30 de jul de 2012

nota da boitempo editorial

em relação a dois livros publicados pela boitempo que supostamente teriam sido traduzidos por isa tavares, que comentei em vários posts agrupados neste link, a editora divulgou a seguinte nota:
Nota de esclarecimento
Hoje a Boitempo Editorial tomou conhecimento de um post do blog “Não Gosto de Plágio” sobre questões relativas à tradução e edição dos livros Considerações sobre o marxismo ocidental/Nas trilhas do materialismo histórico, de Perry Anderson, e Lacrimae rerum, de Slavoj Zizek.
Sempre zelosa nas relações com seus autores, leitores, amigos e colaboradores – incluindo tradutores –, e pautada pela civilidade e transparência, a Boitempo já está averiguando os problemas apontados nas referidas obras e se responsabiliza por tomar as providências necessárias, caso sejam confirmados.
Enquanto não forem esclarecidos todos os pontos a editora interromperá a distribuição dos títulos mencionados; uma vez que se confirmem as informações, serão compensados todos os profissionais envolvidos.
Boitempo Editorial
que bom, ficamos no aguardo dos esclarecimentos.

atualização: em 01/08, a editora lançou uma segunda nota, reproduzida aqui.

20 comentários:

  1. Armando Assis30.7.12

    O que você pretende fazer, Denise? Ou, se não quiser responder, o que recomendaria que alguém que fosse plagiado, como você foi, fizesse?

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  2. pessoalmente, estou vendo com meu advogado quais as medidas cabíveis, armando. acho tb que leitores não devem ser nem aceitar ser enganados, consumidores não devem ser lesados nem aceitar ser lesados e assim por diante.

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  3. Muito bom! Estou torcendo para que isso se resolva da melhor maneira possível - com o esclarecimento do ocorrido, com todas as reparações cabíveis a você e aos outros atingidos e com a retirada de circulação dessas traduções plagiadas.

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    1. concordo, cláudia. não adianta tampar o sol com a peneira. e livros desse gênero, de nível mais acadêmico ou de estudos, acabam proliferando essas falsas atribuições por centenas e centenas de ensaios, artigos, teses, bibliografias e programas de curso etc. têm um alcance institucional bem maior do que um livro de entretenimento de final de semana...

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  4. É vamos aguardar... Se dizem ter zelo pelos autores, leitores, tradutores colaboradores e afins, terão que levar em consideração todas as pessoas que foram lesadas. Em primeiro lugar a tradutora plagiada, em segundo lugar, os leitores que compraram o livro...

    Aguardemos...

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    1. exato, exato, everton: a questão básica é a circulação, são os leitores. imagine quantos estudos, ensaios, dissertações, pesquisas, proliferando esses créditos espúrios?

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  5. Marcelo Cipolla30.7.12

    É uma história medonha, estarrecedora, mas pelo menos dessa vez parece que eles mexeram com a pessoa errada. Estou com você, Denise. Esses caras, além do dinheiro que lhe devem, têm de fazer algum tipo de retratação pública, algo bem humilhante, sem essa conversinha de "estamos averiguando".

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    1. obrigada, marcelo. retratação, no que diz respeito a mim, nem precisa - mas uma errata, isso sim, acho indispensável. vc faz ideia o quanto essa obra é indicada em bibliografias e programas de curso, citada em artigos, teses etc. que se propagam tentacularmente desde 2004 e continuarão a se propagar por décadas? aí, como diz o mestre alfredo bosi, é a própria integridade intelectual que fica atingida.

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    2. Marcelo, "esses caras" não é um modo correto de alguém se referir a uma equipe que há anos realiza um trabalho honesto e prima pela ética em suas relações profissionais. A Boitempo foi fundada por pessoas de reconhecida integridade intelectual que não cometeriam o erro do plágio. Não conheço a tradutora Isa Tavares, mas é preciso dar-lhe a chance de explicar o que aconteceu. Julgamentos apressados podem acabar com a carreira de profissionais sérios. Assim, Marcelo, eu lhe pediria mais calma e mais respeito no tratamento a pessoas que você não conhece. Se conhecesse, não teria escrito mensagem tão agressiva. Um abraço

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    3. Anônimo1.8.12

      Olha como as coisas são: a Boitempo é a única editora do mundo, da face do planeta, a se propor ao esclarecimento de uma questão deste tipo. Pergunte se o grupo Abril viria a público se propor a uma coisa dessas. Pergunta se a Saraiva não iria encaminhar direto ao Judiciário, ou a seus advogados. Agora, como se trata da Boitempo, a editora que está ligada a movimentos sociais e a esquerda, então é evidente que se trata de "pilantragem". Não se considera que a Boitempo não tem como pedir patrocínio para as transnacionais, nem está ligada a interesses hegemônicos. Mas não, é a credibilidade da Boitempo que está em jogo, que sequer tem direito de prestar eslcarecimentos e deve ser humilhada. Não foi bem assim que crucificaram Jesus? Não fez só o bem, mas ao ser assassinado não prevaleceu seu crime de já nascer "gauche" galileu? E seus assassinos não são os libertos pela história do próprio cristianismo? Pois, mutatis mutandis, é o que acontece na mentalidade direitista de nosso tempo...

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  6. Anônimo30.7.12

    Fico feliz em ler o esclarecimento acima. Soube dessa notícia hoje e me surpreendi, pois há anos fiz trabalhos de revisão para a Boitempo e foram sempre muito cuidadosos e éticos. Se erraram, espero que possam reparar o quanto antes. Boa noite a todos, Vera Pereira.

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    1. isso, vera, esperamos todos :-) obrigada.

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  7. prezado anônimo, não pude liberar seu comentário, mas agradeço.

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  8. Anônimo31.7.12

    Denise, concordo com Vera Pereira. Não se deve crucificar a Boitempo Editorial sem dar-lhe chance de defesa. Ao contrário de outras editoras antes aqui mencionadas, ela faz um trabalho sério, criterioso. Veja a quantidade de anexos que suas edições trazem, além de prefácios, cronologias etc. Sou leitor constante das obras por eles editadas, estou muito surpreso com isso tudo mas ainda aposto que, se houve um equívoco, ele será corrigido. É pelo que devemos todos torcer. Cordialmente, Mauricio Leal

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    1. prezado mauricio, concordo como linha geral, sem dúvida, mas faço um pequeno reparo: não se pode esquecer que, neste caso específico do perry anderson, a crucificada fui eu e eu é que estou tentando me defender. tanto melhor que a editora se disponha a ouvir meus protestos e a reparar os equívocos. o desejável é que nosso mercado editorial seja lídimo, honesto e transparente, e todos devemos contribuir para isso. a boa vontade da editora é um sinal, a meu ver, de que ela também acredita nisso. e sim, concordo, vamos todos torcer pelo melhor.

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  9. Anônimo31.7.12

    A questão me parece simples: se a pessoa que assinou a tradução existe e foi remunerada pelo trabalho, então a Boitempo foi vítima de uma fraude. Se a pessoa não existe, então a Boitempo precisa explicar se é comum usar fantasmas em suas traduções. Neste último caso, a editora cometeu a fraude. A Boitempo tem a palavra para dar as explicações. Ficamos no aguardo.

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  10. A meu ver, quando uma editora contrata um tradutor, é porque confia em seu trabalho e, principalmente, na integridade deste com relação ao seu próprio trabalho. Conheço o pessoal da Boitempo de perto e sei da seleção criteriosa e do cuidado que eles têm com suas obras. Sei também que as pessoas que lá trabalham amam o que fazem e defendem de fato uma ideologia de tornar o conteúdo intelectual mais acessível a todos. É claro que a tradutora que se sente lesada tem todo direito de se manifestar, como assim o fez, mas, tendo em vista a credibilidade que a Boitempo conquistou ao longo desses anos realizando trabalhos seríssimos e de altíssima competência, acredito que eles vão realmente averiguar e procurar onde está o erro e, se esse erro for deles, certamente vão tomar todas as medidas para repará-lo, mantendo, assim, a confiança dos leitores que acreditam não apenas em suas obras, mas na ideia difundida pela editora. Não podemos afirmar nada com certeza, mas, em momentos tensos como esse, é importante levar em consideração todo um histórico, e não apenas uma situação isolada... Acredito que tudo se resolverá e tudo será devidamente esclarecido.

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  11. Anônimo1.8.12

    Tem muito lobby da Boitempo se expressando aqui. O importante é o seguinte: essa tradutora existe mesmo e fraudou a editora, ou ela não existe e a editora nos fraudou a todos? Essa é a questão. Fora disso, tudo é blá-blá-blá.

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  12. Cláudio1.8.12

    A Boitempo está demorando demais para esclarecer a questão, tão simples, colocada aí em cima. Se ela contratou uma tradutora, basta dizer isso e confirmar que ela existe, mesmo. Um gesto tão simples absolveria a editora. Não haveria nada mais a averiguar. Mas essa demora toda faz aumentar a suspeição da editora. Terá sido ela a autora da fraude, inventando uma tradutora inexistente? Vamos lá, Boitempo, coragem.

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