20 de mai de 2012

herman melville no brasil

vamos a herman melville, a quinta estrela que faltava para completarmos a constelação da chamada american renaissance traduzida no brasil.

quanto ao magnum opus de melville, moby dick, a vasta relação das traduções integrais, condensações, adaptações e quadrinizações já foi apresentada no post "aniversário de moby dick", aqui. neste post apresentarei seus outros escritos lançados no país.

mas cabe retomar uma adaptação de moby dick, pois foi ela, até onde consegui apurar, a primeira publicação de melville no brasil. chegou a nós em 1935 por iniciativa de monteiro lobato (mais uma vez, tal como ocorrera com jack london), agora com a colaboração de adalberto rochsteiner. a tradução e adaptação a quatro mãos foi publicada pela companhia editora nacional, trazendo o subtítulo de a fera do mar, com várias reedições ao longo das décadas:



depois, em 1945, teremos "a história do 'town-ho'" com tradução de guilherme figueiredo, in os norte-americanos: antigos e modernos, pela editora leitura, atualmente no catálogo da ediouro com o título de contos norte-americanos: os clássicos. incluído em contos norte-americanos pela bup, 1963, e na coletânea os melhores contos de aventuras, pela agir, 2008:

OS MELHORES CONTOS DE AVENTURAS



imagem: aqui

em 1952, saem "benito cereno" e "billy budd" apanhados num volume de título dramas do mar, em  tradução de octavio mendes cajado, pela saraiva. será reeditado várias vezes pela tecnoprint/ ediouro a partir de 1966:



em 1961, sai o primeiro "bartleby" brasileiro in os mais belos contos norte-americanos, em tradução de therson santos, pela caravela:


em 1963, sai "billy budd, gajeiro do mastro real" em tradução de eurico dowens,* in novelas norte-americanas, com seleção de cassiano nunes, pela cultrix, com reedição em 1965:



* para este dado, estou me baseando em irene hirsch, aqui (no volume constam mais três tradutores - teria de conferir ao vivo).

em 1967 é lançada uma "tradução especial" de typee, com o título de mares do sul, atribuída a jacob penteado e a josé maria machado, pelo clube do livro. quanto às "traduções especiais" do clube do livro, veja aqui.



em 1967, bartleby sai com o título de "prefiro não fazer - uma história de wall street", in sete novelas clássicas, com tradução de márcio cotrim e outros, pela imago/ lidador:



em 1969, temos pela cultrix a coletânea selecionada e traduzida por olívia krähenbühl, com o título de contos de herman melville: "bartleby", "o homem do pára-raios", "o terraço" e "benito cereno". tem algumas reedições e em 1987 sai pelo círculo do livro com o título de os melhores contos de herman melville:


em c.1971, billy budd sai em sua terceira tradução, agora de pedro ramires, pela bruguera:

Autor:Melville, Herman,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1819-1891.
Título original:[Billy Budd, sailor. Portugues]
Título / Barra de autoria:Billy Budd / Herman Melville ; traducao de Pedro Porto Carreiro Ramires. -
Imprenta:Rio [de Janeiro] : Bruguera, c1971. 
Descrição física:160p. ; 18cm. -

também em c. 1971, sai um terceiro benito cereno, agora em tradução de sandro pivatto, também pela bruguera:

Autor:Melville, Herman,clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes 1819-1891.
Título original:[Benito Cereno. Portugues]
Título / Barra de autoria:Benito Cereno / Herman Melville ; traducao de Sandro Pivatto. -
Imprenta:Rio [de Janeiro] : Bruguera, c1971. 

em 1982, sai bartleby, o escrivão, em tradução de a. b. pinheiro de lemos (o mesmo que fazia as traduções de harold robbins que depois nelson rodrigues apenas assinava), pela record, e agora na josé olympio, que hoje em dia pertence ao grupo record:

Livro Bartleby, O Escrivão da editora José Olympio (Grupo Record)

em 1984, temos taipi, paraíso de canibais, em tradução de henrique araújo mesquita, pela l&pm:



em 1986, aparece outro bartleby, agora o escriturário, em tradução de luís de lima, pela rocco, relançado em 2010:

Com projeto gráfico reformulado, edição apresenta Melville ao público jovem

em 1992, vem mais um benito cereno, agora em tradução de daniel piza, pela imago:



ainda em 1992, mais um pouco de novidade - o vigarista, em tradução de eliana sabino, pela 34:



em 2003, retorna o incansável bartleby, o escriturário, em tradução de cássia zanon, pela l&pm:



em 2003, sai a quarta tradução de billy budd, agora em tradução de alexandre hubner, pela cosac naify:



em 2005, temos mais um billy budd, marinheiro, agora em tradução de cássia zanon, pela l&pm:



em 2006, sai o sétimo bartleby, o escrivão - uma história de wall street, em tradução de irene hirsch, pela cosac naify:

Título do Livro

em 2009, mais um pouco de novidade, com o ensaio sobre hawthorne e seus musgos, em tradução de luiz roberto takayama, pela hedra:



em 2011, continuam algumas novidades com o violonista e outras histórias, em tradução de lúcia helena de seixas brito, pela arte e letra, com o conto que dá título ao volume, mais "o homem dos pára-raios", "eu e minha chaminé", "a varanda", "o paraíso dos solteirões", "o inferno das donzelas":













resumindo: o campeão de traduções é bartleby, com nada menos de sete entre 1961 e 2006; segue-se billy budd com cinco, entre 1952 e 2005; depois, benito cereno com quatro traduções entre 1952 e 1992. "o terraço"/ "a varanda" e "o homem do pára-raios", que também fazem parte das piazza tales (1856) com "bartleby" e "benito", ganharam duas traduções. o engraçado é que os outros dois contos que completam a coletânea original, "the encantadas or enchanted isles" e "the bell-tower", pelo visto continuam inéditos entre nós, depois de um século e meio. por outro lado, que bom que algumas editoras tragam alguma variedade, inclusive pelo lado ensaístico de melville. já pretender que lancem seus poemas talvez seja querer demais. [atualização: pelo menos camoens foi traduzido por nelson ascher e se encontra em poesia alheia, lançado pela imago em 1998.]

em relação a billy budd, vale a pena ler o artigo de alfredo monte comentando a análise de hannah arendt, aqui.


8 comentários:

  1. eu acho tão incrível as traduções que a Cultrix possibilitou em matéria de livros de contos na década de 60... quem iria publicar Caroline Gordon, Jessamyn West, Evan S. Connell Jr, Katherine Anne Porter, Conrad Aiken nesse país?

    bjones!

    Enzo

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  2. realmente, enzo,
    essa coleção da cultrix era maravilhosa.

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    1. mesmo o projeto gráfico era simpático, não acha, Nilton? quem dera tivessem traduzido Eudora Welty... mas se até o Faulkner era visto como escritor rural...

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  3. eu tenho lá minhas implicâncias com a coleção "maravilhas do conto tal" (a partir de 1957): em vários volumes inventavam uns nomes totalmente escalafobéticos como responsáveis pela seleção dos contos; não davam os créditos de tradução (era basicamente tudo copiado de publicações anteriores de outras editoras), e aparecia um fantasmático "t. booker washington" assinando "tradução revista por ...". as antologias da livraria martins e mesmo da vecchi eram bem melhores e mais honestas. a coisa na cultrix melhorou quando começaram a fazer coletâneas de um autor só, com seleção e tradução de uma pessoa só, devidamente nomeada e creditada, tipo a olívia krähenbühl, e aí o nível ficava muito mais homogêneo; aí tem coisas boas mesmo, como este melville ou o hawthorne.

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  4. essa coleção "maravilhas do conto" eu não conheço... o nome já meio que repele um leitor menos deslumbrado kkk. Mas a coleção "grandes contistas" (a grande maioria selecionada era de estadunidenses) foi muito feliz. é notável a ausência da Flannery O´Connor nas coletâneas dessa época, ainda mais por ter sido publicada pela Gallimard enquanto viva. Não me conformo que só chegou aqui na década de 90.

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  5. sim, enzo,
    eu gostava da apresentação.
    era algo muito limpo, com aquela ilustração na capa. era ótimo.

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  6. Um poema? que coisa... nem sabia que o Melville era poeta... vivendo e aprendendo...

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  7. Denise, seu post me incentivou a procurar sobre a poesia de Melville. Fiz até a tentativa de tradução de um poema (mais dois fragmentos), que postei aqui: http://i-traducoes.blogspot.com.br/2012/05/herman-melville-poeta-epitaph.html

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