31 de mai de 2012

marques rebelo e a pongetti II

não tenho o menor gosto em ficar remexendo em lixo. o que me interessa é tentar entender e reconstituir o processo e o papel da tradução no brasil, sobretudo no século XX. o problema é que, nisso, a gente acaba encontrando um monte de fraudes e entulhos, que tem de ficar revirando até desencrostar esses parasitas e chegar às traduções legítimas, que acabaram sendo sugadas e esquecidas.

na listagem das traduções "revistas" por marques rebelo, encontrei uma selma lagerlöf (que aprecio muito, confesso que mais pela aura que a cerca do que pelos seus textos, os quais mal conheço): a lenda de uma quinta senhorial, pela pongetti, 1943.



tentando localizar a tradução de origem, vejo que a cia. brasil lançou em 1937 uma tradução feita por araújo ribeiro, com o mesmo título. parece-me mais do que provável que tenha sido ela a tradução garfada pela pongetti. encontrei referências em alguns sebos e consta num site sueco dedicado à obra de selma lagerlöf a seguinte ficha, aqui:


Lagerlöf, Selma: En herrgårdssägen.

A lenda de uma quinta senhorial / trad. directa e integral dos originaes suecos de Araujo Ribeiro

Lagerlöf, Selma, 1858-1940 (författare)
Ribeiro, Araujo (översättare)
Rio, 1937
Portugisiska 187 s., 1 portr.
Serie: Collecção "Scandinavia"
  • Bok

agora, que seja uma tradução directa dos originaes suecos até me surpreendeu; como é difícil reconstituir nosso acervo tradutório e quantas surpresas não nos reserva ele!

bem, por ora ficamos sabendo a que (ou de onde) muito provavelmente veio a tal da "tradução revista" que saiu pela pongetti.

sobre os procedimentos da editora e os préstimos de seus revisores, ver também marques rebelo e a pongetti, aqui.

Um comentário:

  1. Que passado obscuro e amador! Pior ainda é que tal passado ainda lança os braços ao presente. Chega a desanimar...

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