25 de jul de 2012

de "tradução revista por" a "tradução de"

vou retomar alguns posts anteriores, para situar o tema de hoje.

em 09/11/2011 publiquei:
gosto muito do trabalho de teotônio simões no ebooksbrasil. lá encontrei nietzsche, assim falava zaratustra  (link aqui),  numa antiga tradução que tinha saído pela edições e publicações do brasil em 1950, em nome de josé mendes de souza, e depois foi para o catálogo da ediouro, pelo menos desde 1967, lá ficando em sucessivas reedições pelo menos até 1995. 
Clique para ampliar a capa
capa da sexta edição, 1965 
na verdade, encontrei referências mencionando "tradução atualizada e revista por josé mendes de souza", o que me parece muito plausível: pois o texto é de lavra visivelmente lusitana, a começar pela adaptação do nome "friedrich nietzsche" para "frederico nietzsche", e de dicção bastante antiga. aliás, a tradução portuguesa de araújo pereira, que saíra em 1913 com o nome de como falava zaratustra, em algum momento passou a portar o exato título de assim falava zaratustra (livro para toda a gente e para ninguém), que foi adotado na edição brasileira. 
que seja: já comentei algumas vezes esse costume editorial brasileiro de utilizar traduções portuguesas sem referir os créditos de origem. então não sei com certeza quem é o autor da tradução inicial - o que sei é que assim falava zaratustra (livro para toda a gente e para ninguém), em tradução feita ou revista por josé mendes de souza, circula faz mais de 60 anos entre nós, amplamente disponível em sebos e em vários sites para download.
em 25 de novembro de 2011, comentei:
a tradução portuguesa de araújo pereira - de 1913 até a data presente, pela guimarães - afinal foi publicada no brasil, circa 1936, pela cultura moderna:


é esta tradução portuguesa que julgo ser a "tradução revista e atualizada por josé mendes de souza", que saiu pela brasil em 1950, com reedições até 1965, e depois, em 1967, passou para a ediouro como "tradução de josé mendes de souza", assim permanecendo pelo menos até 1995.
abaixo, página de rosto da quarta edição da brasil, na "tradução revista e atualizada por josé mendes de souza" em 1960:



e quando passa a aparecer como tradução de josé mendes de souza pela tecnoprint (ediouro):



pois hoje everton grison comenta que essa tradução de não esclarecida autoria, e que merece uma boa checada com a secular tradução de araújo pereira (1913), voltou a circular em nova edição, agora pela saraiva, em sua coleção de bolso:



dando como tradutor - o que, a essas alturas, mal chega a ser uma surpresa - justamente josé mendes de souza.

9 comentários:

  1. É decepcionante saber de uma coisa dessas. A Saraiva com sua gigantesca rede de livrarias publicando estas coisas é no mínimo decepcionante... Coitado de Nietzsche... Parece que no Brasil "muitos" querem arrancar seu bigode a pinça... E olha que eu nem sou leitor assíduo de Nietzsche, mas como leitor, tenho o direito de ler textos traduzidos com qualidade e principalmente, sabendo de onde vieram e foram traduzidos... Os outros livros da coleção de bolso do Nietzsche poderiam ter traduções um pouco mais confiáveis... Pelo jeito optou-se por um "caminho" mais fácil...

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    1. Bruce Torres25.7.12

      Que a Saraiva deveria ter tomado cuidado, sim, deveria. Contudo, essas traduções foram licenciadas para publicação apenas em bolso, certo? Tipo Coleção da Folha, essas coisas. Infelizmente passa batido. Mas vamos ver como a Saraiva vai se pronunciar sobre isso, considerando o final feliz para a bagunça envolvendo a tradução da "Odisseia" lançada em formato de bolso no começo do ano.

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    2. pois é, everton... é, bruce, concordo - em licenciamento, passa batido mesmo, como aquela coleção ridícula da folha que vc bem lembra.

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  2. Fabrizio Lyra25.7.12

    Tenho acompanhado os lançamentos das edições de bolso da Saraiva e sempre abro cada titulo da coleção para conferir o nome do tradutor. Até agora tinha considerado uma excelente iniciativa com obras, tradutores e autores excelentes e consagrados como Ivo Barroso, Ivan Junqueira, Barbara Heliodora e outros. Algumas traduções são antigas mas bem conhecidas. Inclusive, a coleção tem o mérito altamente louvável de trazer para um preço muito acessível obras com grandes traduções como As Flores do Mal de Baudelaire e Os Cantos de Ezra Pound que antes eram caríssimas. Para mim é decepcionante, inexplicável e SURPREENDENTE tomar conhecimento de tal fato. Ainda bem que em pleno século XXI temos internet, Denise Bottman e outros leitores atentos para nos auxiliar nessas situações. Espero que a Saraiva, como outras editoras em situações igualmente estranhas, tome conhecimento dessa matéria e nos forneça explicações.

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    1. concordo, fabrizio - vamos ver se a saraiva e sobretudo a ediouro dão alguma satisfação...

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  3. Bruce Torres25.7.12

    Bozhe moi! Um revisando a tradução do outro e assim sucessivamente, sem que ninguém saiba mais quem fez o que. Não sei se choro ou se... Vou chorar. :(

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  4. É vamos torcer. A coleção prometia, com grandes títulos com preços muito amigáveis. Adquiri vários; Jane Austen, Thomas Mann, Charles Baudelaire, Jean Paul Sartre... mas no meio do trigo sempre cresce um joio... Pode ser que o agricultor passou "batido" pelas ervas, mas elas vão aparecendo...

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  5. É vamos torcer. A coleção prometia, com grandes títulos com preços muito amigáveis. Adquiri vários; Jane Austen, Thomas Mann, Charles Baudelaire, Jean Paul Sartre... mas no meio do trigo sempre cresce um joio... Pode ser que o agricultor passou "batido" pelas ervas, mas elas vão aparecendo...

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