30 de mar de 2012

dickens II

animada com o levantamento que bruno gabriel fez das traduções de a christmas carol em português, aqui, fui procurar as capinhas e aproveitei para ver as outras obras também. é impressionante a quantidade de traduções, adaptações, condensações de dickens que temos no brasil! mesmo para um romance não tão amplamente conhecido como a tale of two cities, localizei pelo menos cinco traduções diferentes entre 1945 e 2010!

desisti de minha ambição de montar um post único com todo o dickens no brasil. ficaria gigantesco e um tanto confuso. melhor ir por partes; assim, comecemos pelo christmas carol, aproveitando o levantamento já feito.

I.
o conto sai pela primeira vez no brasil em 1920 com o nome de canto do natal, na tradução da escritora e tradutora portuguesa d. virgínia de castro e almeida. imagem da capa, cortesia de bruno gabriel:






















II.
em 1935, é lançada a tradução do português radicado no brasil  miguel ângelo de barros ferreira, com o título conto de natal, pela melhoramentos. essa tradução teve diversas reedições; abaixo, capa de 1958:



III.
em 1940, sai um hino de natal, em tradução e condensação de cecília meirelles para a editora das seleções do reader's digest, aqui em capa de 1947 :



IV.
em 1944, é publicado o volume contos de natal, trazendo "a canção de natal" e "o grilo na lareira", em tradução de ruth rowe, pela editora vitória. abaixo, a ficha catalográfica em nosso acervo na biblioteca nacional:

Autor:Dickens, Charles, 1812-1870clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Contos de natal.
Imprenta:[Rio de Janeiro] Ed. Vitória, 1944. 
Descrição física:303 p.

V.
em 1956, sai uma aventura de natal, seguido de os sete viandantes pobres, em tradução de tito marcondes e josé maria machado, pelo clube do livro:*



* entendo que tito marcondes seja o responsável por uma aventura de natal e josé maria machado  por os sete viandantes pobres. voltarei ao tema quando tratar especificamente deste último.

VI.
em 1970, sai conto de natal, com adaptação de elsie pinheiro lessa, pelas edições de ouro (ediouro), em sucessivas reedições até hoje:



VII.
em 1971, sai o adorável avarento, em tradução de sandro pivatto, pela bruguera. o título certamente foi inspirado no filme scrooge, de 1970, que recebeu esse nome no brasil. não encontrei imagem de capa; fica uma imagem do filme que inspirou o título:



VIII.
também em 1971, sai três espíritos do natal, com tradução de wallace leal rodrigues, pela editora espírita o clarim:



IX.
em 1988, sai conto de natal na tradução portuguesa de jorge vidal pessoa (publicada pela ed. verbo com o título de "cântico de natal"). incluo essa edição aqui porque a biblioteca de ouro da literatura universal foi uma coleção que a cochrane/ américa do sul desenvolveu especificamente para venda no brasil, pelo selo da editora minha:



X.
em 1993, sai um conto de natal, em tradução de mário fondelli, pela clássicos econômicos newton (muito provavelmente feita a partir do italiano, como soíam ser as traduções da newton):



XI.
em 1995, sai uma história de natal em tradução de ana maria machado, pela ática:



XII.
no mesmo ano, heloísa jahn lança sua canção de natal pela companhia das letrinhas:

Envie sua opinião sobre Canção de Natal!

XIII.
em 1997, sai cântico de natal a partir da adaptação da escritora americana anne de graaf, pela editora dimensão:

Autor:De Graaf, Anne.clique aqui para ver as obras deste autor no Catálogo de Autoridades de Nomes
Título / Barra de autoria:Cântico de Natal / [Charles Dickens ; recontado por Anne De Graaf] ; ilustrado por José Pérez Montero -
Imprenta:Belo Horizonte : Dimensão, 1997. 
Descrição física:64p. : il. col. ; 25cm. -
Série:(Clássicos de Charles Dickens)

XIV.
em 2000, temos o natal do avarento, em adaptação de telma guimarães para a scipione:

avarento

XV.
em 2003, sai conto de natal em adaptação de isabel vieira para a rideel:



XVI.
também em 2003, é lançado um conto de natal, em tradução de carmen seganfredo, pela l&pm:



XVII.
em 2004, sai um espaventoso cântico de natal pela editora martin claret, atribuindo a tradução a um fantasmagórico "john green", sendo cópia literal de uma aventura de natal de tito marcondes, de 1956 (veja aqui):



XVIII.
em 2010, sai um cântico de natal em tradução de fábio cyrino, pela landmark:



XIX.
em 2011, é lançada uma canção de natal em adaptação de tatiana belinky, pela editora caramelo:





há ainda aquelas edições sem referências ao tradutor, que seria preciso comprar e conferir com outras para tentar descobrir a autoria da tradução. por exemplo:

o "canto do natal" em livro de natal: as mais lindas histórias de natal dos maiores escritores do mundo,  que saiu pela martins em 1947, com seleção de araújo nabuco e sem crédito de tradução (meu palpite é que seja a tradução portuguesa de d. virgínia de castro):



há um "conto de natal" em maravilhas do conto de natal, pela cultrix, com créditos de tradução na página de rosto a alguém de nome "fábio andré". não ponho muito a mão no fogo por essa coleção de maravilhas da cultrix:



o "cântico de natal" na antologia os melhores contos de natal, que saiu pelo círculo do livro de 1986 a 1996 (meu palpite é que seja a tradução portuguesa de vidal pessoa)





isso sem contar gibis e histórias em quadrinhos. eis dois, o mais antigo e o mais recente, com mais de meio século entre eles:

cântico de natal, edição maravilhosa 181, ebal, 1959:



um conto de natal, tradução de alexandre boide, da quadrinização francesa, l&pm, 2011:



acompanhe as traduções de dickens no brasil aqui.

12 comentários:

  1. Bruno Gabriel31.3.12

    Haha, muito legal, Denise. Bacana mesmo.

    Ah, e eu posso mandar uma imagem da edição do Annuario, se quiser.

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  2. Bruno Gabriel31.3.12

    PS: a imagem da capa da edição da Cia. das Letras está errada.

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  3. olá, bruno: ah, sim, se puder mandar, será ótimo! agradeço muito :-)

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  4. ué, errada como? ok, vou procurar outra vez, obrigada por avisar!

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  5. Anônimo5.4.12

    "em 2002, sai uma tradução em nome de um misterioso "daniel r. lehman", pela martin claret, na qual até valeria a pena dar uma conferida"

    como assim, "valeria a pena dar uma conferida", depois de tanta crítica tecida por você à martin claret?

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  6. prezado anônimo: não são críticas que teço à martin claret; são fatos que apresento: é a editora martin claret que desde os idos dos anos 90 publica edições espúrias e tem ludibriado leitores e tradutores com a prática de contrafação e cópia de traduções. e creio, sim, que valeria a pena dar uma conferida na legitimidade dessa tradução, pois julgo que nenhum leitor merece ser ludibriado, nenhuma tradução legítima merece ser espezinhada.

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  7. Anônimo5.4.12

    mas se é misterioso o tal "daniel r. lehman" não é suspeita igualmente tal tradução?

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  8. creio que vc não está me entendendo, anônimo: claro que não posso levantar nenhuma suspeita sobre algo que não conheço, mas afirmei e reafirmei que creio que valeria a pena dar uma conferida na tradução, para avaliar sua legitimidade.

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  9. Anônimo5.4.12

    mas se não conhece a tal edição da martin claret, porque empregou o adjetivo “misterioso” de modo a levantar suspeitas em relação ao tal tradutor? significa que eventualmente você pode falar mais do que realmente sabe?

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  10. prezado anônimo, qualifiquei "daniel r. lehman" com um tradutor "misterioso" porque as consultas ao nome não retornaram resultados esclarecedores, de forma que a figura com este nome continuou misteriosa para mim, ou seja, pouco sei sobre ela - significa justamente que NÃO POSSO FALAR MAIS DO QUE REALMENTE SEI. e estou estranhando um pouco seu tom, que parece um pouco rebarbativo.

    atenciosamente
    denise bottmann

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  11. Anônimo5.4.12

    não fique brava, moça, você empregou mal o adjetivo “misterioso”, foi só isso. vi nisso uma impropriedade.
    o que me intriga em idealistas como você é o quanto estariam dispostos a suar para transformar esse país de gente tão ignorante.
    sabe, tribunal superior federal, green peace, jornalistas politicamente corretos, tradutores com amplas expectativas de levar a alta cultura às massas...
    tudo isso me deixa com um pé atrás...
    numa fase tardia da história tão morta para os livros e tão refém das mídias!
    sabe, às vezes não posso deixar de pensar que mesmo propostas honestas como a sua integram a sociedade do espetáculo.
    se pareci rebarbativo a você é que desconfio da capacidade de a linguagem representar a realidade. talvez um mau hábito meu de fazer perguntas demais.
    mas garanto que a intenção foi das melhores...
    um grande abraço.

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    Respostas
    1. Larga de ser ridículo cara. Parece que não sabe ler, para de viajar e presta atenção no que a mulher escreveu.

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