27/01/2012

o caso de robinson crusoe

imagem: aqui

a extinta editora w. m. jackson resolveu lançar em 1947 uma coleção chamada "grandes romances universais", cujo primeiro volume foi robinson crusoé, de daniel defoe, em tradução integral feita por flávio poppe de figueiredo e costa neves, "canônica", segundo o crítico literário alfredo monte.



a jackson lançou várias reedições: em 1950, 1952, 1959, 1963... em c.1966, a ediouro (que se chamava então edições de ouro) obteve licença da jackson para publicar essa obra em sua coleção "clássicos de bolso":


depois ela andou meio sumidinha. reapareceu em 1999 na editora martin claret, quando ainda não havia adotado aquelas capas espantosas que tanto vieram a celebrizá-la:


e lá continua até hoje, n reedições depois, algumas integrais, outras não (2000, 2001, 2002, 2003, 2005, 2007, 2008, 2010, 2011), com isbn 8572323570. 


o problema é o seguinte: "copyright desta tradução: martin claret, 2000"? entrei em contato com a filha de poppe de figueiredo (falecido em 1974), a qual afirma que jamais ela ou seus irmãos licenciaram a tradução paterna para a martin claret, e muitíssimo menos lhe transferiram o copyright da obra:


e aparentemente é esta obra que não só constitui uma contrafação, mas apropriação indevida de um copyright que não lhe pertence, que está inscrita no cadastro nacional do livro de baixo preço, no programa da fundação biblioteca nacional:


pois ou bem os direitos dessa tradução pertencem aos herdeiros de poppe e costa neves, ou bem integram nosso patrimônio de domínio público. não dá é para deixar que terceiros não legitimados se apropriem dela por seus interesses comerciais privados.


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