11 de mar de 2012

os irmãos karamázov

quanto aos irmãos karamázov e suas demais grafias, temos seis traduções no brasil. são as seguintes:


# em 1931, sai a primeira tradução entre nós, pela editora americana, em nome de raul rizinsky, com o título os irmãos karamazoff. agradeço a alex quintas de souza, que gentilmente enviou as imagens.*

 












# em 1944, a vecchi lança em dois volumes uma tradução em nome de boris solomonov, direto do russo. tratava-se, em verdade, de boris schnaiderman, sob um semipseudônimo, usando parte do patronímico (seu nome completo é boris solomonóvitch schnaiderman).





# também em 1944, pela livraria martins, sai a tradução de paulo mendes de almeida (não sei a língua de partida):


# em 1952, sai a tradução de rachel de queiroz, a partir do francês,* em três volumes, pela josé olympio. aqui na bela capa da edição de 1961, vol. 1:


* ver abaixo, na caixa de comentários, as considerações muito sugestivas de mário luiz frungillo a respeito da língua de partida para essa tradução de rachel de queiroz.


# em 1963, sai a tradução de natália nunes (e oscar mendes), por interposição do espanhol, no quarto volume da obra completa publicada pela aguilar.



a tradução de natália nunes aparece em várias edições e licenciamentos (abril cultural, nova cultural, ediouro). à esquerda, na capa da ediouro (infelizmente numa edição com graves erros de revisão, 2001).


essa mesma tradução será a primeira fraude escandalosa da editora nova cultural: em 1995, em sua coleção "imortais da literatura universal", associada ao círculo do livro, a nova cultural a publica levemente adulterada, atribuindo-a a um espectral "enrico corvisieri". veja aqui.




em mais uma escandalosa fraude de tradução, em 2003 a editora martin claret se apropria da tradução de boris solomonov (schnaiderman) e a publica em nome de um espectral "alexandre boris popov", com revisão de "irina wisnick ribeiro" (a mesma que assina a tradução de crime e castigo com "ivan petrovitch", veja aqui), que continua tranquilamente em circulação até a data de hoje.




# depois de mais de uma década com calamidades editoriais, em 2008 voltam os bons ventos: paulo bezerra publica sua tradução diretamente do russo, em dois volumes, pela editora 34:


acompanhe a pesquisa sobre as traduções de dostoiévski no brasil aqui 

* sobre a identidade de raul rizinsky, ver aqui

31 comentários:

  1. Denise, e aquela tradução de 1931, que você listou aqui http://naogostodeplagio.blogspot.com/2012/03/dostoievski-no-brasil-ate-1936.html -
    Os irmãos Karamazoff. Trad. Raul Rizinsky. Rio de Janeiro, Americana, 1931 ?

    Fiquei curiosa a respeito dela, se seria uma tradução lusitana "adaptada" ou o quê.

    Cláudia
    http://umatalvezclaudia.blogspot.com

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  2. olá, cláudia, é mesmo, até me esqueci dela, obgíssima!
    pois é, fico curiosa também - não se encontra para comprar em lugar nenhum. uma hora até escrevo para o bruno gomide pedindo mais informações sobre ela. obrigada de novo, já estou acrescentando.

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    1. Eu encontrei na Estante Virtual - 2 itens disponíveis. Vou dar um copy-and-paste de um deles aqui:


      Os Irmãos Karamazoff
      Dostoievski R$ 30,00 + R$ 7,97 frete*
      editora: Americana
      ano: 1931
      estante: Literatura Estrangeira
      peso: 800g
      cadastrado em: quarta-feira, 11/3/2009. 11:44:36
      descrição: n/d

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  3. na verdade, procurando imagem de capa, encontrei vários exemplares à venda... (embora não a capinha)

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  4. ah, nossos comentários se cruzaram! sim, obg!

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  5. Uma pergunta que sempre me acompanhou: O nome do personagem "Smerdiakov" é mesmo do original russo???

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  6. olá, mbarbiero, é sim. pode ter outras transliterações, com y, com f, com j: smerdyakov, smerdjakoff, smerdjakov etc.

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  7. E as edições em dois volumes com as imagens de Yul Brynner, Maria Schell e Claire Bloom (do filme, certamente lançadas após 1958, ano de estréia do filme, sabe de qual editora são? Parabéns pelo post, amo Os Irmãos Karamazov, maravilhosa história.

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  8. olá, andressa, são da vecchi, nas edições em brochura. obrigada.

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  9. A Martin Claret lançou nova edição agora em abril, traduzida por Herculano Villas-Boas.

    Sabe informar se é direto do russo?

    http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=42111645&sid=02151777215416609624069946

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  10. olá, cah: herculano villas-boas é tradutor sério, com várias coisas do francês. neste caso, não sei dizer.

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    1. Anônimo20.10.14

      Denise, seria possível que a tradução de Herculano Villas-Boas seja do francês pro português?

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    2. não sei dizer, prezado anônimo.

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  11. M. Campelo7.8.13

    Olá, Tenho um Karamazo de tradução do Paulo Almeida sem data de São Paulo da livraria Martins Editora. Alguém pode me ajudar a descobrir a data, já que está manchada? Tenho fotos!

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  12. 1944, m. campelo: está especificada no post acima.

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  13. olá, denise: a tradução é de herculano villas-boas e a revisão é do poeta bielorrusso oleg andréev almeida. espero que você aprecie a originalidade. abs.

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    1. Olá, a tradução é inteiramente do russo ou cotejada com outros idiomas??

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  14. olá, herculano: agradeço a informação!

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  15. A tradução de Herculano é direto do russo ou pelo francês?

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  16. Mário Luiz Frungillo19.11.14

    Olá, Denise,
    Sempre vejo as traduções de Dostoievski feitas por Rachel de Queiroz referidas como sendo feitas a partir do francês. O que vou dizer é puro chute, mas apostaria numa fonte em inglês, por dois motivos:
    1. Rachel fez várias traduções de autores de língua inglesa (Jane Austen, Emily Bronte, John Galsworthy e muitos etcs) mas, que eu saiba, apenas uma de autor de língua francesa (As confissões de Rousseau);
    2. Em várias passagens das traduções que ela fez de Dostoievski o narrador se refere ao livro como "novela", o que, acho, dispensa explicações;
    Outra coisa interessante: As edições José Olympio e Aguilar apresentam umas poucas notas de tradução idênticas, o que provavelmente indicam uma fonte comum.

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    1. Conversei muito com Rachel de Queiroz, a respeito de sua tradução, e ela me disse que a fez cotejando as traduções francesas, inglesas, espanholas, sempre com o acompanhamento de Boris Boris Schnaiderman, de uma intelectual professora de russo e de diversos intelectuais brasileiros ou não.
      O que importa é que sua tradução é ótima. FOI FEITA POR UMA ESCRITORA e se ela não falava russo, pouco importa. O mesmo aconteceu com DRUMMOND DE ANDRADE que traduziu FOME, de Knut Hamsun, sem saber norueguês e, no entanto, ninguém, até hoje, conseguiu dar mais humanidade e poesia aos personagens e à história. EM ARTE, É PREFERÍVEL A TRADUÇÃO DE UM POETA OU ESCRITOR DO QUE UM TRADUTOR JURAMENTADO.

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  17. olá, mário: que maravilhosas considerações! sim, um very educated guess, não um mero chute! obrigada, vou atrás.

    abraço, d.

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    1. aliás, a questão das notas é muito sugestiva!

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  18. Mário Luiz Frungillo20.11.14

    Essas notas semelhantes eu encontrei principalmente nas traduções de Olívia Krähenbühl. As de Rachel de Queiroz são geralmente mais abundantes e diferentes.

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  19. Prezada,
    não sei se é relevante, mas encontrei em casa de meus pais uma edição portuguesa, feita por A. Augusto dos Anjos, editora-livraria Progredir, Porto.
    Estimo que a edição seja de alguma coisa entre 1945 e 1952. Não há data na edição !
    Comparei com a outra edição que estou lendo (da Claret) e as semelhanças são grandes. Aliás um comentário sobre essa estranha edição da Claret : na mesma, as páginas não são numeradas !

    abraços,
    Dagoberto Nahcai

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  20. Prezada,
    não sei se é relevante, mas encontrei em casa de meus pais uma edição portuguesa, feita por A. Augusto dos Anjos, editora-livraria Progredir, Porto.
    Estimo que a edição seja de alguma coisa entre 1945 e 1952. Não há data na edição !
    Comparei com a outra edição que estou lendo (da Claret) e as semelhanças são grandes. Aliás um comentário sobre essa estranha edição da Claret : na mesma, as páginas não são numeradas !

    abraços,
    Dagoberto Nahcai

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  21. Denise,

    Parabéns por seu brilhante trabalho de esclarecimento das traduções existentes de obras clássicas, por exemplo, de Dostoiévski e de Flávio Josefo. Muito esclarecedor!

    Vi no blog BOCA de INCÊNDIO: Leituras (http://bocadeincendio.blogspot.com/2007/06/leituras.html?spref=tw) que a tradução de A. Augusto dos Santos aparece na edição da Progredir, do Porto, de 1964.

    E vi na Amazon (http://www.amazon.com.br/dp/B00JV60IYC) que ela também aparece na edição da Centaur, no formato eBook Kindle, de 2014, conforme abaixo. Aliás, esta é a única tradução em português disponível na Kindle Store.

    Formato: eBook Kindle
    Número de páginas: 887 páginas
    Editora: Centaur (21 de abril de 2014)
    Idioma: Português
    ASIN: B00JV60IYC

    Atualmente, prefiro sempre as edições no formato eBook Kindle, pois posso carregar toda a minha biblioteca no iPad, no iPhone e no Mac, além de poder ler ou escutar as edições em inglês no aplicativo Kindle com Whispersync for Voice ou no aplicativo Audible.

    Na sua opinião, a tradução de A. Augusto dos Santos para o português de Portugal é menos adequada para o leitor brasileiro do que as traduções de Paulo Bezerra e de Herculano Villas-Boas para o português do Brasil?

    Obrigado. Um abraço,

    Iuri Colares

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    1. olá, iuri, obrigada pela generosa apreciação. não conheço a tradução de a.augusto de santos, pois me concentro apenas em história da tradução no brasil, mas não creio que possa ser menos adequada; pelo contrário, em sendo uma boa tradução, os vezos lusitanos costumam ser tão bonitinhos que até encantam a leitura.

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