20 de mai de 2012

que interessante!

tão cedo não vou fazer um levantamento de thomas mann no brasil, mas algumas coisas vale a pena comentar, mesmo avulsas:

a primeira obra de mann entre nós parece ter sido o impressionante mário e o mágico, em 1934, por uma editora da qual eu nunca tinha ouvido falar, machado & ninitch, do rio de janeiro, de efemeríssima duração. a tradução é do iugoslavo radicado no brasil, zoran ninitch (que foi também o introdutor de darwin e um dos introdutores de stefan zweig no brasil) . não encontrei nenhuma capinha nem registro em nosso acervo nacional (embora haja um exemplar na biblioteca nacional da alemanha).* aqui na capa da primeira edição alemã, em 1930, com ilustrações de hans meid:



agradeço a nilton resende a preciosa indicação dos créditos da tradução de zoran ninitch - aliás, vale a pena conferir o blog o mágico, aqui, do grupo teatral cia. ganymedes, com textos de nilton resende sobre a adaptação dessa novela de thomas mann. 

também em 1934, sai tonio kröger, em tradução de charlotte von orloff, pela guanabara:




e em 1944 millôr fernandes, então mal e mal com vinte anos de idade, traduzia "não terás outros deuses em minha presença", no volume de textos antinazistas chamado os dez mandamentos e um certo sr. hitler, que saiu pel' o cruzeiro:



* atualização em 20/3/2013: que maravilha! agradeço a mário luiz frungillo a supergentileza de enviar imagem de capa de mario e o mágico, pela machado & ninitch, de 1934:


atualização em 22/3/2013: em 13 e 18 de outubro de 1934, em sua seção "notas de bibliographia" no correio paulistano, meira olydio apresenta os lançamentos praticamente simultâneos de tonio kröger pela guanabara, de mario e o mágico pela machado & ninitch e d'a morte em veneza pela guanabara - sobre esta última, afirma: “a traducção, si não é primorosa, também não chega a fazer vergonha a quem a assigna”. quanto à tradução d'a morte em veneza brevemente resenhada por olydio, não localizei o nome de "quem a assigna" e tampouco imagem de capa. difícil saber a ordem em que saíram.

14 comentários:

  1. denise,
    eu tenho a tradução do "mário e o mágico" de 1934.
    vou escanear e mandar para você.

    comprei porque fiz uma adaptação desse texto para o teatro. e procurei mais essa tradução para eu construir a adaptação, a que demos o nome de "o mágico".

    o interessante foi quando eu encontrei a capa da primeira edição em alemão e vi que a imagem reproduzia exatamente o cenário que nós havíamos pensado para a peça. foi legal isso. o nosso grupo ficou bastante contente.

    aqui há fotos: http://www.ciaganymedes-omagico.blogspot.com.br/

    e aqui há o blog da nossa companhia: http://ciaganymedes.wordpress.com/

    =]

    que jóia ter aparecido algo sobre o mann.

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  2. não acredito, nilton! que preciosidade! mas nem se preocupe; para as finalidades aqui do blog basta o nome do tradutor (se tiver) e uma imagem de capa e/ou da página de rosto.

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  3. essa de cláudio leme que vc cita no blog é de 1975, pela artenova, né? a de 1934 imagino que seja outra.

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  4. sim, a que cito no blog é a do claudio leme. essa postagem é anterior à compra da edição mais antiga.

    a tradução de 1934 foi feita pelo "dr. zoran ninitch". nome mágico, né hehe.
    escanearei a capa e a folha de rosto e mandarei.

    =]. esta semana ainda. é só eu ir à lan house hauhaua.

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  5. não tem pressa, nilton - a indicação do tradutor já é fenomenal (era um iugoslavo, bósnio na verdade, filatelista, tradutor de zweig - tem bastante coisa a respeito dele) - e pelo visto tentou manter uma editora também, a tal machado & ninitch, que pelo jeito durou um ano só. obgíssima!

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  6. Oi, Nilton, também quero uma cópia dessa tradução, meu caro amigo. Como você sabe, Mann é meu autor predileto, e a outra tradução do texto foi feita a partir do francês, ao que parece. É isso mesmo, Denise?
    Abraço para os dois.

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  7. isso, alfredo, a da artenova (cláudio leme) era pelo francês.

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  8. oxe, mando sim, alfredo.

    =]. abração.

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  9. Por um acaso a tradução da Artenova é a mesma publicada pelo Círculo do Livro em nome de Cláudio Leme (sem data de edição, mas creio que tenha sido entre 70-80)?

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  10. é, sim, é a mesma, elaphar, feita a partir do francês.

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  11. elaphar, não sei por quê, mas seu comentário não entrou; então estou copiando:

    † Elaphar † deixou um novo comentário sobre a sua postagem "que interessante!":

    Que coisa... Havia feito ano passado um levantamento sobre as traduções de Thomas Mann, e consegui bastante coisa, mas ainda há dados bastante incompletos (por exemplo, não sabia o nome do tradutor de O Mário e o Mágico).

    Entre o Tônio Kroeger e Os 10 Mandamentos e um Certo Sr. Hitler ainda há ao menos mais 4 traduções:
    1939 - Carlota em Weimar [Lotte in Weimar] por Vera Mourão pela Nova Fronteira
    1940 - O Pensamento Vivo de Schopenhauer pela Martins
    1942 - Os Buddenbrook; Decadência duma família [Buddenbrooks - Verfall einer Familie].Col. Nobel pela Globo
    1943 - A Montanha Mágica pela Pan-Americana S/A

    Não sei a maior parte dos nomes dos tradutores. Se quiseres tudo o que já pesquisei posso lhe enviar por e-mail. É só me mandar um e-mail para rapha301992@hotmail.com.

    Desnecessário dizer, mas Thomas Mann é o melhor escritor do período entre Guerras, e dane-se qualquer opinião contrária!!!

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    1. ah, sim, adoraria. preciso ter um pouco mais de tempo para pegar o mann - essa indicação de 1939 se refere ao ano de lançamento do original. interessante essa indicação da panamericana de 43...

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  12. Mário Luiz Frungillo21.3.13

    Completando alguns dados:
    O pensamento vivo de Schopenhauer foi traduzido por Pedro Ferraz do Amaral
    A montanha mágica da Pan-Americana é traduzida por Otto Silveira (suprime algumas partes, como o capítulo "Abundância de harmonia", deixando incompreensível por que Hans Castorp desaparece de nossas vistas cantando "A tília" de Schubert.

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    1. legal, mário, obrigada!! alguma hora vou tomar coragem para pegar de frente um levantamento do mann entre nós.

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