2 de mai de 2012

jack london no brasil VII

é interessante notar a importância de magazines populares na divulgação dos contos de jack london no brasil. já indiquei alguns dos anos 50, na edição maravilhosa da ebal.

vejam-se alguns números do mistério magazine de ellery queen, publicado pela globo. não localizei os créditos de tradução nas consultas virtuais aos sebos, e talvez até fosse uma "personalidade de conveniência", como dizia érico veríssimo (veja aqui). mas, até onde conheço o histórico da globo em suas traduções, tanto para livros quanto para revistas, tenho razoável certeza de que eram traduções próprias, da casa.

em 1955, sai o conto "o inesperado" (n. 69):



ainda em 1955, "um simples chim" (n. 73):



em 1956, "desvio para oeste" (n. 80):



em 1957, "o rei dos leprosos" (n. 93):





em 1961, a livraria martins lança "o rei dos leprosos" em obras-primas do conto fantástico, organização de jacob penteado. não sei se é a mesma tradução que saiu na mistério magazine acima.


em 1960, sai "perda de prestígio" (n. 130), com destaque na chamada de capa:



em 1965, "carne, nada mais" (n. 193):





em 1966, a livraria martins lança também "carne, nada mais", em obras-primas do conto de suspense, organização de luís martins. não sei se é a mesma tradução que saiu na mistério magazine, acima.





para 1970, encontrei referência a "a trilha do cavalo morto" (n. 11). não sou familiarizada com a trajetória do mistério magazine, mas imagino que, pela numeração, se trate de uma nova série. pena, não localizei imagem de capa.

quanto ao conto "the unexpected" (1907), cuja tradução saiu em 1955 no n. 69 da revista, eu não me surpreenderia  muito se fosse esta mesma tradução a utilizada pela cultrix em 1958, sem qualquer crédito de autoria ou licença de uso, para sua coletânea de maravilhas do conto norte-americano, organizada por edgard cavalheiro. (aliás, vários nomes de supostos responsáveis pela seleção dos contos nessas coletâneas da cultrix eram simplesmente inventados: este "john c. w. smith" da página de rosto abaixo não engana nem criancinha - veja aqui outro exemplo -, sem contar o célebre t. booker washington que assinava a "revisão da tradução", esta usualmente dada como anônima, claro. infelizmente, esse misterioso t. booker washington das edições da cultrix acabou ganhando entrada em inúmeros cadastros, estudos e referências como tradutor. veja aqui.)




acompanhe aqui outras obras de jack london no brasil. 

atualização em 11/5/2013

11 comentários:

  1. Prezada Denise B.,

    "Descobri" o seu blog através de uma pesquisa q fiz sobre Como funciona a ficção. Estou deslumbrado. Já estudei os aspectos teóricos e práticos da tradução na graduação e acho q traduzir como vc e tantos outros(Paulo Bezerra, Marcelo Pen, Paulo Henriques Britto, etc) traduzem, aqui no Brasil, é uma arte, uma responsabilidade, um bem... Fiquei muito feliz ao perceber q sou possuidor de alguns volumes traduzidos pela sra. (Modernismo: guia geral, A cultura do romance, Ao longo do rio-corrente) e estou ansioso para ler alguns de seus próximos trabalhos (Ao farol, os outros volumes da série de Franco Moretti). E para terminar quero dizer q sou fã de Henry James e ao ler alguns de seus posts sobre ele fiquei sonhando com o tempo no qual algumas das grandes obras desse autor serão vertidas pro português através de suas mãos. Espero q esses dias n demorem.

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  2. quanta gentileza, lucas. sim, entendo tradução como basicamente uma questão de responsabilidade e de contribuição também, em pequena medida, para o acervo de bens culturais entre nós. depois de pronta, a gente sempre acha que poderia ter feito melhor, ou que deixou escapar alguma coisa e assim por diante. mas a gente se esforça, como dizem :-))
    obrigada pela apreciação generosa!

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  3. Bom dia, Denise,

    Estou gostando muito de acompanhar suas discussões. Sou professor de francês tanto em Letras quanto no Secretariado Executivo e muitas dessas questões ocorrem em nosso dia a dia. O que me trouxe a comentar nesta postagem foi a referência à coletânea de Jacob Penteado, chamada "Obras-primas do conto fantástico". Adquiri o antigo volume, mas não consigo encontrar referências a quem tenha feito as traduções. Você tem alguma pista ou sabe de alguém a quem eu possa perguntar? Desde já muito agradecido,

    Fábio.

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  4. olá, fábio, tudo bem? muitas dessas antologias organizadas pelo jacob penteado e também as organizadas pelo edgard cavalheiro (e muitos volumes da coleção "maravilhas do conto universal" da cultrix) não trazem mesmo créditos de tradução. em muitos casos, são traduções "surripiadas" de outras editoras, brasileiras e portuguesas, sem licenciamento, sem indicação de fonte nem crédito de tradução. para localizar a efetiva autoria da tradução, é um trabalho meio de detetive, de ir procurando edições anteriores e, se de fato houver grande interesse em determinar a origem das traduções publicadas nessas antologias, de sair comprando essas edições anteriores e ir cotejando com a edição em análise.

    abraço,
    denise

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    1. Olá, Denise,

      Obrigado pela resposta. É que estudo o Jean Lorrain, cujo conto "Les trous du masque", traduzido como "os vazios da máscara" é uma das três traduções que já rastreei (uma é do Paulo Paes, de 1985 e faz parte de uma coletânea de contos fantásticos traduzidos pelo próprio Paes e que dá nome ao todo, mas émais literal, "os buracos da máscara"; outra é da Rosa Freire d'Aguiar e está na coletânea do Italo Calvino, "melhores contos fantásticos do século XIX", de 2004). Em comparação com as duas mais recentes e uma que fiz pessoalmente para servir de lastro analítico para um artigo, ela é muito ruim e corta trechos importantes, quando não modifica completamente o sentido de vários parágrafos. Vou dar mais buscas por aí com atenção nessa valiosa informação de que a cultrix jogou sujo nesse caso... Muito obrigado mesmo!

      Abraço,

      Fábio.

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  5. é, que pena, a concepção da coleção da cultrix era muito legal, mas o desenvolvimento de grande parte dela (a cargo sobretudo de edgard cavalheiro) foi simplesmente atroz...

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  6. Olá, Denise,

    Obrigado pela resposta. É que estudo o Jean Lorrain, cujo conto "Les trous du masque", inserido na referida coletânea e traduzido como "os vazios da máscara", é uma das três traduções que já rastreei (uma é do Paulo Paes, de 1985, e faz parte de uma coletânea de contos fantásticos traduzidos pelo próprio Paes e que dá nome ao todo, mas é mais literal, ficou "os buracos da máscara"; a outra é da Rosa Freire d'Aguiar e está na coletânea do Italo Calvino, "Melhores contos fantásticos do século XIX", de 2004 e também foi entitulado "os buracos da máscara"). Em comparação com as duas mais recentes e uma que fiz pessoalmente para servir de lastro analítico para um artigo, ela é muito ruim e corta trechos importantes, quando não modifica completamente o sentido de vários parágrafos, mas mesmo assim preciso descobrir o pai/mãe da criança ao invés de descartá-la. Vou dar mais buscas por aí com atenção nessa valiosa informação de que a Cultrix jogou sujo nesse caso... Muito obrigado mesmo!

    Além disso, Marcus Salgado traduziu e publicou uma coletânea de contos do mesmo Jean Lorrain e comenta na introdução ao trabalho ter procurado realizar uma "réplica sincrônica", termo que ele alega ter retirado de George Steiner. Como não consegui contato com o autor, nem achei esse termo em inglês ou francês, gostaria de saber se você tem ideia de que obra de Steiner esse termo pode ter sido retirado e se ele é comum na prática da tradução literária.

    Abraço,

    Fábio.

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    1. essa ideia do steiner de sincronicidade na teoria e prática da tradução acho que você vai encontrar em "depois de babel", no capítulo sobre a hermenêutica.

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    2. corrigindo a penúltima resposta minha, "acho que você vai encontrar" não: com certeza vc vai encontrar etc. - estou vendo aqui minha edição ( ufpr, 2005, tradução do sérgio faraco: está no capítulo 5, o movimento hermenêutico, na seção 2, p. 353 ss., mas não tanto como conceito formalizado e sim como conceito mais corrente mesmo de sincronicidade, no sentido dessa adaptação "sincrônica" de um texto à sua época correspondente no outro país. nesse sentido, essa meio críptica "réplica sincrônica" talvez signifique que o tradutor tenha pretendido escrever sua tradução guardando os vezos de época então dominantes no brasil. se for isso, sim, ok, normal, é mais um tipo de abordagem, de partido tradutório, do que propriamente um conceito.

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  7. Bom dia, Denise, estou extremamente grato com sua disposição em discutir o assunto. No meio acadêmico é complicado discutir traduções além do "esse tradutor é bom, aquele outro é ruim" e sequer se discutem trechos em comparação como foi o caso do saudoso Agenor Soares de Moura. O problema da sincronicidade me preocupa, pois Jean Lorrain era um sujeito dado ao uso de gírias, mas era de grande erudição (para tratar de apenas um aspecto de sua obra) e, ao ler um autor nacional muito influenciado pelo trabalho daquele, o João do Rio, percebo que não estamos de um narrador tão afetado pelos excessos do decadentismo, muito pelo contrário, seu texto é muito próximo do que lemos hoje em dia. O que dificulta a leitura de Jean Lorrain são os nomes de objetos, às vezes inexistentes ou desaparecidos da cultura nacional e gírias referentes a substantivos: há uma cena em "Les trous du masque" em que duas mulheres estão fantasiadas de proletários e cujo termo "blousard" era um tratamento pejorativo de época para se referir aos trabalhadores, por metonímia, à forma com que se vestiam. Tanto Paes quanto d'Aguiar traduziram literalmente por "blusões"; já a tradução do Jacob traduziu como "guardas", desfigurando totalmente o texto original.

    Vou dar uma olhada no "depois de Babel" do Steiner para entender melhor o conceito, pois preciso disso para um artigo e o Salgado, como eu já tinha dito, não colocou a referência de todos os textos citados na introdução, o que faz da leitura da primeira coletânea sobre o Jean Lorrain em português no Brasil um trabalho de investigação!

    Mais uma vez, mil vezes agradecido pela disposição!

    Fábio.

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  8. essas traduções que optam por um partido de "reconstituição linguístico-histórica", digamos assim, ou que se pretendem "réplicas sincrônicas", para dizer com o organizador da coletânea são interessantes; são bastante difíceis de fazer, devido ao tipo de pesquisa exigido e também devido às suposições que você tem de fazer do que "soaria natural" ou "soaria de modo similar" ao original entre seu público de época. esse problema do anacronismo (irmão gêmeo da sincronicidade neste sentido) fica muito claro, por exemplo, em traduções de textos seiscentistas ou setecentistas, quando o texto resultante muito provavelmente soará precioso para nós, sendo que o texto original em sua época estava longe de ser precioso. são questões próprias e indissociáveis do ofício, com as quais a gente se depara constantemente. mas de modo mais corrente os partidos dominantes tentam mais trabalhar no que se chama "efeito de leitura", o que significa evitar esse efeito de anacronismo gerado por opções "sincrônicas". mas são sempre interessantes, claro. resta ver como fica o resultado.

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