30 de abr de 2012

jack london no brasil IIIa.



de novo, a questão da literalidade. agora não se trata de uma expressão idiomática tomada ao pé da letra, e sim de um nome próprio: white fang, fielmente traduzido em todas as edições brasileiras como "caninos brancos".

fico pensando qual a probabilidade de alguém dar tal nome a seu cachorro (ou lobo): "caninos brancos, vem!", "pega, caninos brancos!" ou um simples chamar à distância: "caniiiinos braaaaancos!". em inglês, é fácil: algo mais ou menos como huái(t)fen - até segue a regra informal de nomes para cães: curto, com vogal bem marcada na tônica, para decorar mais fácil o chamado. sob este aspecto, "caninos brancos" é uma maldade - e na leitura do livro acaba sendo um suplício também. acho que só perde para o lusitano "colmilhos brancos"... pensei, pensei, não cheguei a nenhuma sugestão alternativa. fica registrado mais um quebra-cabeça.

3 comentários:

  1. será que não era interessante em caso como esse manter o nome original explicado com nota? afinal, às vezes fica bem estranho traduzir nomes, por exemplo "o jogo das contas de vidro", de hermann hesse, cujo protagonista chama-se joseph knecht, traduzido por josé servo (fraquinho né?). mesmo em autores como hesse em que os nomes dos personagens são importantes pra sua caracterização, acho que em grande parte das vezes acaba-se estragando a força que o nome carrega. como se poderia traduzir o nome tristram shandy, do romance de sterne? paulo paes encheu o volume de notas... fazer o que?

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  2. pois é, f.f., são aquelas coisas difíceis... josé servo é duro! :-)

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  3. "Marfim" seria muita "liberdade poética", né? A favor, digo que as presas das morsas também são fonte de marfim, e não só as dos elefantes. E certamente os personagens do livro a conheceriam, pois ela vive por quase todo Ártico, inclusive na costa do Alasca. Talvez o marfim fizesse parte da rotina deles...

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