1 de abr de 2012

dickens V

se old curiosity shop parece ausente de nossas letras traduzidas - o que me parece inacreditável e só posso tributar a alguma falha minha ou dos registros que consultei - e se o david copperfield integral, até onde vi, só se encontra na tradução de costa neves, de setenta anos atrás,  a tale of two cities tem nada menos que SETE traduções no brasil! e, se pensarmos que afinal nem é um romance tão amplamente conhecido, o fato é no mínimo surpreendente.

I.
o romance aparece pela primeira vez entre nós em 1943, pela vecchi, em tradução - bem legalzinha - de enéas marzano, com o título de morrer por ela (a queda da bastilha). essa tradução teve algumas reedições até 1963. aqui, em capa meio apelativa com uma cena do filme:

Livro - Morrer Por Ela- Charles Dickens- A Queda Da Bastihla


II.
em 1945, sai como paris e londres, pela anchieta, em tradução de edith de carvalho negrais.


agradeço a informação sobre o nome da tradutora e a imagem de capa a raquel sallaberry brião.


III.
em 1946, o romance aparece com o título mais literal de uma história em duas cidades, com tradução (meio fraquinha) de berenice xavier, pela josé olympio:




IV.
em 1957, é lançada mais uma tradução de a tale of two cities, agora como amor e guilhotina, em tradução de liano tevoniuk, pela cultura mundial:




V.
em 1982, sai um conto de duas cidades, na tradução de raul de sá barbosa, pela nova fronteira:




VI.
em 1995, sai um conto de duas cidades em tradução de sandra luzia couto na coleção "imortais da literatura universal" da nova cultural, com reedição em 1996 e 1997:

Clique para ampliar a capa


essa tradução sai em 2002 e em 2003 na coleção "obras-primas" da mesma editora.ao que parece, a equipe da nova cultural andou fazendo uns enxertos da tradução de berenice xavier, inclusive com uns erros meio disparatados, em alguns trechos da tradução de sandra couto, por razões que só os santos padroeiros das editoras hão de saber. veja aqui.



VII.
em 2010, sai mais um conto de duas cidades, em tradução de débora landsberg, pela estação liberdade:*



* agradeço a retificação de johnny5, nos comentários.

acompanhe as traduções de dickens no brasil 
aqui.

atualizado em 12/04/13.

10 comentários:

  1. a edição de 2010 é da Editora Estação Liberdade.

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  2. vixe, que marcada. muito obrigada, johnny!

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  3. Bruno Gabriel2.4.12

    "Morrer por ela", "Amor e Guilhotina" -- hahaha! Sensacionais os títulos!

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  4. Bruno Gabriel2.4.12

    E pois é, SETE TRADUÇÕES, e ao mesmo tempo NADA de Our Mutual Friend, Little Dorrit ou Dombey and Son, até onde eu sei. Triste.

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  5. é, "amor e guilhotina" achei meio apelativo, mas "morrer por ela" fazia parte da letra de um hino da revolução francesa e do juramento de lealdade à república após a queda do antigo regime: "La république nous appelle, un Français doit vivre pour elle, un Français doit mourir pour elle" - como o romance trata justamente da revolução, achei pelo menos um pouco mais pertinente...

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  6. Bruno Gabriel2.4.12

    Puxa, não tinha sacado essa, muito bom.

    De qualquer forma, os títulos são meio spoilerentos, não? Ou Dickens entrega o final de cara (vergonha, não li o livro!)?

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  7. é, não sei por que o tradutor resolveu pôr esse título - em todo caso, não é muito spoilerento não, porque é um romance histórico, então todo mundo sabe - e é cheio de personagens típicos, os mocinhos, os bandidos, perseguições, traições, fugas para a inglaterra, amores, militâncias, atos de bravura, com aquele tom meio terno, meio irônico e aquela grande eloquência tão dickensianos.

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  8. ah, bruno, a pequena dorrit tem, mas só em adaptações - integral não. dombey & filho tem; mutual friend acho que não, vergonhoso.

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  9. Anônimo28.10.13

    Denise, acredito que "Amor e Guilhotina" não é uma tradução de A Tale of Two Cities.
    "Tale" começa daquele jeito inconfundível: "It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness etc".
    E o "Amor e Guilhotina" começa assim: LIVRO PRIMEIRO - RESTITUÍDO À VIDA. "Decorria o ano de Nosso Senhor de mil setecentos e setenta e cinco. Sentava-se no trono da Inglaterra um rei de queixo saliente."

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  10. olá, prezado anônimo. agradeço o comentário. considero que seja uma edição condensada: o rei de queixo saliente (ou grande mandíbula ou como se tenha nas várias traduções) é o começo do segundo parágrafo, e o ano de nosso senhor de mil setecentos e setenta e cinco é o começo do terceiro parágrafo.

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