23 de mar de 2012

zapiski iz podpolia

esta obra deve ser a de título mais variado entre nós. interessante notar que é, até agora, a obra com maior número de traduções feitas diretamente da língua original. vamos lá.

I.
aparentemente, a primeira tradução brasileira do "podpolia" foi feita por rosário fusco, publicada em c. 1944 pela epasa, com o título de o espírito subterrâneo:



trata-se certamente da tradução de l'esprit souterrain, uma tradução, adaptação e montagem de halpérine e morice, que saiu pela plon em 1886 e teve uma infinidade de reedições (e enorme impacto, aliás, sobre nietzsche). consiste numa montagem de dois textos independentes, "katia" e "lisa", costurados por alguns parágrafos extemporâneos, inventados pelos adaptadores para criar a sequência, além de várias mutilações em "lisa". vale pela curiosidade histórico-bibliográfica e pela lavra de rosário fusco. - aos interessados, a edição francesa está disponível aqui.

II.
a seguir, em 1960, vem a tradução de ruth guimarães, com o título de "o subsolo", muito provavelmente pelo francês, que saiu pela cultrix numa coletânea chamada histórias dramáticas:

 


essa tradução teve várias reedições em coletâneas com outros títulos, tanto pela cultrix quanto pela tecnoprint/ ediouro desde os meados dos anos 60. na ediouro, aliás, a novela passa a ser publicada com o nome de "notas do subsolo".



por outro lado, num daqueles escárnios de que apenas a martin claret parece capaz, essa tradução de ruth guimarães foi garfada pela referida editora, que alterou o título para "memórias do subsolo" e atribuiu a autoria da tradução a ninguém menos que isa silveira leal! sobre esse despropósito, ver aqui e aqui.

III.
em 1962, sai "memórias do subsolo" em tradução de boris schnaiderman, direta do russo, no volume X das obras completas da josé olympio:
OBRAS COMPLETAS E ILUSTRADAS DE  DOSTOIEVISKI - 10 volumes - Livros

esta tradução sai em várias reedições pela josé olympio, depois pela pauliceia (memórias do subsolo e outros escritos, 1992) e finalmente pela 34, desde 2000:



IV.
em 1963 sai a tradução de natália nunes (e oscar mendes), com o título de "memórias do subterrâneo", pela aguilar, pelo espanhol, no volume II da obra completa de dostoiévski.

Fiodor Dostoiévski: Obra Completa

essa tradução é licenciada para a bruguera em 1968, que com ela inaugura sua coleção "livro amigo", porém com o título a voz subterrânea:*

A Voz Subterrânea / Fedor Dostoievski

V.
em 1986, pela civilização brasileira, sai notas do subterrâneo em tradução de moacir werneck de castro, direta do russo:



VI.
em 2008, sai a tradução de maria aparecida botelho pereira soares, notas do subsolo, direta do russo, pela l&pm:



ainda neste ano deve sair a tradução de lucas simone, memórias do subsolo, também direta do russo, pela hedra.

* agradeço a henrique chaudon pela indicação. 
aliás, essa questão das traduções da aguilar é interessante: natália nunes (1921- ) é portuguesa, mas, até onde sei, a josé aguilar lhe encomendou as traduções da obra completa de dostoiévski expressamente para a edição brasileira. entendo que seu nome sempre vem acompanhado do de oscar mendes, pois este teria aclimatado vezos lusitanos à nossa língua e teria se incumbido das notas. ao que sei, essas traduções eram praticamente exclusivas da aguilar e apenas uma ou outra delas foi publicada em portugal. por isso considero razoável incluí-las entre as edições brasileiras de dostoiévski.

acompanhe a pesquisa sobre as traduções de dostoiévski no brasil aqui

4 comentários:

  1. Denise:
    Houve uma edição pela Bruguera, de bolso. O título é, salvo engano, Memórias do Subterrâneo. Creio que é de fins dos '70. Já tive um exemplar, mas foi-se.

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  2. olá, henrique, que legal, sempre preciosas suas indicações! pois é, descobri que foi a edição que inaugurou a coleção livro amigo: por isso tb foi possível situar a data, 1968. mas encontrei reedições nos anos 70 também. eu tinha ficado encafifada com o título, que é igual a uma antiga tradução portuguesa, a voz subterrânea, e não o título usado na aguilar. mas esse verbete sobre a bruguera é bem informativo: http://pt.wikipedia.org/wiki/Editora_Bruguera - explica que inicialmente as edições da bruguera saíam também pela íbis portuguesa, e vi na biblioteca nacional de portugal que a íbis lançou o volume em 1968 com esse título, certamente porque era o nome mais consagrado em portugal.

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  3. Fico contente por poder contribuir de vez em quando.
    A Web é mesmo uma cornucópia!

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  4. como disse em outro lugar, o blogger anda meio doido ultimamente e não consigo liberar alguns comentários.
    então transcrevo o de eugênio hansen, ofs, de 17/9/12:

    Paz e bem! Denise: Curiosidade atual sobre traduções: http://vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=193876&id_secao=11 em
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