4 de jul de 2012

inéditos e retraduções

em vista da boa vontade da boitempo em retificar eventuais lapsos de informação aos leitores sobre suas edições, indiquei à editora-adjunta alguns pontos que mereceriam correção: ao contrário do que afirmava a boitempo em seu site, napoleão, de stendhal, o tacão de ferro, de jack london, e os deuses têm sede, de anatole france, não eram inéditos no brasil antes de sua publicação pela referida editora. o lapso já foi devidamente corrigido nas respectivas apresentações dos títulos, restando apenas uma matéria de terciane alves, reproduzida no site da editora, aqui.

é precisamente esta uma das principais preocupações deste meu trabalho de pesquisa sobre a história da tradução no brasil. temos uma bibliografia traduzida riquíssima; no entanto, devido a uma série de fatores - entre eles, nossa deficiente legislação sobre obras órfãs e abandonadas, que dificulta a liberação dessas obras para amplo acesso social -, é espantosa, confrangedora a quantidade de obras que se perdem nos desvãos da memória lítero-tradutória.
  • assim, por exemplo, desde 1945 dispomos da obra de anatole france, os deuses têm sede, em tradução de marina guaspari, com reedição em 1954, pela extinta editora vecchi:

que bom, ótimo mesmo, que a boitempo lance uma tradução de les dieux ont soif, agora de daniela jinkings e cristina murachco:


só não dá para dizer que é a primeira. a propósito, na agência brasileira do isbn os créditos de tradução constam como:

PESQUISA NO CADASTRO DO ISBN
RESULTADO
Palavra Pesquisada:OS DEUSES TEM SEDE
ISBN: 85-7559-011-1
TÍTULO: OS DEUSES TEM SEDE
VOLUME DA COLEÇÃO: 000
AUTOR: FRANCE, ANOTOLE
TRADUTOR: CUPERTINO, MARIA CRISTINA
PÁGINAS: NÃO INFORMADO
EDITORA: BOITEMPO EDITORIAL

  • a editora paulista j. fagundes lançou a vida de napoleão, em tradução de elisiário braga ribeiro; meu volume não traz o ano de publicação, mas calculo ser dos anos 30. é importante não confundir mémoires sur napoléon, (1836-37), publicadas desde 1876 com o título de vie de napoléon, com vie de napoléon (1817-18), que só veio a lume em 1929. tanto a edição da j. fagundes quanto a da boitempo são traduções das mémoires.

ótimo que tenhamos uma nova tradução desta obra; só não dá para dizer que, antes da edição da boitempo, ela fosse inédita no brasil.

  • quanto a o tacão de ferro,* já dispúnhamos de duas traduções entre nós antes do lançamento da boitempo. saiu inicialmente em 1947, pelas edições do povo, em tradução de sylvia león chalreo:

e em 1967 pela livraria exposição do livro, em tradução de guaraci edu:

Clique para ampliar a capa

saúdo, naturalmente, a nova tradução de afonso teixeira filho, apenas lembrando que não se tratava de obra inédita entre nós:


de qualquer forma, fico feliz que a editora tenha prontamente retificado essas falhas de informação.

* para as obras de jack london traduzidas no brasil, encontra-se um levantamento aqui.

2 comentários:

  1. Vocês compararam as duas traduções para o inglês de "A Paixão Segundo G.H." de Clarice Lispector? A primeira, feita em 1988 por Ronald de Sousa e a segunda, feita em 2012, por Idra Novey. Gostaria de ouvir sua opinião. Houve plágio?
    Atenciosamente,
    Julieta Widman

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  2. olá, julieta, não cheguei a vê-las.

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