactá-los, qual sua formação, experiência, etc. E também se a tradução é atual ou a utilização de uma tradução antiga. Se é direta ou não. Creio que é direito do consumidor, de quem paga, saber se o profissional que está lhe prestando um serviço é gabaritado para isso ou não. Em certas profissões como médico, advogado, pedreiro, encanador e outras isso é feito pelo boca a boca. Mas todo mundo que busca um serviço em qualquer área quer saber informações sobre o profissional. E creio que não custa nada para as editoras que trabalham com um veículo impresso fazerem isso. Algumas como a Penguin e a Hedra fazem. Outras só em casos muito especiais. E isso deve acontecer não apenas em casos de traduções difíceis pois sabemos que toda tradução, mesmo de uma revista em quadrinhos, pode apresentar problemas e desafios. Isso iria superar muitos problemas expostos aqui como traduções datadas, erradas e, principalmente, o plágio. Considero que a prática das editoras passarem as informações essenciais sobre os tradutores e traduções em qualquer livro deveria ser obrigatória e, talvez, até disciplinada em lei. A legalização dessa prática deveria ser, pelo menos, um ponto de discussão e debate entre a classe dos tradutores, editoras, professores, críticos literários e todos os que possuírem mais prática e experiência no lidar com a cultura e os livros. Pelo que vemos aqui, todos os casos de plágio são assinados por tradutores desconhecidos, de quem ninguém sabe nada e nem nesses tempos em que uma imensa massa de informação é veiculada instantaneamente pela internet, conseguimos obter qualquer informação sobre eles. Forte abraço, Denise!

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    1. olá, fabrizio. paulo césar castanheira não é propriamente um tradutor desconhecido; tem trabalhos sérios e respeitáveis, até onde sei, e não me parece impossível que seu nome tenha sido usado sem seu consentimento. mas concordo com você que os livros deveriam trazer informações sobre seus tradutores, quando se tratasse de obras de tradução.

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    2. Fabrizio Lyra19.8.12

      Sim,claro. Não quis duvidar da existência dele e nem me referir a ele especificamente. Apenas aproveitei essa situação que já se junta a tantas outras para expor novamente essa minha visão. Claro que, antes de escrever meu post, procurei o nome dele na net e não encontrei nada que me esclarecesse sobre ele. Apenas estava lá como autor de traduções da Boitempo ao lado de várias outras pessoas com esse nome. A mesma coisa com Isa Tavares e tantos outros já citados aqui. Então, de uma forma geral, independente da Boitempo, de seus problemas e dos outros expostos aqui, aproveitei para oferecer minha visão abordando todo o universo da tradução de livros. E,não duvidando da existência do tradutor e de sua integridade, mas, justamente por isso, creio que seria mais difícil uma editora usar sem autorização o nome de um tradutor e ao mesmo tempo colocar no livro sua biografia e currículo. Porque estaria clara para todos a identidade da pessoa que teve seu direito lesado. Sei que um tradutor pode ser sério, respeitado e não ter dados sobre ele na internet. Mas, isso seria mais um motivo para as editoras passarem a ter a prática de oferecerem informações sobre o profissional. A meu ver, talvez fosse uma proteção a mais para os tradutores sérios contra essas tristes práticas que estamos vendo.

      Abraços!

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    3. perfeito, fabrizio, entendo e concordo: pois num livro traduzido o principal, na fase editorial, é a integridade da tradução.

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  6. Bruce Torres19.8.12

    E eles ainda tem o disparate de usar isso como arma política! Pô, que absurdo! A Boitempo tem muito a esclarecer, o que a torna, infelizmente, (in)digna da minha confiança. Pelo visto não basta eu apenas conferir se o nome "Isa Tavares" consta da tradução - agora tenho de me precaver com qualquer "tradutor" que esteja indicado. Como eles puderam deixar isso chegar tão longe? Eu gostaria de acreditar que foram plágios isolados, mas essas novas averiguações me fazem questionar se a turma no topo não sabia disso desde o começo. Pessoal da Boitempo, não é da Direita-Burguesa-Judaico-Cristã-Ocidental-Hipster que vocês tem que ter medo, mas do Procon!

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    1. pois é, bruce, na hora em que se coloca o problema de apropriação ilícita de traduções alheias em termos de uma "pequena editora de esquerda" atacada pela "grande imprensa de direita", tenho a impressão de que se perde um pouco o foco da questão. a claret dizia algo parecido: chegou a se apresentar como vítima dos interesses do grande capital contra a democratização do livro, que supostamente se encarnava nela.

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  7. Um certo professor famoso...19.8.12

    Gostaria de parabenizar a sra. Denise pelo grande trabalho de investigação em relação às traduções das obras publicadas pela Boitempo. Como intelectual marxista que sou repudio completamente a usurpação do trabalho alheio do tradutor. A editora Boitempo não tem o direito de se colocar como a "única" editora de "esquerda" do Brasil. A editora expressão popular, por exemplo, realiza um excelente trabalho, repleno de integridade.
    Também repudio a "manifestação pública" de certos colegas da academia, que provavelmente se colocaram ao lado da editora sem ao menos saber o que está de fato acontecendo. Note que os "apoiadores", quase todos, tem livros publicados pela editora, vivendo em suas rebarbas (artigos em blog etc.)
    Essa editora não é de "esquerda" ou "marxista". Aposto que explora a força de trabalho dos estudantes que lá trabalham, pagando muito pouco pelas tarefas que lá executam(revisão de textos, mesmo traduções etc.) Obrigado mais uma vez por desmascarar essa gente que vive da mentira, da aparência, da exploração de estudantes de humanas, com seus livros "revolucionários" (quero saber o Zizek, o arauto do irracionalismo, é revolucionário, mas tudo bem...)
    Nâo vou divulgar meu nome aqui, pois temo represálias de colegas que contribuem nessa editora. Sou um professor marxista com muito orgulho, e me sinto envergonhado que uma editora dessas faz tal coisa (plágio) arvorando-se no marxismo.
    Desculpe se exagerei cara Denise, estou emocionado e irritado ao mesmo tempo. Ainda não engoli a pecha de direita àqueles que denunciaram as falcatruas dessa editora.

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    1. sr. certo professor famoso: de fato, é sempre bom lembrar que, felizmente, não existe um monopólio das publicações de esquerda no país, de maneira alguma. não só a expressão popular, como também a fundação perseu abramo, a contraponto, a revan, além de inúmeras editoras e periódicos não necessariamente marxistas em sentido estrito, que publicam muitos títulos de grande interesse para a reflexão marxista.

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  8. isso aí, Denise! Apavora!!!
    eu acabei de desistir daquela minha tradução do conto Sem lugar para você, meu amor, da Welty. Fiquei uma hora em cima de dois trechos, frases que fluíam tão bem no inglês e ficavam praticamente "inconstruíveis" no português. Mas pelo menos descobri (no Michaelis!!!) o significado de "pompadour", que aparece (sempre em minúscula) em outros trabalhos da welty também: penteado feminino ou masculino em estilo da Marquesa de Pompadour (1721-1764). • adj pompadoriano.). Ou seja: colonização francesa dos primórdios dos USA reverberando na moda capilar do sec XX! kkk

    bjones!
    Enzo

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    1. haha, enzo, apavoro não, fico apavorada!
      pois é, pra vc ver o quanto a gente aprende ao traduzir :-)

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  9. Anônimo21.8.12

    Denise, a editora Boitempo soltou uma nota respondendo: http://boitempoeditorial.wordpress.com/2012/08/21/nota-de-repudio/

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    1. olá, prezado anônimo: agradeço.

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  10. Continua abusando de seus direitos de manifestação pública, hein, Denise? Aonde é que vai parar essa mania de liberdade? Daqui a pouco, vamos correr o risco de se aplicar a lei! Isso é o que não pode ser!

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  11. puxa, refra, tudo culpa daquela revolução francesa com sua mania de liberdade e direito dos cidadãos. eta coisa mais burguesa!

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