15 de jul de 2012

que pouca vergonha



este caso é escandaloso: a apropriação e adulteração do poema uivo, a célebre tradução de claudio willer para howl, de allen ginsberg.

como diz willer: "Adulteração, portanto, além de plágio e contrafação. Um triplo desrespeito, a meus direitos, à obra que é título e tema do filme e ao espectador." tomo a liberdade de transcrever sua matéria:


Allen Ginsberg, direitos autorais, profissionalismo e pirataria 2

Assisti, ontem à noite, sábado dia 14 no horário das 22 h, à exibição do filme Uivo (Howl) de Robert Epstein, com James Franco e Jon Hamm, pelo Max, canal 79 da Net. Assim como havia acontecido na Mostra de Cinema de São Paulo no final de 2010, é utilizada toda a minha tradução do extenso poema Uivo, de Allen Ginsberg – sem autorização, sem nunca haverem falado comigo e sem os créditos ou qualquer indicação de autoria da tradução. Há mais seis exibições programadas para este mês: próxima quarta-feira às 23 h, sexta-feira dia 20 às 23:55, e outras.
Há mais, porém. As legendas reproduzem inequivocamente a tradução publicada em Uivo e outros poemas, L&PM, adotando soluções que são pessoais, criação minha, desde a primeira frase, onde para I saw the best minds of my generation eu preferi Eu vi os expoentes da minha geração, e não “as melhores cabeças” ou “as melhores mentes”. No entanto, com algumas mudanças: um “caralho” da minha tradução tornou-se um “pênis”; “adoçaram as trepadas” virou “adoçaram as vaginas”; “deixaram-se enrabar” agora é “ofertaram seu ânus”.
Adulteração, portanto, além de plágio e contrafação. Um triplo desrespeito, a meus direitos, à obra que é título e tema do filme e ao espectador.
Legendar desse modo trai a intenção do filme. Uivo (Howl) de Robert Epstein é sobre o processo em 1956 contra a publicação de Howl and other poems, pela City Lights de Lawrence Ferlinghetti. Seu resultado foi, justamente, garantir a circulação de textos em linguagem direta, explícita. As legendas restauram os eufemismos, que Ginsberg critica expressamente na entrevista reproduzida no filme. Esse exibidor promove o culto à hipocrisia.
Normalmente, após a exibição na TV a cabo, vem o crédito da versão brasileira, algo como “Legendas Videolar” ou coisa parecida. Desta vez, nada. Nenhuma referência ou crédito. Fica-se sem saber a qual submundo da legendagem o exibidor/distribuidor recorreu. A julgar pelo modo como traduziram o restante, se não me houvessem pirateado, então o telespectador receberia uma versão do poema cheia de erros.
Isso acontece sempre. Há profusão de erros de tradução nas legendas de filmes que passam na TV. É desrespeito ao assinante, a quem paga – e paga caro – por tal serviço. Aliás, uma concessão pública.
Podia ser pior: o filme passar dublado, e não legendado. É como procedem outras emissoras, para atender, ao que parece, a uma crescente legião de analfabetos monoglotas, em detrimento da informação. Não haveria, então, como conferir.
Enfim, são múltiplas as razões para promover escândalo, além das demais providências que for possível tomar. Não se trata apenas dos meus direitos morais, mas de um desrespeito ao assinante da TV , que paga (bem mais que em outros países) por um serviço precário em sua infraestrutura (falhas na transmissão, confusões na programação, isso acontece a toda hora) e no conteúdo, sistematicamente adulterado.

agradeço a vera helena pelo toque, deixado em comentário aqui.

2 comentários:

  1. Creio que um processo por plágio deve ser movido por Willer. Será possível que esse povo não tem um mínimo de respeito pelo trabalho alheio, e só aprende quando é punido judicialmente por isso? Que absurdo!

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  2. Eu que agradeço, Denise, por ajudar a divulgar este episódio. Muito obrigada. Abraços, Vera

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