7 de set de 2011

questão de critério


sempre acho meio engraçado esse afã da concorrência entre as editoras. fartam-se e refartam-se com os mesmos títulos. oito traduções de jane eyre? que tédio!


já outro romance de charlotte brontë, shirley, parece ter tido uma única tradução - aliás  esquecidíssima e esgotadíssima - em 1949, pela gráfica brasileira.

e villette, se não me engano, continua inédito entre nós. 

por outro lado, seu póstumo the professor teve relativo sucesso: 

raul lima, josé olympio, 1944

reeditada pela global em 1983:


e outra edição pela saraiva em 1958, cujo tradutor não consegui descobrir, num curioso volume duplo, junto com a lenda de ulenspiegel, de charles de coster:

O Professor C Bronté e a Lenda de Ulenspiegel, C de Coster

o professor também saiu pelo clube do livro em 1958, com tradução em nome de josé maria machado, o que, porém, não esclarece muita coisa ("josé maria machado" significava basicamente uma sapecada do clube do livro em traduções alheias, e pronto).



apesar da pouca ou nenhuma atenção dada a shirley e a villette, romances publicados em vida de charlotte brontë, a nova fronteira, sabe-se lá por qual critério de relevância, preferiu lançar dois textos da juvenília, o segredo & lily hart, em tradução de maria ignez duque estrada (1993):


sobra de um lado, falta do outro, escolhem-se textos que têm mais valor de curiosidade do que qualquer outra coisa... não termos villette, acho imperdoável! pois creio que sobre uma coisa todos hão de convir: obra publicada em vida tem um valor autoral que não se compara ao de manuscritos e esboços de juventude guardados envergonhadamente no fundo da gaveta ou ao de obras póstumas que não tiveram a chancela do autor em vida.

tudo tem sua importância relativa, claro, mas um pouco de critério acho que não faria mal às editoras. repito: oito traduções de jane eyre, sendo que pelo menos quatro estão ativas em catálogo? senhores editores, que tal pensar um pouco mais nos leitores e um pouco menos nos concorrentes?

p.s.: depois formam estoque e ficam às voltas com seus encalhes,
e não sabem por quê...

atualização em 12/2/12: "napoleão e o espectro" saiu em o grande livro de histórias de fantasmas, pela suma de letras, em 2006, com tradução de cristina cupertino:

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6 comentários:

  1. Vanessa7.9.11

    denise, vc falou tudo: é imperdoável não termos uma tradução de "villette". a crítica mais moderna é quase que unânime em considerá-lo a obra prima da charlotte; é, no mínimo, o romance mais experimental e menos convencional dela. mereceria muito uma tradução.
    de fato, as editoras parecem optar sempre pelo feijão-com-arroz... lembro-me de quanto tempo passei procurando uma tradução de "northanger abbey" da jane austen (hoje há várias, mas há alguns anos era dificílimo encontrar, se é que havia alguma). mas quantas traduções/edições existem de "pride and prejudice"??
    no caso da charlotte brontë, e das irmãs brontë de maneira geral, a situação é ainda mais crítica, pq elas são muito pouco lidas e estudadas no brasil. até hoje não sei se temos uma tradução de "agnes grey" por aqui, por exemplo. eu, pelo menos, nunca encontrei. acabei lendo todos os livros das três no original, mas lembro que isso me deixava imensamente frustrada na época em que eu era novinha e ainda não tinha o hábito de ler em inglês. infelizmente, noto que ainda há grandes autores da literatura mundial aos quais o acesso no brasil, para quem não domina o idioma original da obra, é bastante restrito...

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  2. sim, vanessa, concordo com seu juízo sobre villette. não conheço bem a obra de charlotte, mas villette me parece mais maduro em termos literários.

    agnes grey até acabou saindo no brasil, com o título de "a preceptora", pelo clube do livro, em 1977, em nome do inefável josé maria machado - pelo visto, é uma tradução portuguesa. comentei algo aqui:
    http://naogostodeplagio.blogspot.com/2010/09/clube-do-livro.html

    o blog de raquel sallaberry é uma preciosidade no que diz respeito a jane austen: http://janeausten.com.br/

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  3. pois é, vanessa: "as editoras parecem optar sempre pelo feijão-com-arroz", mas aí vem essa coisa espantosa de publicarem textos obscuros e secundários, como no caso da nova fronteira.

    que disparate.

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  4. Vanessa7.9.11

    poxa, denise, eu sabia que havia uma tradução portuguesa de "agnes grey" com esse título, mas não sabia que ela havia sido lançada no brasil. de tanto procurar em vão em sebos, livrarias e na internet, acabei desistindo de ler o livro em português...

    conheço o "jane austen em português", é realmente uma preciosidade! gosto muito! :)

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  5. Vanessa7.9.11

    disparate mesmo. não sabia da existência dessa edição da nova fronteira, fiquei besta. como vc disse, não faz nenhum sentido lançarem um negócio desses e continuarem ignorando "shirley" e "villette".
    realmente, falta critério.

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  6. "Agnes Grey" vai sair pela Martin Claret, Denis. E, felizmente, já temos tradução de Shirley e Villete pela Pedra Azul.

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