é precisamente esta uma das principais preocupações deste meu trabalho de pesquisa sobre a história da tradução no brasil. temos uma bibliografia traduzida riquíssima; no entanto, devido a uma série de fatores - entre eles, nossa deficiente legislação sobre obras órfãs e abandonadas, que dificulta a liberação dessas obras para amplo acesso social -, é espantosa, confrangedora a quantidade de obras que se perdem nos desvãos da memória lítero-tradutória.
- assim, por exemplo, desde 1945 dispomos da obra de anatole france, os deuses têm sede, em tradução de marina guaspari, com reedição em 1954, pela extinta editora vecchi:
que bom, ótimo mesmo, que a boitempo lance uma tradução de les dieux ont soif, agora de daniela jinkings e cristina murachco:
só não dá para dizer que é a primeira. a propósito, na agência brasileira do isbn os créditos de tradução constam como:
| PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN |
| RESULTADO |
| Palavra Pesquisada: | OS DEUSES TEM SEDE |
| ISBN: | 85-7559-011-1 |
| TÍTULO: | OS DEUSES TEM SEDE |
| VOLUME DA COLEÇÃO: | 000 |
| AUTOR: | FRANCE, ANOTOLE |
| TRADUTOR: | CUPERTINO, MARIA CRISTINA |
| PÁGINAS: | NÃO INFORMADO |
| EDITORA: | BOITEMPO EDITORIAL |
- a editora paulista j. fagundes lançou a vida de napoleão, em tradução de elisiário braga ribeiro; meu volume não traz o ano de publicação, mas calculo ser dos anos 30. é importante não confundir mémoires sur napoléon, (1836-37), publicadas desde 1876 com o título de vie de napoléon, com vie de napoléon (1817-18), que só veio a lume em 1929. tanto a edição da j. fagundes quanto a da boitempo são traduções das mémoires.
ótimo que tenhamos uma nova tradução desta obra; só não dá para dizer que, antes da edição da boitempo, ela fosse inédita no brasil.
- quanto a o tacão de ferro,* já dispúnhamos de duas traduções entre nós antes do lançamento da boitempo. saiu inicialmente em 1947, pelas edições do povo, em tradução de sylvia león chalreo:

e em 1967 pela livraria exposição do livro, em tradução de guaraci edu:
saúdo, naturalmente, a nova tradução de afonso teixeira filho, apenas lembrando que não se tratava de obra inédita entre nós:
de qualquer forma, fico feliz que a editora tenha prontamente retificado essas falhas de informação.
* para as obras de jack london traduzidas no brasil, encontra-se um levantamento aqui.



Vocês compararam as duas traduções para o inglês de "A Paixão Segundo G.H." de Clarice Lispector? A primeira, feita em 1988 por Ronald de Sousa e a segunda, feita em 2012, por Idra Novey. Gostaria de ouvir sua opinião. Houve plágio?
ResponderExcluirAtenciosamente,
Julieta Widman
olá, julieta, não cheguei a vê-las.
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