12 de jul de 2012

a situação da classe trabalhadora na inglaterra

na longa conversa que mantive com a editora-adjunta da boitempo, na semana passada, manifestei minha curiosidade sobre o nome de bernhardt a. schumann, que consta nos créditos de tradução de sua edição d'a situação da classe trabalhadora na inglaterra, de engels.


Título: A situação da classe trabalhadora na Inglaterra
Título Original: Die Lage der Arbeitenden Klasse in England
Subtítulo: segundo as observações do autor e fontes autênticas
Autor(a): Friedrich Engels
Prefácio: José Paulo Netto
Tradutor(a): B. A. Schumann
Páginas: 384
Ano de publicação: 2008
ISBN: 978-85-7559-104-8



ISBN: 978-85-7559-197-0
TÍTULO: A situação da classe trabalhadora na Inglaterra: Segundo as observações do autor e fontes autênticas
SÉRIE: Marx e Engels
AUTOR: Friedrich Engels
ORGANIZADOR: José Paulo Netto (supervisão)
TRADUTOR: Bernhardt A. Schumann
EDIÇÃO: 1
ANO DE EDIÇÃO: 2011
LOCAL DE EDIÇÃO: SÃO PAULO
TIPO DE SUPORTE: E-BOOK
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: BOITEMPO EDITORIAL

o esclarecimento da editora foi o seguinte:
A situação da classe trabalhadora na Inglaterra: a tradução da Global era de José Paulo Netto, e foi com base nessa tradução que publicamos a nossa. Porém, como a tradução de José Paulo não tinha sido feita diretamente do alemão, ele pediu ajuda a um aluno que conhecia bem o idioma para fazer a nova edição, para a Boitempo. Como esse aluno fez o trabalho sob a orientação do professor José Paulo, ele próprio optou por ter seu nome nos créditos na forma de um pseudônimo, pois acredita que não teria feito a tradução sozinho e porque o texto final, revisado, é do próprio José Paulo. Enfim, uma escolha pessoal, passada à editora pelo professor José Paulo. Se há semelhanças entre a primeira tradução, do José Paulo, e a segunda, coordenada pelo José Paulo, não é de se estranhar.
na verdade, eu comentara apenas minha curiosidade sobre "bernhardt a. schumann" - afinal, um pseudônimo -, mas a editora considerou por bem já adiantar explicações sobre eventuais semelhanças que se poderiam encontrar em algum eventual cotejo que se fizesse entre as duas edições, a da global de 1985 e a da boitempo de 2008.

no entanto, o esclarecimento da boitempo me deixou ainda mais confusa, visto que a situação da classe trabalhadora na inglaterra pela global, pelo que eu sempre soube e conforme constava nos créditos, tinha sido traduzida não por josé paulo netto, o qual assinava apenas o prólogo, e sim por rosa camargo artigas e reginaldo forti.


foi uma edição que ficou bastante famosa na época, e tinha um trabalho muito bonito e meticuloso também na parte das notas. como se explicava logo no início: "As notas da presente edição quando seguidas de (F.E.) são de Friedrich Engels. As que vêm seguidas de (N.T.) são dos tradutores desta edição, Rosa Camargo Artigas e Reginaldo Forti; e, finalmente, as demais foram extraídas da edição francesa - Editions Sociales, Paris, 1973 -, cuja tradução é de Gilbert Badia e Jean Fréderic, assim como a Lista de fontes citadas por Engels e o Índice onomástico" (p. 5).

Clique para ampliar a capa

bom, seja como for, tal foi a explicação da boitempo para aquele "b. a. schumann" de sua edição.

10 comentários:

  1. Denise, a Sherlock das traduções.... grande trabalho, de formiga, tão pouco valorizado e tão precioso!

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  2. JESSICA CRISTINA13.7.12

    Boa noite,

    Eu pretendo fazer uma tradução de um texto publicado na França. É um texto acadêmico, produto de estudos em um grupo de pesquisa da universidade. Gostaria de publicá-lo em uma revista acadêmica, sem fins lucrativos. É preciso que eu peça autorização dos autores (ainda vivos) ou da editora?

    Desde já agradeço!

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  3. jessica, sim, precisa, sim. a questão não é só se sua publicação terá fins lucrativos ou não. a questão é que você só pode usar o texto se pedir licença antes. se não tem fins lucrativos, os autores até podem lhe dar licença por cortesia, sem maiores impedimentos. escreva uma cartinha a eles, não custa nada.

    existe o creative commons: se esse artigo foi publicado não com copyright, mas com creative commons, você pode reproduzir à vontade, desde que dê os créditos e a fonte. mas essa licença pelo creative commons geralmente não cobre o direito de tradução, e o mais correto também é pedir autorização.

    agora, se esse texto que você quer traduzir foi publicado por editora, muito provavelmente está protegido por copyright, e aí é um pouco mais complicado.

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  4. Cara Denise,

    Sempre bom passear por aqui. Aproveito pra dizer q comprei sua tradução de Walden e q planejo deliciar-me com ela em breve. Aproveito tb pra fazer uma pergunta: vc tem uma ideia, mesmo q vaga, de quando serão lançadas suas traduções de Ao farol e dos dois (?) próximos volumes da coleção organizada pelo F. Moretti sobre o romance? Agradeço desde já pela atenção!

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    1. oi, lucas, que legal, obrigada. no lendowalden.blogspot.com postei vários comentários e aviso pelo menos de um erro que fiz na tradução. ao farol está parado, nem comecei pra valer... reprogramamos, a l&pm e eu, e fiquei de entregar até fevereiro do ano que vem. o moretti vol. II foi entregue há mais de dois, e o vol. III estamos terminando, federico e eu. não sei a programação da cosac para o vol. II...

      abraço
      denise

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  5. Cara Denise Bottmann, admiro demais seu trabalho. Não sei se você está a par do episódio, mas de qualquer forma anuncio neste espaço, por perceber a gravidade do caso:
    http://claudiowiller.wordpress.com/2012/07/15/allen-ginsberg-direitos-autorais-profissionalismo-e-pirataria-2/

    Obrigada e parabéns pelo belo trabalho, que acompanho silenciosamente há algum tempo.

    Abraços,

    Vera

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    1. obrigada, vera, divulgando. que barbaridade!

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  6. Anônimo29.7.12

    Denise, você já tem o começo de uma ficção Borgeana aqui.

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    1. de fato, bizarro mesmo - me parece algo do tipo "a emenda saiu pior do que o soneto"

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