1 de abr de 2012

dickens Va.


a tale of two cities saiu inicialmente em fascículos em 1859:



e no mesmo ano foi publicada em livro. aqui frontispício e página de rosto da primeira edição:




como bem lembra nilton resende, como é bonito o começo - justamente famoso. ei-lo (estamos em 1775):
It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us, we were all going direct to Heaven, we were all going direct the other way [...]

apenas a título de curiosidade, eis como ficou nas três traduções que tenho em casa:

enéias marzano
Era o melhor dos tempos, era o pior dos tempos, era a idade da sabedoria, era a idade da estupidez, era a época da crença, era a época da incredulidade, era a estação da luz, era a estação das trevas, era a primavera da esperança, era o inverno do desespero, tinha-se tudo e nada se tinha, seguíamos todos diretamente para o Céu, seguíamos todos diretamente pelo outro caminho...
berenice xavier
Era a melhor e a pior das épocas, era o século da loucura e da razão, da fé e da incredulidade; era um período de luz e de trevas, de esperança e desespero, em que se tinha tudo diante de si e nada se tinha em perspectiva, em que se ia em linha reta para o céu e também para o inferno diretamente [...]
sandra luzia couto
Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos; aquela foi a idade da sabedoria, foi a idade da insensatez, foi a época da crença, foi a época da descrença, foi a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero; tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós, íamos todos direto para o Paraíso, íamos todos direto no sentido contrário [...]
atualização (obrigada, débora!)

débora landsberg
Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos, foi a idade da razão, a idade da insensatez, a época da crença, a época da incredulidade, a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero, tínhamos tudo diante de nós, não tínhamos nada diante de nós, todos iríamos direto ao Paraíso, todos iríamos direto no sentido oposto [...]

17 comentários:

  1. Gostei mais da solução do Enéias Marzano, curiosamente, a mais antiga, não é?

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    1. Concordo 100% com você. Também preferi esta, mais literal e, ao meu ver, mais bonita...!

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  2. eu também :-) embora goste do "insensatez" da sandra; ficaria perfeito, em vez de "estupidez". sim, é a mais antiga, de 1943 (berenice, 1946; sandra, 1995)

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  3. Denise, com sua permissão, posso utilizar seu post em uma aula que darei em um evento na faculdade em que leciono? Obviamente citarei a fonte. O evento é este aqui: http://souzaletras.wordpress.com/2012/03/20/a-traducao-e-seus-desafios-evento-na-souza-marques/

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  4. também gostei mais da tradução do marzano, que mantém o recurso da anáfora, presente no original.
    é mais bela, mais tensa.

    não gostei da opção de retirarem esse recurso nas outras traduções, buscando uma forma mais econômica que prescindisse de algo tão belo e tão forte no original.

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  5. a da berenice chega a ser infame deste ponto de vista, não?

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  6. exatamente. fiquei bobo.

    =/

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  7. nilton, dessa solução aqui da sandra eu gostei, achei boa: tínhamos tudo diante de nós, tínhamos nada diante de nós - manteve o paralelismo ousando dispensar o "não" ("não tínhamos nada"). a tradução da berenice tem erros inacreditáveis, diga-se de passagem; uma pena. um dos consolos é que praticamente não teve nenhuma reedição (ao que eu saiba).

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  8. Obrigada, Denise!

    Concordo com o Nilton. É mais bela.
    Quanto à da Berenice... quer coisa mais infame que o "inferno"? Foi-se toda a sutileza do original.

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  9. é, essa solução da sandra ficou bela, sim. e nas outras passagens ela ainda mantém a repetição com um dos termos.

    agora, fiquei curioso para ver a tradução da débora landsberg, pela estação liberdade.

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  10. Débora Landsberg1.4.12

    Segue a tradução, Nilton:

    Aquele foi o melhor dos tempos, foi o pior dos tempos, foi a idade da razão, a idade da insensatez, a época da crença, a época da incredulidade, a estação da Luz, a estação das Trevas, a primavera da esperança, o inverno do desespero, tínhamos tudo diante de nós, não tínhamos nada diante de nós, todos iríamos direto ao Paraíso, todos iríamos direto no sentido oposto [...]

    :)

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  11. fantástico, débora, que legal, que gentileza a sua!

    deize, pode acrescentar à sua apresentação! :-))

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  12. Débora Landsberg1.4.12

    Disponha, Denise!
    Se precisar de outras partes da tradução, é só avisar.

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  13. Interessante. Mas a tradução do Enéias é a única que "impacta", como a do original. Não há 'peso" nas outras soluções, por mais corretas ou inteligentes que possam parecer. "Aquele" ficou muito ruim, tomaram "it" ao pé da letra, esquecendo que na verdade ele só existe porque você não pode construir esse tipo de frase sem "it" no inglês (mas não lembro da explicação gramatical, alguém me ajuda aí). Pô, parece que o único que percebeu isso foi o tradutor mais antigo. A tendência não seria melhorar a tradução? o Enéias, hehe.

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  14. sim, é muita bonita a tradução dele, juca, concordo.

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  15. Sou, por assim dizer, "leigo" em literatura; sou da Geografia...
    Tenho em casa uma obra que é de português de Portugal. Ela traz a tradução de Enéias Marzano, se não me engano. Até voi conferir para ver...
    Adoro tal tradução!!!
    Meu blog, é: www.donarte.blogspot.com

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