22 de abr de 2012

jack london no brasil I


JackLondoncallwild.jpg




Old longings nomadic leap,
Chafing at custom’s chain;
Again from its brumal sleep
Wakens the ferine strain.









alguma hora eu adoraria acompanhar a fortuna histórica de jack london no brasil: fartíssima e variadíssima. mas  as pesquisas demandariam um tempo que anda meio escasso. de qualquer forma, é impossível deixar de agradecer à sugestão de fabrizio lyra, aqui, tanto mais que já adiantou várias indicações, complementadas por duas outras indicações de um gentil anônimo.

por outro lado, como é cansativo fazer as pesquisas - não por causa delas em si, mas pelos disparates com que a gente se depara. por exemplo:

Autor:London, Jack, 1876-1916.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:O tesão de ferro.
Imprenta:Rio de Janeiro, Ed. do povo, 1947. 
Descrição física:286 p.
Notas:Registro Pré-MARC

o tesão de ferro?! certamente deve ser o tacão de ferro (the iron-heel) - e isso no catálogo oficial de nossa biblioteca nacional. afora os vários registros das obras em diferentes registros do autor, por data de nascimento e morte, também na fbn:

london, jack, 1826-1916
o jovem suicida viveu noventa anos, então?

london, jack, 1856-1916
ou terão sido sessenta?

london, jack, 1876-1316
ou algo que nem consigo calcular, séculos vividos às avessas numa máquina do tempo?

london, jack, 1876-1916
bom, até que enfim acertam.

que seja. tento me concentrar em the call of the wild (1903), e logo surgem outras dificuldades: faltam registros de capas, faltam créditos de tradução, alguns créditos parecem estranhos, alguns títulos exigem certo esforço de identificação, afora as ilustrações do buck como husky siberiano ou uma espécie de pastor alemão (ele era uma cruza de são bernardo com collie). depois, vai dando uma certa exasperação com algumas bizarrices,  dados que não batem, muitas repetições, tanto mais do mesmo e tantas lacunas de outras obras de jack london. haja leitor para tantas versões e adaptações de the call of the wild. afora a variedade de títulos: o grito da selva, chamado selvagem, o chamado da floresta, o apelo da selva, as vozes da floresta, o chamado da selva.

só para espantar um pouco a irritação, comecemos em 1935 e a tradução de monteiro lobato. já se comentou o suficiente sobre o trato bastante livre que ele dava aos textos que traduzia. outro aspecto menos lembrado é que foi monteiro lobato, ardoroso admirador de jack london, quem introduziu sua obra no brasil. fez as traduções de caninos brancos (1933), o lobo do mar (1934), o grito da selva (1935) e a filha da neve (1947).

foi com o grito da selva que ele inaugurou a "coleção para todos", da companhia editora nacional. que lástima que não consegui uma imagem de capa da edição de 1935! abaixo, a capa da edição de 2002 e a pavorosa capa da edição de 2007:

  

por ora, é só. nova tradução vai aparecer apenas em 1964 e então se sucederão várias. voltarei a elas mais para a frente.

aproveito para registrar uma quadrinização simpática, em que pelo menos o buck aparece como um são bernardo. é a edição maravilhosa 117, da ebal, de 1956 (como base para o texto, provavelmente foi usada a tradução de lobato):



















a continuação está aqui.

5 comentários:

  1. Fabrizio Lyra23.4.12

    Muito obrigado, Denise! Mais uma vez você nos ofereceu uma bela e importante matéria sobre um grande autor. Importante e necessária pois novamente você alerta aos leitores em relação aos muitos problemas na história das traduções e edições no Brasil conscientizando-nos como poucos fazem. Especialmente os muitos que preferem comprar em sebos por ser mais barato e acabam obtendo um material de baixa qualidade sem terem ciência disso. Principalmente em se tratando de um autor tão popular e traduzido como Jack London. Aguardarei com calma o momento em que você poderá nos trazer toda a história das traduções de London no Brasil ou o máximo possível.

    Abraços!

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  2. Fabrizio Lyra24.4.12

    Denise, como já te disse antes, espero que você faça esse trabalho de pesquisa com toda a calma possível pois creio ser uma das pessoas mais indicadas para realizar isso. Reafirmo esse desejo pois, além de prezar a honestidade intelectual, já me declarei fã de Jack London. Portanto, tentei conseguir mais algumas informações na net. Pesquisei no site da Fundação Biblioteca Nacional e tive dificuldades ali: o sistema caía toda hora, os dados não parecem estar muito bem organizados e com facilidade para serem consultados. Os livros do consagrado Jack London americano se misturam com os de outro Jack London que, segundo os dados da FBN, nasceu no Rio de Janeiro em 1949 e do qual nunca ouvi falar. Fora que precisa-se verificar os registros um por um. Tentei fazer isso e, apesar de, como já disse, não ser profissional de tradução, sou leitor ávido há muitos anos, creio conhecer a maior parte dos tradutores que são consagrados e aparecem ali vários nomes dos quais nunca ouvi falar. Dessa forma, como coloquei em outro post, fica a dúvida para mim, consumidor de muitas traduções antigas evitando-as, hoje, e para muitos outros leitores que permanecem comprando-as.
    Continuei pesquisando na net e permaneci verificando serem necessárias muita dedicação e paciência para se separar o joio do trigo. Além de altamente necessário. Por exemplo: na Estante Virtual, a maior rede de sebos da net, segundo eles mesmos afirmam, grande parte das ofertas de venda de Jack London são de livros da Martin Claret, sendo exatamente os titulos denunciados aqui, especialmente "O Lobo do Mar" com tradução atribuída a Pietro Nasseti acrescida de muita propaganda em relação ao excelente estado dos exemplares e baixo preço.

    È isso. Abraços!

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  3. ah, sim, são bem trabalhosinhas essas pesquisas. os dados têm de ser localizados, checados e conferidos; faltam vários deles; alguns estão errados, mas até descobrir isso leva algum tempo. e depois vc tem de construir o quadro geral, para entender o conjunto da coisa. passei a ilustrar esses levantamentos com as capas das edições para não ficar uma coisa tão árida.

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  4. Anônimo25.4.12

    Olá.
    Realmente o site da BN, às vezes, fica fora do ar. Além disso, soube que ao se fazer a pesquisa no acervo de livros, deve-se ter cautela com o denominado "catálogo antigo" (que abrange obras anteriores à década de 80). Infelizmente, esse catálogo possui várias incorreções, como as que você mostrou aqui. Se pesquisar pelo "catálogo corrente", vai encontrar informações mais precisas, porém, muitos livros antigos não aparecem nele. E certas obras nem aparecem nos catálogos online: só você indo à BN e pesquisando nas fichinhas bibliográficas de papel.

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  5. de fato, prezado anônimo: é uma espécie de exercício de paciência.

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