20 de jul de 2012

ilusões perdidas I

interessante: (as) ilusões perdidas, pelo visto, é um dos favoritos balzaquianos no brasil, com nada menos de seis traduções diferentes, além de uma adaptação infantojuvenil e uma provável contrafação. até a distribuição temporal delas é interessante, com destaque para o surto de retraduções entre 2007 e 2011.

I.
a tradução mais conhecida e divulgada é a de ernesto pelanda e mário quintana, que saiu pela editora globo como sétimo volume da monumental comédia humana, coordenada por paulo rónai. o volume foi lançado em 1951, e a distribuição da tradução é a seguinte: pelanda fez "os dois poetas" e "um grande homem da província de paris"; quintana fez "os sofrimentos do inventor".



ao longo das décadas, ela teve várias reedições na globo (1955, 1956, 1958, 1959, 1969), além de diversos licenciamentos - para a abril cultural (1978, 1981), círculo do livro (1982, 1983, 1986), nova cultural (1993, 2000):

Livro Ilusões Perdidas=honoré De Balzac=700 Pag Circulo D Li

II.
passados mais de quarenta anos, em 1994 sai uma nova tradução, agora de maria lúcia autran dourado, pela ediouro:



III.
em 2002, a companhia das letras lança uma edição voltada para o segmento de didáticos, com tradução condensada e adaptada para o público infanto-juvenil por silvana salerno:



IV.
em 2007, sai pela l&pm a tradução de ivone benedetti:

A Comédia Humana – Ilusões Perdidas – Col. L&pm Pocket

V.
no mesmo ano de 2007, a estação liberdade publica a tradução de leila de aguiar costa:



que é licenciada em 2010 para a coleção clássicos abril, em dois volumes:



VI.
em 2011, pela penguin-companhia, temos a tradução de rosa freire d'aguiar:



VII.
sobre a provável fraude, trata-se do misteriosíssimo e certamente fantasmagórico k. d'avellar, que assombrou várias edições da h. garnier no começo do século XX. há uma exposição detalhada do caso aqui. no caso dessas illusões perdidas, o caso é tanto mais ridículo, pois continua a ser reeditado na livraria garnier, após o falecimento de hyppolite garnier. 



aqui c. 1908:

Autor:Balzac, Honoré de, 1799-1850.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Ilusões perdidas.
Imprenta:Rio de Janeiro, H. Garnier. 
Descrição física:2 v.
Notas:Registro Pré-MARC
Entradas secundárias:Avellar, K. d'.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 
Classificação Dewey:
Edição:
843
Indicação do Catálogo:843/B198il7 


VIII. sem dúvida, a tradução mais conhecida é a de pelanda e quintana, e muitos pensam que foi a primeira tradução de illusions perdues no brasil. pois é, não foi. para completar a apresentação das seis traduções mencionadas no começo do post, falta justamente a primeira delas - é uma história bonitinha, que segue no próximo post, aqui.

10 comentários:

  1. Denise, só uma curiosidade que não tem quase nada a ver com nada: Ernesto Pellanda foi meu tio avô (casado com a irmã de minha avó). Não cheguei a conhecê-lo, ele morreu muito jovem, antes do meu nascimento. Meu avô, João Santana, que também foi tradutor quando jovem, era amigo dele, assim como de Mário Quintana, Érico Veríssimo, Augusto Meyer e tantos outros. Ele (meu avô) fez parte do grupo das revistas Máscara e Madrugada, no início do Modernismo.

    Cláudia
    http://umatalvezclaudia.blogspot.com

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  2. que legalésimo, cláudia!! e pelanda com dois "ll", pellanda? será também parente do luís henrique pellanda? obrigada, essas histórias são maravilhosas - era tão incrivelmente dinâmico o mundo tradutório desde aqueles entonces!

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  3. Denise, não sei de nenhuma ligação com o Luís Henrique Pellanda, que é de Curitiba, mas talvez ele venha de algum ramo da família que se mudou pra lá.

    Porto Alegre, naqueles tempos da criação da Editora Globo, era uma cidade pequena, e todos os escritores e artistas se conheciam, viviam se encontrando na vida boêmia da cidade. Tenho inveja desses tempos que nunca vivi!

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  4. Denise, o exemplar que tenho da Martins, dos anos 60 traz o nome da Maria Lúcia Autran Dourado como tradutora.
    Abraço, Alfredo

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  5. olá, alfredo, nossa, é mesmo? reservei o post seguinte para a tradução da silvia mendes cajado, mãe do octavio idem idem, que saiu em 1945 com reed. em 1960 pela martins. então terá a martins encomendado uma nova tradução, a da maria lúcia, que depois vai para a ediouro?

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  6. Quando eu encontrei esse exemplar num sebo, pensei comigo mesmo que à exceção da tradução de Quintana & Pelanda, o Ilusões estava sempre nas (boas) mãos de mulheres tradutoras. E depois me desiludi ao constatar que ela abrasileirou todos os nomes próprios, hábito que detesto, embora seja defendido com unhas e dentes por uma corrente de tradutores (como Rónai).
    Abração.

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  7. Tive contato com a edição da Martins de 1960. Além da tradução de Silvia Cajado Mendes, introdução de Fernando Barros Martins, possui uma série de imagens (inclusive de mulheres que "passaram" pela vida de Balzac, na sequência: Marquesa de Castries, Madame de Berny, Madame Hanska, Zulma Carraud), além de belas ilustrações de autoria de Paul Gavarni, que tem ligação direta com o texto. O gozado que as ilustrações encontram-se no início do livro em vez de estarem conjuntamente ao texto... exigindo do leitor o "vai e volta" que atrapalha a leitura.

    De saída, na edição da Martins, não consta a dedicatória de Balzac a Victor Hugo, que se vê na edição traduzida por Ernesto Pellanda e Mário Quintana publicada pela Globo e depois pela Abril Cultural em 1978. Outro detalhe que chama a atenção é o fato de a edição da Martins não registrar de onde que o texto foi traduzido... Terá sido diretamente ou por outro idioma?

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  8. corrigindo um erro no comentário anterior, a tradução é de Silvia Mendes Cajado e não Silvia Cajado Mendes...

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  9. Cara srta. Denise, desejo comprar a edição de Leila de Aguiar Costa. A de Quintana e Pellanda já possuo. A senhorita poderia me informar se os volumes da Abril e da Estação Liberdade são realmente idênticos, ou melhor, se possuem o mesmo conteúdo, incluindo notas? Atenciosamente, Edmundo

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  10. olá, sr. edmundo: puxa vida, fico devendo uma resposta à sua pergunta. se não fosse demasiado temerário arriscar, eu tenderia a dizer que suponho que são iguais, pois em princípio um licenciamento utiliza o trabalho completo já pronto, sem proceder a alterações. mas não posso garantir, pois não cheguei a compulsar as duas edições.

    ao seu dispor.

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