31 de mai de 2012

abdr: concordo em número, gênero e grau


Por que a ABDR luta contra a “pasta do professor”, procedimento habitual nas universidades? 
A pasta do professor é uma deformação da função de ensinar. Isto porque impõe aos alunos a leitura fragmentada de textos que, na maioria das vezes, descaracteriza o conteúdo das obras e altera sua identidade. O aluno não adquire o hábito da leitura, da pesquisa, do questionamento. Não desenvolve o senso crítico nem aprende a atribuir os créditos ao autor da obra.
extraído da cartilha da abdr, aqui. concordo em número, gênero e grau - embora a conclusão da abdr seja outra, considero esta mais uma forte razão para se implantarem legalmente formas que favoreçam o amplo acesso a bibliografias integrais.

5 comentários:

  1. Denise:
    Concordo que as referidas pastas sejam uma aberração, mas discordo da afirmação da abdr de que o aluno "não adquire o hábito de leitura". Muitas vezes o que nós encontramos é a dificuldade para encontrar o material disponível na própria biblioteca.
    Pense o seguinte: todos os anos entram nas turmas de Letras da USP-Butantã uma enorme quantidade de alunos (não tenho os dados, mas já ouvi falar em 700). Só nas matérias básicas do primeiro ano (Elementos de Linguística, Introdução aos Estudos Literários, Introdução aos Estudos Clássicos e Introdução aos Estudos de Língua Portuguesa) há uma enorme bibliografia exigida dos alunos. Quantos exemplares existem na Biblioteca Florestan Fernandes do "Curso de Linguística Geral", do Saussure? Eu contei 45, numa rápida consulta ao Dedalus; há exemplares em outras bibliotecas do campus, mas na principal biblioteca para o curso de Letras há somente 45 exemplares - para um universo de quantos ingressantes? 700, se a informação que obtive está correta?
    Há casos em que os professores DOAM livros de seus acervos pessoais para as bibliotecas da universidade - e isso na USP!
    De que forma os alunos podem ler as obras necessárias se elas não estão disponíveis? Muitas vezes não há nem mesmo interesse por parte de editoras em reeditar certos títulos. Eu mesmo esperei uns dois anos por uma reedição d'O Estudo Analítico do Poema, de Antonio Candido. Comprei o livro novo, mas este é até barato se comparado com outros.
    É uma equação difícil de resolver e mesmo não sendo a favor das famigeradas pastas, muitas vezes elas são o único caminho possível para se fazer o curso a contento.
    Um grande abraço,
    Flávio

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  2. agradeço seu comentário, flávio. na verdade, sou do tempo do xerox. a aberração, a meu ver, vem desde a lei 9610/98 que proibiu o xerox. depois de 1998, surgiu o fenômeno de massa da internet. não pode xerox, não há exemplares suficientes na biblioteca e também não pode baixar? esse reino do radical "não pode" é que me parece absurdo. já, já, não pode ler nem pode estudar. é maluquice achar que um estudante fazendo 5, 6, 8 disciplinas por semestre, cada qual indicando o quê, uns dez livros na média?, vai comprar 80 livros para quatro meses de curso que depois não terão muito mais serventia. daqui a pouco não vai mais poder sequer repassar os oitenta hipotéticos livros para um colega da turma seguinte, pois supostamente estaria prejudicando as vendas das editoras. imagine, todo o raciocínio do pessoal da abdr é maluco - querem fazer valer na marra uma legislação que jamais conseguiu se firmar porque tornou a "pirataria acadêmica" praticamente obrigatória.

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  3. Vamos ser francos, universitário que ainda não adquiriu esse tal hábito da leitura é pau que vai morrer torto. A função do professor não é essa. E, como você observou, são oito matérias por semestre. Se cada uma tiver 10 livros de bibliografia, serão 80 livros a serem lidos inteiros. E não apenas lidos: lidos, relidos, discutidos, analisados, fichados, etc. Diante desse cenário, eu não vejo como atacar a política da "pastinha" (física ou virtual). Serve como introdução ao essencial. Achou esse capítulo interessante? Corre atrás do resto. Comigo, pelo menos, funcionou assim.

    Sem contar os casos em que a obra é uma coletânea de artigos diversos, de autores distintos, às vezes sobre temas apenas vagamente relacionados. Numa situação dessas (e diante do cenário da bibliografia de 80 itens), querer que o aluno compre/leia tudo ou nada é irrazoável.

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  4. Anônimo1.6.12

    Marcos, se a função do professor não for indicar o caminho do saber para o aluno, qual seria? Assinar papéis burocráticos e receber seu salário sem esforço e sem dedicação aos alunos? Observei que em geral traduções assinadas por catedráticos da USP, UNESP e UNICAMP são as piores, simplesmente porque eles não fazem a tradução, pedem para um aluno de mestrado ou doutorado fazer e assinam. Esta é a mentalidade dos professores brasileiros das melhores universidades. Usar seu título para ganhar dinheiro a custa de outros sem ética e compromisso nenhum com sua função de pesquisador e professor !

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  5. Fora que as tais "pastas" são cheias de textos sem referência. Eu mesma — em uma disciplina cuja ementa contemplava a redação de textos técnico-científicos, ministrata por uma pessoa que se dizia docente — tive que achar as referências bibliográficas na Internet, digitando extratos dos textos e achei partes do livro disponibilizadas em sites de venda e enfim descobri quem tinha escrito aquele texto e o nome da obra...

    Agora, me dia: qual docente é conivente com a falta de reconhecimento da autoria de um texto em uma disciplina que visa ensinar estudantes a fazer, corretamente, as referências bibliográficas?

    Ao perguntar, obtive uma resposta mais ou menos assim: que nenhum professor da instituição se preocupava com tais dados e que se eu quisesse obter informações sobre a procedência do texto, que procurasse a obra na biblioteca. Só não me disse como fazer isso...

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