26 de mai de 2012

"o momento talvez fundamental" da record: fraudes de tradução

o mérito literário de harold robbins não vem ao caso. o que vem ao caso são as fraudes da record em suas traduções: nelson rodrigues? famoso por não saber nem como se dizia "gato" em inglês? que ostentava seu monoglotismo como uma coroa de pedras preciosas? e ruy castro relata, em o anjo pornográfico:
A ideia fora de [Alfredo] Machado,  para ajudar Nelson a faturar um dinheirinho fácil. Mas era também muito conveniente para sua editora: ao ler "Tradução de Nelson Rodrigues" com destaque na capa de livros de Harold Robbins, como "Os insaciáveis", "Os libertinos" e "Escândalo na sociedade", o comprador via naquilo uma garantia. Sabia que era literatura "pesada". Como poderia imaginar que Nelson era o mais acabado monoglota da língua portuguesa...? (p. 345)

Os Insaciáveis 2 Livros Harold Robbins

Harold Robbins - Os Libertinos - Nelson Rodrigues

Escândalo Na Sociedade - Harold Robbins



O Garanhão-harold Robbins, Tradução De Nelson Rodrigues

Livro Harold Robbins : O Indomável - Best-sellers



Uma Prece Para Danny Fisher - Harold Robbins

Livro Harold Robbins - Stiletto - Ótimo Estado!

Livro Harold Robbins : O Machão - Best-sellers

Harold Robbins - Os Herdeiros

Livro Ninguém É De Ninguém - Harold Robbins

A Mulher So - Harold Robbins

Os Sonhos Morrem Primeiro- Harold Robbins

e também:



alguém poderia alegar que são coisas do passado, que naqueles tempos (estamos falando de 1965 até anos bem entrados da década de 1970) não se respeitava muito a tradução e coisas do gênero. a isso, só posso responder duas coisas:

- em primeiro lugar e muito pelo contrário, bem antes de 1965, já fazia umas boas décadas que se dava bastante valor ao ofício de traduzir obras de língua estrangeira - basta ver, desde a primeira metade do século, as traduções da melhoramentos, nacional, globo, josé olympio e tantas outras.

- em segundo lugar, talvez alguém queira ver essa impostura da record como uma pequena malandragem inocente, uma jogada de marketing meio galhofeira que deu certo e vendeu milhões de exemplares numa quantidade espantosa de reedições. o fato é, porém, que o atual dono da editora, o sr. sérgio machado, ainda hoje parece achar esse embuste não só perfeitamente aceitável, mas também prova de grande inteligência empresarial, tino comercial e capacidade de "se reinventar". na verdade, esse eureka! constitui o "momento talvez fundamental" da história da empresa, segundo o que afirma o sr. sérgio machado, em entrevista publicada hoje no jornal o estado de são paulo:
Mas o momento talvez fundamental da nossa história foi quando meu pai perguntou ao meu tio: “Décio, por que a gente não faz livro que vende? ... Estou lendo um livro que me deram, Os Insaciáveis, do Harold Robbins. O negócio de conseguir direitos é comigo mesmo.” Comprou e publicou pela primeira vez um livro com o objetivo exclusivo de vender para o leitor. ... Veja o que fez para lançar esse livro, que era bem apimentado: pôs que a tradução era de Nelson Rodrigues. Nelson nunca aprendeu inglês! A cada tiragem, ele ia lá na editora pegar um dinheirinho. E a gente publicou, dele, naquela época, O Casamento. [destaque meu, db]
como vimos nas ilustrações acima, a intrujice parece ter dado tão certo que nada menos que catorze livros de robbins vêm com a tradução falsamente assinada por nelson rodrigues (além do bestseller de charles webb, a primeira noite de um homem). foram também feitos vários licenciamentos dessas fraudes para a abril cultural, o círculo do livro e a nova cultural pelo menos até 1987, a cada vez em altíssimas tiragens e várias reedições.

se este é o eixo da política empresarial do grupo record, que parece se orgulhar de ter como momento "talvez" fundamental de sua história uma descarada trapaça para embair os leitores, fico pensando... por outro lado, talvez não se possa esperar muito mais de um empresário que proclama não guardar nenhuma relação especial com sua empresa e que considera um filme sobre a máfia um excelente ícone (ou "metáfora fantástica") de sua maneira de conduzir os negócios.

para a entrevista completa do proprietário do maior grupo editorial do país, veja-se aqui.

veja-se a continuação das outras "traduções" da record em nome de nelson rodrigues:

46 comentários:

  1. Anônimo27.5.12

    Estou boquiaberta, Denise, com tanta desfaçatez e tanta desonestidade! Um exemplo da corrupção que atinge a nós todos e que chegou até o mercado deitorial. E Nelson Rodrigues morreu - se não me falha a memória - há mais de 20 anos. Então, as fraudes já vem de há muito!

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    1. pois é - fraudes de tradução realmente vêm de há muito mesmo; mas que o dono da editora se vanglorie delas e considere um momento fundamental da história de sua empresa, isso é mesmo de pasmar.

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  2. Denise,
    Já havia sido chocante, para mim, descobrir que à frente do maior grupo editorial do país (e da América Latina) está um sujeito como Sérgio Machado, que revela sem pudores que não passa de um negociador sem escrúpulos - ao contrário do que diz o perfil da Record no Twitter ("Desde 1942, o Grupo Editorial Record conserva a vocação de difundir informação, conhecimento, cultura e entretenimento literário").

    Agora o ápice da baixaria realmente ficou por conta da fraude escancarada - e levada numa boa - quanto às traduções de Harold Robbins e Charles Webb. Saber dessa no ano do centenário do Nelson Rodrigues, que, embora talentoso, sempre foi figura controversa, é terrível.

    Mais uma vez, parabéns pelo trabalho de investigar e registrar o lado pobre do mundo editorial, que desrespeita o tradutor quando e onde menos se espera.

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  3. isso, laion: "levada numa boa", desconcertante! e ainda acha uma sacada brilhante!

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  4. Denise,

    não me incomodo que qualquer um venda livros sem maiores amores. Desde que a publicação seja feita dentro dos parâmetros de qualidade e correção ética exigidos em qualquer produto.

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  5. Anônimo27.5.12

    É realmente vergonhoso. Traduzo para o grupo Record há algum tempo. Até compreendo que se trabalhe em algum setor sem que isso represente uma afinidade, visando apenas o lucro. Quer dizer, compreendo em termos, porque sendo os livros a minha paixão, me entristece que o dono de uma editora dê uma entrevista dessas. De pronto pensei em nosso presidente Lula vangloriando-se de nunca ter lido um livro. Vergonhoso também para a imagem de Nelson Rodrigues - mancha sua história.

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    1. é, prezado anônimo, se pelo menos o empresário não alardeasse o recurso a propaganda enganosa como um valor positivo, uma tacada de gênio de uma empresa "reinventando a si própria"... um pouco de pudor não cairia mal.

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    2. Anônimo27.5.12

      Oi, Denise! Você, como sempre atenta a tudo, não deixou passar o conteúdo dessa acintosa entrevista. Eu já a tinha lido, com grande incômodo. O dono da Record – a palavra é essa: ele é o dono de um negócio, e nada mais – além de não se incomodar nem um pouco com essas “pequenas” falcatruas feitas para ganhar mais dinheiro, ainda tem a capacidade de declarar que não gosta de ficção! Realmente, para um editor... isso é no mínimo lamentável. Ah, mas é mesmo, eu tinha me esquecido: ele é somente o dono de um negócio (lucrativo, por sinal) e, como tal, sua preocupação se resume a ganhar dinheiro. E seja lá como for. E diga-se de passagem que, para ganhar mais dinheiro, eles exploram os tradutores de modo intolerável (sei do que falo).

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    3. "acintosa": bem colocado, prezado anônimo.

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    4. caro anônimo que escreveu: "De pronto pensei em nosso presidente Lula vangloriando-se de nunca ter lido um livro."

      Eu sempre leio pessoas escrevendo q Lula se orgulha disso, mas nunca soube quando ele falou isso. Você saberia me dizer?

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    5. pois é, aiaiai - não sei dizer, não, e sempre me pareceu mais ou menos uma espécie de factoide.

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    6. Anônimo, desconheço entrevista em que Lula se vanglorie de nunca ter lido um livro. Já vi pessoas citando essa frase, mas nunca a prova de que ela realmente foi dita. Na verdade, pelas pesquisas que fiz, tenho certeza de que ele jamais disse tal frase (encontrei o contrário, ele dizendo que leu a biografia do Garrincha). Cuidado com citações sem referência.

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  6. Anônimo27.5.12

    Denise, cada vez mais admiro você! O desrespeito com que alguns empresários brasileiros tratam quem trabalha para eles só não é estarrecedor porque é rotineiro. Migalhas, esmolas? pra eles isso é natural, e não importa que o "agraciado" seja um escritor genial. Mais ainda me irrita que tenhamos que permanecer anônimos, sob pena de entrarmos para sempre num certo index prohibitorum do mercado de trabalho...

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    1. concordo, prezado anônimo, a história toda é sórdida de um lado, humilhante de outro.

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  7. Denise:

    Também me chocou -- e muito -- o seguinte:
    "A cada tiragem, ele ia lá na editora pegar um dinheirinho."

    E nós, que estudamos idiomas, gastamos com dicionários e cursos complementares, não recebemos um centavo de direitos autorais. É só o "adiantamento" pago pela editora e nada de extra, por mais que o livro venda.
    Mas ele podia...

    Stella Machado

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    1. stella, não acho o nelson tenha feito um papel bonito nisso e nem o defendo, mas fico com pena dele - que situação degradante, aos 53 anos e até a morte, ir lá receber "um dinheirinho" em troca de pôr seu nome em coisas de quinta categoria...

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    2. Anônimo28.5.12

      Dentro do aspecto moral: conheci nas redações muitos jornalistas talentosos, escritores, que viviam de "dinheirinhos" de fontes variadas. Humilhados, ofendidos, degradados, tratando a palavra, sua forma de exprimir-se, como quem trata uma barata... Personagens com frequencia propensos a beber, exasperados, revoltados. Falsamente tratados como iguais, os bobos da corte dos donos das empresas e da política. E até hoje a coisa funciona assim, não mais na tradução, talvez. Digo talvez porque quando a gente pensa que as coisas mudaram, a fala sem pudor do empresário indica que não, que só mudaram os "agraciados" (infelizmente, a gente conhece vários, e não sei se tenho pena, pela tal degradação, ou raiva, já que cada um tem livre arbíbtrio para dizer NÃO).

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  8. Cara Denise, muito boas as suas considerações. Venho aqui prestar colaboração com relação ao aspecto jurídico do problema, pois há várias questões envolvidas. Primeira: o tradutor verdadeiro foi lesado em seus direitos morais (os patrimoniais não vêm ao caso) e pode pedir uma indenização. Mesmo que ele tenha firmado um contrato do tipo "ghost writer", este será nulo de pleno direito por conta do seu objeto ilícito: atribuição fraudulenta a outra pessoa. Trata-se de um direito imprescritível, portanto pode ser reivindicado a qualquer tempo. Segunda: lesão aos direitos do consumidor. Como o nosso CDC é de 1990, qualquer lesão anterior a essa data fica prejudicada, mas não as eventualmente posteriores, que eu acho não ser o caso. Terceira: a falsidade ideológica, crime personalíssimo do falso tradutor (i.e., Nelson Rodrigues), mas a participação do editor talvez se enquadrasse em formação de quadrilha. De qualquer forma já prescreveu a punibilidade há muito tempo. Enfim, qualquer punição ao editor, com exceção da questão dos direitos morais do tradutor verdadeiro, só poderia ser no campo da ética, não do Direito.
    Abraço

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    1. caro fábio: que ótimo, agradeço muito os esclarecimentos, muito mesmo.

      é, pelo que entendo do que vc explicou, em termos autorais o legitimado a qq reclamação seria o tradutor lesado (como ele já morreu faz uns dois anos, duvido que a família se interesse pelo caso, até porque foi funcionário da record por muitos anos, acho que uns vinte, e aparentemente não tinha nenhum prurido em se prestar ao papel). eu tinha pensado em direito do consumidor, mas esse "pequeno detalhe" que vc esclarece já impossibilita esse recurso. de fato, em função da data não seria mais o caso. e em terceiro lugar, nelson rodrigues morreu faz mais de trinta anos, e no caso ele andava meio pressionado pelas circunstâncias, digamos assim. como o campo da ética mais comezinha parece ser uma floresta virgem e indevassável da quinta galáxia após o décimo buraco negro e indo parar do outro lado do universo para empresários que louvam o espírito godfatheriano nos negócios, acho que então fica na lista dos deplorabilíssimos fenômenos de nosso sertão cultural...

      muito obrigada de novo, fábio; muito esclarecedor mesmo.

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  9. Anônimo27.5.12

    Há tempos eu tenho uma idéia fixa na cabeça, só nao tive paciência de levá-la em frente, mas ela bem pode se transformar aqui numa coisa mais organizada. Bem, a idéia é a seguinte: a próxima vez que eu me deparar com uma tradução da qualidade da que fizeram para Metaphysical Horror, de Leszek Kolakowski, livro que reli estarrecido e pretendo reler agora em inglês, apesar da preguiça antecipada pelo esforço que será, pois meu inglês é razoável, mas não a esse ponto - a próxima vez que pegar um livro mal traduzido, irei primeiro à livraria com o ar mais ingênuo do mundo pedir a troca do produto POR DEFEITO de FABRICAÇÃO. Caso não seja antendido, entrarei com uma ação no Procom. Sed eu ganhar e coisa virar jurisprudência, os editores se verão obrigados a não só remunerar melhor os tradutores como tb a pagar por um copy desk final além do revisor.

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    1. ha, que ótimo, prezado anônimo! seria sensacional - e em princípio estaria 100% amparado pela lei :-))

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  10. Anônimo27.5.12

    A Record inventou a "reinvenção" para pior!
    Uma pergunta ao Fábio: as traduções foram feitas antes de 90, mas e as reedições, o CDC não pode enquadrá-las?

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    1. ah, interessante... fui rever os títulos disponíveis com filtro a partir de 1990; até meados de 90, pelo menos, encontrei vários com referência a nelson como autor da tradução, pelo círculo do livro; teria de ver com mais calma os posteriores tb.

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    2. Caros, se por acaso tiver sido publicada uma nova edição dessas traduções após 1990, ela com certeza se submete à legislação sobre direito do consumidor. O vício oculto nesse caso é evidente, a tradução anunciada não corresponde ao fato do produto, o que pode motivar a instauração do inquérito civil. Não sou consumeirista, seria interessante questionar alguém da área sobre os prazos de prescrição e decadência.

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    3. já vi decisão de juiz negando o mérito de uma ação por terem se passado mais de cinco anos após a data da edição. mas era um caso de DA, não de direito de consumidor.

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  11. Fabrizio Lyra28.5.12

    É triste, muito triste mesmo! Só posso outra vez te parabenizar pela sua coragem e agradecer pelo serviço que presta aos leitores e ao nosso patrimônio cultural. Fico mais triste ainda ao lembrar tanto tempo ao qual me dediquei às peças de Nelson interpretando alguns dos seus personagens mais exaustivos e louvando a critica que ele fazia a hipocrisia da sociedade burguesa. Eu sei que o papel ao qual ele se prestou nesse episódio nada tem a ver com o seu brilhantismo como escritor e nem cancela todas as denúncias que ele fez. Mas, mesmo assim, pesa muito no coração de qualquer um porque não deixa de ser uma imensa contradição entre teoria e prática, especialmente vindo do nome tão incensado pela ousadia de colocar o dedo e expor as misérias ocultas daqueles considerados mais respeitáveis em nosso cotidiano de cidadãos. Com todas aquelas inúmeras frases de efeito! E isso acontecendo especialmente nas comemorações do seu centenário. Mas talvez nada seja por acaso e isso evidentemente que só pode ter o lado positivo de aumentar nosso esclarecimento. Me junto novamente ao coro dos que a apoiam!

    Abraços!

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    1. obrigada por seu constante apoio, fabrizio. sim, bem ou mal, pouco ou muito, a coisa respinga no nelson: como disse um amigo, que tristeza que ele tenha se sujeitado a tal degradação.

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  12. Anônimo28.5.12

    Esse senhor envergonha o mundo editorial. Por sorte ele mesmo não se diz editor, é tão somente o 'dono' da empresa. um grupo editorial lucrativo, por certo, mas que em nada orgulha os que amam os livros. Lamento muito que a casa editorial fundada por Enio da Silveira, homem honrado, progressista, tenha sido engolhida por esse conglomerado. Sempre penso nisso ao comprar livros, quando busco obras das editoras que mantém catálogos coerentes, que primam pela qualidade e indenpendência. Parabéns por seu trabalho, Denise. Um abraço, Paulo José (talvez este post apareça como anônimo, explico que não por intenção minha, mas porque não sei o que é 'url' que seu blog pede).

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    1. concordo, prezado paulo: dá pena ver como o tal do "capitalismo selvagem" deixa tanta ruína e devastação em seu caminho.

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  13. Oi, Denise e Fábio: eu sou o Anônimo da idéia do "defeito de fabricação" e do enquadramento das traduções pós 90 no CDC. Que tal conversarmos mais detalhadamente sobre uma ação efetiva Eu tenho algumas idéias de ação, mas o primordial é saber se de fato contamos com amparo legal.

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    1. é, seria a primeira coisa a saber com segurança...

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  14. Mas foi o próprio Alfredo quem fez a tradução? Porque no texto fica claro que Nelson RECEBIA por essas traduções...Desonestidade da editora e de Nelson Rodrigues, que sabia que não era dele a tradução...mas dá a entender que o próprio Alfredo traduziu e pagou Nelson pelo uso do nome. Ele ganharia mais com a venda dos livros, de qualquer maneira. Como saberemos o que realmente aconteceu?

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  15. vanessa, até onde sei, foi um funcionário interno (um tradutor da casa, como dizem) que fez as traduções. infelizmente não estou localizando o documento que li alguns anos atrás, nomeando a pessoa, e sem documentação não me sinto à vontade para divulgar seu nome.

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  16. Antonio28.5.12

    Alguém pode me dizer se a tradução do falso Neleson Rodrigues é boa?

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  17. Gente, acho bacana essa discussão, mas sinceramente, o Nelson Rodrigues concordou, e sim, a tradução é boa. As leis de direitos autorais eram diferentes do que são hoje. Acho que isso não é motivo pra atacar um editor que assume ser um negociante - e quem não for, num mundo capitalista - que atire a primeira pedra! Acho o caso da Cia das Letras mil vezes pior - além de publicar péssimas traduções e colocar que só vende qualidade, ainda o Luiz Schwarcz vendeu sua empresa pro capital estrangeiro (que aliás também controla sistemas de ensino que representam um retrocesso no nosso país), e posa como bom moço da esquerda. Entretanto, nenhum jornalista ataca o Schwarcz - todo mundo achou natural Drummond ser publicado por uma multinacional. Quer pior negociante que isso?!!! Valorizo muito seu trabalho, Denise, acho que ele é válido, mas na minha humilde opinião vc foi muito dura com um editor que não é hipócrita como o Sergio Machado. Acho que ele foi sincero e eu gostei da entrevista. Queria ver alguém perguntar pro Luiz Schwarcz: por que vc publica péssimas traduções e vende como alta qualidade? Percebe que essa discussão de certa forma não vai levar a lugar nenhum?! Agradeço a participação!

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    1. esteja à vontade, dri :-)

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    2. Bruce Torres31.5.12

      Péssimas traduções? Questionáveis talvez, mas péssimas? Exemplos, por favor.

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  18. Anônimo28.5.12

    Gente, ninguém sabia dessa história antes? Só porque saiu a entrevista do Sergio Machado no Sabático todo mundo descobriu?! Por favor, a tradução é boa, sim, Antonio, foi feita com consentimento do Nelson Rodrigues, que recebeu por isso, e acho que discussão melhor sobre capitalismo selvagem é perguntar ao Luiz Schwarcz porque ele vendeu nosso patrimônio cultural aos estrangeiros, entregando sua editora ao capital internacional. Não concordam? Sinceramente, essa discussão está bastante anacrônica. As leis da época eram completamente diferentes! Aquele abraço a todos!

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    1. prezado anônimo, se vc ler com atenção, não é bem disso ("dessa história") que trata o post ;-)

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    2. Anônimo29.5.12

      sim, é disso sim, prezada tradutora. E também do fato de que NINGUÉM, nenhum jornalista puxa-saco ou crítico de plantão, resolveu chamar o Schwarcz de capitalista porque ele entregou nosso patrimônio à Penguin...Pufs! Isso sim é muito mais sério, pois a Penguin controla setores educacionais que representam o fim de todo um sonho pedagógico possível (ligado à Paulo Freire, etc). Como leitor não me senti desrespeitado com tudo isso, mas sim, por ver Drummond sendo consumido por burguesinhos alienados. Isso, sim, minha cara, é uma tremenda afronta ao leitor que ama seu poeta. Bem pior, mas bem pior que qualquer outro capitalista já fez. E no entanto a imprensa adora o Schwarcz, não houve uma crítica negativa a ele, como se afinal, coitadinho, ele fizesse parte do capital e não pudesse frear seu avanço! E o Sergio Machado que é o capitalista que nos ofende?! Será??!!!! Até!

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  19. Anônimo28.5.12

    esse blog só publica comentários favoráveis à causa?!

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    1. haha, prezado anônimo, vc é muito divertido!

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    2. Anônimo29.5.12

      vc tb...! e valeu por publicar o meu comentário, que é o seguinte:
      adorei a entrevista do Sergio Machado - valorizo sua franqueza e falta de hipocrisia;
      acho ele um grande editor, mesmo que não seja o queridinho da grande imprensa - só por isso já o valorizo!
      aquele abraço!

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  20. Fabrizio Lyra29.5.12

    Não quero me alongar nessa discussão porque já disse o que penso(e não disse de forma anônima, como nunca postei nada aqui anonimamente e, mesmo assim, nunca falei da forma exaltada como certos anônimos falam. Talvez a educação e a gentileza sejam um anacronismo). Mas só gostaria de dois pequenos esclarecimentos em relação a duas colocações que li dos anônimos(e não vai aí nenhuma crítica ou sarcasmo a eles porquê não é do meu temperamento ser irônico, exaltado ou sarcástico e creio que a maioria das verdades e posicionamentos podem ser feitos com educação e controle). A minha primeira dúvida em relação ao que os anônimos disseram é a seguinte: o que a situação atual da Companhia das Letras tem a ver com o assunto das traduções assinadas por Nelson Rodrigues que ele não fez? E, já que foi tocado nesse assunto, não entendi também a colocação feita por um anônimo em relação ao fato de Drummond estar sendo publicado agora pela Companhia das Letras e isso fazer com que ele se sinta desrespeitado pelo poeta estar sendo consumido por burguesinhos alienados. Creio que as respostas curtas de Denise se devem ao fato de que uma pessoa bem educada não se alonga no debate com quem não dá argumentos sólidos ao assunto do qual ela está tratando e ainda se expressa de forma raivosa. Mas queria entender essa questão dos "burguesinhos alienados" da Companhia das Letras. Não para responder aos anônimos. Mas para esclarecer aos muitos, especialmente jovens, que estão consultando esse blog e que eu indico para consultar. Eu posso deduzir aonde o anônimo quis chegar. Mas creio que deveria haver uma colocação melhor e esclarecimentos mais aprofundados. Drummond e qualquer outro pode ser publicado em qualquer lugar que sempre e somente será lido e sentido de verdade pelos verdadeiros amantes da leitura. Sei que a questão do anônimo foi outra. Ou talvez outras questões além da compreensão de quem é apenas leitor há muitos anos e não é profissional do mercado editorial estejam envolvidas. Talvez, para muitos, eu esteja sendo ingênuo e não devesse dizer nada. Mas aí vai meu posicionamento.

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  21. Cara Denise, o hilário anônimo deve ter orgulho de morar num país onde há maracutaias, corrupção, rudo "sem hipocrisia". Basta assumir a desfaçatez e tudo bem.
    E o Carlos Drummond lido por burguesinhos, se eles o lere, ótimo. Porque não há uma cláusula do grandes autores que o impeçam de ser lido por burguesinhos.
    Foi uma instrutiva leitura a dos comentários, afora seu próprio e iluminado post.
    Abraço do seu eterno admirador, Alfredo Monte

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