26 de jul de 2012

o oatcake do morro dos ventos uivantes

tem um trecho no morro dos ventos uivantes em que o narrador descreve o aposento principal da casa e a certa altura diz:
The latter [the roof] had never been under-drawn: its entire anatomy lay bare to an inquiring eye, except where a frame of wood laden with oatcakes and clusters of legs of beef, mutton, and ham, concealed it. 
ou seja, o telhado da casa nunca tinha recebido forro, e por isso sua estrutura ficava à mostra, exceto num lugar onde havia uma armação de madeira cheia de "cakes" de aveia, pernis de boi e carneiro e presuntos.


george walker, "woman making oatcakes" da série costumes of yorkshire, 1814, aqui

encontrei essa ilustração de uma casa rural típica do yorkshire. achei uma graça a mesa improvisada com uma cadeira deitada, umas tábuas e a toalha com os oatcakes por cima, decerto para esfriar, e a armação parecida com a que aparece no livro (embora aqui o teto tenha forro), com os tais oatcakes pendurados para secar. não sei como eu traduziria - "bolo de aveia" é que não seria, pois mais parece uma massa de pizza ou um pão árabe.

acabei descobrindo que existem dois tipos de oatcake: aquele que a gente chama mesmo de biscoito de aveia, que já sai do forno sequinho e crocante ou bem friável, por causa da manteiga; o outro, de massa macia, feito numa chapa ou pedra de assar, que parece um crepe ou uma panqueca meio grossinha - pode ser comido fresco (quente ou frio) ou posto para secar, como na gravura acima e na descrição em wuthering heights.

Um comentário:

  1. lembrei de um conto de Borges (claro que vc já sabe qual!): Pierre Menard, autor do Quixote.

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